O impacto oculto da onda de assassinatos na vida e destino das crianças órfãs, como as 4 de Karina, executada com requintes de crueldade

Assassino mostrou mensagem e dormiu na casa da mãe da vítima

VILHENA – O principal suspeito da execução com requintes de crueldade e selvageria da auxiliar de cozinha Karina Fernandes da Costa, domingo passado em Vilhena, continua preso. Ele seria namorado atual, de quem Karina tentava se livrar, mas ele não aceitava o fim do relacionamento.

Na esteira da cobertura e acompanhamento dos cotidianos e cada vez mais selvagens casos de violência, a reportagem do jornal Folha do Sul on Line buscou informações sobre o desdobramento das investigações da execução de Karina Fernandes da Costa, cujo corpo foi encontrado em uma rua do bairro Vila Operária, domingo passado, 24, e descobriu que o principal suspeito de matar Karina e que seria namorado atual, de quem ela tentava se livrar, mas ele não aceitava o fim do relacionamento, não foi solto na audiência de custódia.

Ele continua preso preventivamente enquanto a Polícia Civil, que não se manifestou oficialmente sobre as investigações, prossegue na apuração do caso.

Ao procurar com familiares de Karina informações sobre o destino de seus quatro filhos, com idade entre 6 e 13 anos, a reportagem acaba reproduzindo a face oculta da alta criminalidade que impera em todas as áreas urbanas do Brasil e se estende para além da dor da família, da orfandade dos filhos que, se não forem devidamente amparados pela família e acolhidos por boas terapias que devem ou deveriam ser ofertadas pelo serviço público, pode retroalimentar o ciclo de violência.

Leia matéria sobre morte de Karine aqui, no expressaorondonia

Suspeito de matar mulher em Vilhena foi consolar a sogra após o crime e negou; “eu a amava”, disse. Foi preso hoje de manhã

O principal suspeito de assassinar Karina com requintes de crueldade e muita selvageria é um homem com quem ela estava se relacionando, mas queria terminar. As investigações apontem que, pós executar Karina, ele teve a frieza de passar a noite na casa da família da vítima, onde foi confrontado sobre onde estaria ela, negou saber, mas foi desmascarado, confessou a autoria do homicídio e foi preso, na segunda-feira, 25, de manhã.

Antes que sua ação fosse descoberta, o homem que assumiu a autoria da execução mostrou uma mensagem enviada por Karina no celular dele: ela alegava que não queria mais continuar o namoro, porque a relação entre os dois não estava dando certo.

Destino dos filhos de Karina

Por telefone, a reportagem do jornal Folha do Sul on Line entrevistou, na manhã deste domingo, 31, a mãe de Karina e avó das quatro crianças órfãs de mãe separada do pai.

A mãe de Karina conta que as quatro crianças já foram informadas sobre o que aconteceu com ela. “Eles choraram muito e ficaram abalados, pois a convivência com a mãe era muito boa. Eles eram muito carinhosos entre si”, revelou a avó.

A avó contou que, das quatro crianças, apenas a caçula foi deixada com ela. As outras três ficaram com a avó paterna. Karina era auxiliar de cozinha e estava separada do pai das crianças.

Além da ausência da mãe, as crianças vão carregar para sempre os efeitos psicológicos do ‘soco no estômago’ que é receber a notícia de que a mãe foi morta por um homem em circunstâncias e contexto de muita violência. Soma-se ainda a separação de corpos,  adaptação a um lar diferente e outro estilo de vida.

Corpo de Karina com marcas de muita violência no local onde foi encontrado na noite de domingo passado

É uma carga emocional e perdas de proporções exageradas para seres ainda tão novos. Os quatro filhos de Karina têm entre seis e 13 anos.

Investigação

Embora o assassino confesso, que trabalha em uma garagem de compra e venda de veículos, alegar “amar muito” a mulher que matou e que agiu por ciúmes, a Polícia Civil segue mais de uma linha de investigando, até porque Vilhena vive uma fase de avanço da criminalidade, com disputas sangrentas entre facções criminosas.

O homicida foi mantido preso após a audiência de custódia e segue na Cadeia Pública de Vilhena. Ele deverá ser julgado por homicídio qualificado.

www.expressaorondonia.com.br, com reportagem do Folha do Sul on Line


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