
PORTO VELHO – Estava vendo a fala do Laranjão sobre os baús da CIA, FBI e lembrei de uma piada da caserna. Irado com o tenente, o recruta diz: “se eu lhe chamar de filho da p*uta? -Vai preso! – E se eu pensar? – O pensamento é livre. – Então eu penso”. Diz ele ter provas de interferência eleitoral “Nuzeua” feitas por Venezuela China, Russia, Coréia do Norte e nas eleições pelo mundo. Nada sobre Brasil, mas ele falou de máquina eleitoral como nossas urnas intransponíveis, impenetráveis, invioláveis, resistentes a ataques hackers, a programas e algoritmos, face à sua tecnologia que visa a impenetrabilidade, velocidade e credibilidade.

Há algum tempo o Brasil prega a infalibilidade da sua urna brazuka com defesas categóricas, enérgicas, drásticas, táticas e enfáticas feitas pelos mandatários da caixa de ressonância do STF, o TSE e claro, principalmente por alguém maior que o reles tenente da piada e que Trump. A fala deste ser me causa, paúra, c*gaço e me leva a engolir sem reservas tudo o que ele fala. Mas aí surge o recruta e o que fazer? Devoto de São Tomé e ajoelhado no milho eu peço perdão, mas confesso respeitosamente: “Então eu penso”.
Lula, o grande mestre da política rasteira
Quem Marcos Rubio pensa que é? Quem é Rúbio na fila do osso da JBS? Chamar o Brasil de Lula, Zé Dirceu, do Foro de São Paulo et caterva para atacar esquerda? Não acham bastante o discurso acusando a Venezuela, China, Rússia e Coreia do Norte apenas porque melaram suas eleições? E como fica a soberania brazuka? “Uzêua” montou o circo – “Reunião Ministerial sobre Ressurgimento do Terrorismo Político” – e teve a pachorra de convidar o Itamaraty para engrossar o caldo. Mauro Vieira, nosso Mister Magoo, já fazia as malas quando Celso Amorim meteu o loko.

Explico: Trump quer vencer as eleições, ganhar suas guerras e matar o terrorismo transnacional de esquerda e tudo com ajuda do Brasil, mas Lula, o esperto, bateu o pé e ele arregou. Ora, reunião sem Lula, Janja, maquiador, fotógrafo, segurança, claque e pautas para reuniões com 40 ministérios, flopa, não dá nada e foi o que deu. Digaí, de onde vem essa conversa fiada de terrorismo se sabem que na “terra brasilis” não tem disso não? Deveriam estar carecas de saber seja pelos silêncios democráticos do nosso judiciário, seja pelas falas empelotadas de Lula, que nossos bandidos não têm religião ou ideologia. São vítimas da sociedade e só querem celular, joia, funk, grana, domínio do morro, disciplina, granada, fuzil e claro que isso nada tem a ver com terror. É só para zoar. Esta “reunião” que o Brasil pulou fora, segue a linha da outra de maio feita em Haia sobre antifa e terror da extrema esquerda. Lula, um líder mundial do multilateralismo, defensor de fracos, oprimidos e famintos, quase Prêmio Nobel botou Trump de castigo, pois sua retórica política, a narrativa criativa prescinde de pragmatismo. Algum dia todos seremos Lula e se Deus quiser eu vou me livrar desse meu ranço e parar com a ironia e o sarcasmo.
“Do mestre com carinho”

