O contraste entre futebol e política – Valdemir Caldas*

Sinceramente, considero um tremendo exagero associar o desempenho da equipe brasileira na Copa do Mundo com a perspectiva de um futuro promissor para a Nação

Valdemir Caldas*

PORTO VELHO – A vitória da Espanha sobre a Argentina espelhou a superioridade técnica de uma seleção sobre sua adversária. Isso não se discute. Reconhecidamente, a equipe espanhola superou-se a si mesmo e ofereceu um espetáculo de dedicação, entusiasmo e habilidade. Por isso, chegou ao resultado que a coloca entre as melhores do mundo.

Quanto à seleção brasileira, ainda é cedo para antecipar todas as consequências do fracasso do nosso time nos gramados norte-americanos. As vitórias alcançadas pelo Brasil não conseguiram convencer os milhões de técnicos espalhados pelos quatro cantos do país e do planeta, porém, quase todos concordam que, salvo uma ou outra exceção, tivemos o que de melhor há jogando em várias partes do mundo, apesar da quase unanimidade quanto às distorções gritantes na escalação.

Atribui-se à equipe técnica a responsabilidade não somente pelos pífios resultados alcançados pelo Brasil, como também o retorno mais cedo para casa, sem troféu nem medalha. Muitos veem a derrota como aprendizado, um puxão de orelhas na prepotência.

Outros acreditam que a conquista da Copa serviria para aumentar as esperanças do povo brasileiro por melhores dias. Sinceramente, considero um tremendo exagero associar o desempenho da equipe brasileira na Copa do Mundo com a perspectiva de um futuro promissor para a Nação. A verdade, contudo, é que o brasileiro se acostumou a transferir aos outros tanto a culpa por seus males quanto as esperanças de viver melhor.

É ilusão pensar que uma possível vitória da seleção brasileira contribuiria de alguma maneira para derrotar o monstro inflacionário que está solto no pasto destruindo empresas e empregos e, consequentemente, levando o consumidor ao desespero.

Ir ao supermercado tem sido um verdadeiro teste para o coração, com a inflação corroendo o orçamento doméstico e o custo dos alimentos nas alturas. Se é verdade, como sustenta o petismo, que a esquerda levou a melhor no campo com a vitória da Espanha; na política, contudo, o cenário é diferente, com o conservadorismo passando o rodo na América do Sul.

Um contraste brutal!

*É servidor público aposentado e abalista político


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