Quedas na terceira idade – Causas e consequências

Entre as fraturas, as mais comuns são: punho, quadril, coluna e ombro.

Alice Thomaz*

PORTO VELHO – Outro dia estava conversando virtualmente com um amigo real, que relatou-me que ele mesmo tinha sido vítima de uma queda, ocorrida recentemente e que lhe rendeu um ombro quebrado, alguns dias de internação hospitalar com intervenção cirúrgica e a necessidade de uma viagem não planejada para outro estado a fim de receber cuidados familiares. Também falou-me a respeito não de um, mas de dois conhecidos que estavam passando pelo mesmo problema, ou seja, fraturas e quebraduras por desiquilíbrio natural do corpo e tombo nas desniveladas calçadas de Porto Velho.

Ora, a queda de idosos é muito mais comum do que se imagina e ela pode ter diversas origens, como o efeito de um medicamento, uma vez que é comum para muitos idosos tomar vários medicamentos, às vezes prescritos por médicos diversos e que, infelizmente, algumas vezes, não se preocupam em avaliar a interferência do resultado de um medicamento com outro. As fórmulas prescritas são as mais diversas e na ânsia de melhorar o que anda mal, o idoso dá logo um jeito de iniciar o tratamento, e os efeitos podem ser catastróficos.

Então, fique atento: se o seu familiar ou amigo está caindo ou se queixando de tontura, vale a pena rever a medicação que está sendo usada. Eu mesma, um dia desses passei cerca de 24 horas de muita tontura. Deduzi que a causa era uma medicação mal administrada. Reduzi a quantidade de ingestão e o mal-estar passou.

Mas além da medicação mal aplicada, quais são as outras possíveis causas de quedas entre os idosos? A literatura médica nos dá algumas dicas as quais devemos estar atentos.

Por exemplo: nosso corpo envelhece muito mais rápido que a nossa mente e muitas vezes temos um corpinho de 70 ou 80 anos e uma cabecinha de 20 ou 30 e achamos que somos capazes de fazer tudo com a mesma firmeza de quando éramos realmente jovens. E aí as coisas complicam.

Perguntei para um cirurgião ortopédico, que opera pelo menos três pacientes por dia, a rotina de um centro cirúrgico da sua especialidade e ele disse que fraturas e quebraduras causadas por acidentes de trânsito envolvendo motocicletas predomina e neste ranking os jovens são as principais vítimas.

Seguido de perto pela queda de idosos da própria altura, ou seja, sem nenhuma elevação ou obstáculo. É fácil demais para o idoso cair e sofrer uma lesão, que pode ter consequências agravadas pelo desconhecimento ou descaso, aquele velho pensamento de que aquilo não é nada demais.

O idoso cai a noite ao levantar-se para ir ao banheiro fazer xixi, cai porque enxerga mal ou porque a luminosidade do ambiente não é suficiente ou mesmo porque tem pouca força muscular. Cai porque tropeça em tapetes, em pequenos animais domésticos, calçados e brinquedos fora do lugar ou simplesmente escorrega no próprio chinelo.

O uso de banquinhos, cadeiras ou escadas também tem a sua cota no centro cirúrgico. Aguar uma planta que está no alto, pegar aquela panela no armário aéreo ou trocar uma lâmpada são ações perigosas depois de um certo tempo e que der errado pode ter resultados catastróficos.

Entre as fraturas, as mais comuns são: punho, quadril, coluna e ombro.

A queda em vias públicas também mereceria uma estatística, mas ainda não tem. Nossas calçadas em Porto Velho, de maneira geral, são grandes arapucas, lugares preparados para quedas. Legislação disciplinando a construção de calçadas existe, mas quase ninguém leva a sério ou consulta os manuais da prefeitura para fazer corretamente. E assim nossas calçadas são um sobe e desce sem fim. Isso quando comerciantes não invadem o passeio público com mesas e cadeiras dando aquela esticadinha no seu estabelecimento.

A queda de idosos e suas consequências é um assunto vasto e complexo que merece abordagens por diversas perspectivas. Por ora, vamos parar por aqui, mas logo voltaremos ao tema. Você pode contribuir com a coluna.

*É jornalista


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