Aos não afeiçoados ao direito e português escorreitos, a entrevista do Temer a “O Estadão” entremeada de mesóclises, pausas teatrais e mensagens cifradas é ruim. Constitucionalista, criador e disseminador involuntário de AMoraes, o mal que nos aflige, de início pontua: “Olha, eu não sabia que seria assim” e vai: “Se não tem foro no Supremo, foro privilegiado, não pode ser julgado pelo Supremo”; “Se a Constituição diz que parlamentar tem imunidade por quaisquer palavras, não pode ser acusado por aquilo que disseram”; “Se a Constituição diz que há liberdade de pensamento, liberdade de expressão, ninguém no YouTube pode ser incriminado por críticas”. Sobre seu futuro diz o mestre dos conselhos: “Passei 32 anos na vida pública. Ocupei praticamente todos os cargos na República, inclusive a Presidência do Brasil. Então confesso que não tenho mais disposição para tanto. O que faço muitas vezes é dar palpites. De vez em quando pessoas me procuram pedindo, delicadamente conselhos na área pública e área política. Digo que conselho não dou! Mas posso dar palpite”. Sobre o tarifaço diz que ligaria para Trump antes de falar de reciprocidade. “A conversa chega sempre ao melhor caminho”. Temer e os guris da JBS lembram-se? “tem que manter isso aí”? Eis o mestre e suas histórias…
Três nações, dois tarifaços e um baile
E já que falei em tarifaço, o que se sabe é que produtos da “pauta brasilis” arcarão com 25% pela proa, um tirambaço “Duzêua” que segundo diz Lulex é um atentado à soberania brazuka, mas achei paradoxal sua fala: falou que não vai falar e que só fala depois da fala do Trump e feshow: “contra o Brasil, ninguém ganha mentindo”. Data vênia, discordo, pois vejo Lula mentindo todo santo dia, mas creio que a minha opinião de nada vale. Ou vale João do Vale? Sei que Lula tem a força de nos dobrar com seus argumentos platônicos-aleatórios, mas sem cientificidade.

Uma conta simples mostra seu erro na questão do tarifaço por enxergar somente um lado. Trump nos presenteou com 25% de tarifa, um nada quando se vê o nabo que causa choro e ranger de dentes Made in China. 67% sobre o preço da carne bovina que tinha um limite alcançado de 1,1 milhão de toneladas. Conta de padaria: 67-25=42. E tem os carrinhos chineses. O Brasil taxou em 35% os carros prontos, mas em contrapartida criou o “negócio da china” para Xin Jin Ping: a cota de US$ 463 milhões para os kits desmontados em parte ou no todo e com alíquota zero. Lembram-se das motos da Zona Franca de Manaus? A China já participa com 92% das vendas de importados elétricos e eletrificados no Brasil. BYD, GWM e Caoa Chery já detêm 15% do mercado nacional geral. As eleições estão aí e bem difíceis para Lula e o PT. lembrei do fim do Império e o baile da Ilha Fiscal. Já pensou um outro com Lula, Janja e PT cantando adeus amor bebendo e rindo como hienas?
Comendo o mingau pelas bordas
Investigações da Polícia Civil e MPRJ deram de cara com o que menos esperavam. “Nossos bandidos” do crime comum, organizado, não terrorista, estavam lavando uma grana preta em redes de fachada para – Deus é mais! – Al-Qaeda. Dezenas de mandados de prisão e busca no Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. A estrutura bem sofisticada, de profissionais na Tríplice Fronteira, atuando com as grifes PCC, CV e TCP repassando a grana para grupos terroristas caçados “Peluzêua”. Para lembrar, Trump sugeriu o reconhecimento da existência do terror no Brasil, mas Lula negou e a negação já foi indício da existência.

Logo após a espetacular ação em que as forças de segurança do Rio encurralaram e finalizaram os bandidos no mato, o Laranjão enviou ao Rio de Janeiro armamento e deu treinamento. Acho que os gringos estão aqui comendo o mingau quente pelas beiras para desagrado do Brasil que não quer nem tocar no tema terrorismo. E falando em tema, indico o excelente “Terrorismo à Brasileira: A guerra é real. A cegueira é legal”, obra do juiz criminal e professor Carlos Eduardo Ribeiro Lemos sobre a atuação das facções no país, com fundadas críticas a legislação atual por não enquadrar organizações criminosas como grupos terroristas. Um detalhe: Talvez edição esteja esgotada.
Fim de papo

Disse Elias, próspero prócer do PCC: “O PT tinha diálogo com nois cabuloso”. Era um período em que ainda haviam as inocências ocultas e cabulosas na política e no crime, até avançarem aos diálogos. Em doses homeopáticas surgiu a contenção intelectual. Não víamos nem pensávamos. Normalizaram-se as práticas, o crime se organizou e se transformou em facções, depois em empresas e corre para fazer se já não faz, parte do próprio estado. Fomos sem perceber vencidos, encurralados e divididos em “nós, eles, e contra eles”. A nossa opinião é aceita, desde que haja respeito pela autoridade. Millor Fernandes nos ensinava: “livre pensar é só pensar”.









