
Leio a nota da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) dizendo que “tem mantido o Ministério de Minas e Energia informado de todos os eventos, como também tem interagido com as autoridades de segurança pública.” Diz respeito à derrubada de torres de alta tensão de energia elétrica em regiões do Estado de Rondônia. “Manter informado” é o bastante?
“As empresas estão atuando nas avarias detectadas e os eventos estão sendo monitorados e fiscalizados”. Lembro-me do que já vi anteriormente e só acredito em “flagras”, ou seja: quando criminoso é pego com a boca na botija.”
A Centrais Elétricas do Norte Brasileiro (Eletronorte) poderá ser surpreendida por mais ações semelhantes. Flagrar atentados contra o setor elétrico implica vê-los no ato, assim da maneira como soldados do Batalhão da PM Ambiental demonstram nos confins da floresta em Machadinho d’Oeste, de madrugada.
Em meus seis anos de serviços jornalísticos prestados à Folha de Londrina na fronteira brasileira com o Paraguai e Argentina, vi algumas torres tombadas, retorcidas e derrubadas no meio da roça. Dava dó.
Mas não se tratava da ação de vândalos, nem de loucos ou utópicos e irresponsáveis demolidores de palácios ou torres, como vem ocorrendo em Rondônia. As torres vergavam sob o efeito de ventos, ciclone, a mais de 120 quilômetros por hora nos municípios de Medianeira e Foz do Iguaçu (Estado do Paraná).
Eu assistia cenas assim entre 1991 e 1997, acompanhando técnicos e engenheiros da Furnas Centrais Elétricas e da Itaipu Binacional no esforço pela recuperação que durava até mais de um dia.
Não gosto da triste marca da “casa de mãe joana”, mas Rondônia às vezes me dá a sensação de ter sido abandonada sob a inércia daqueles que deveriam honrar seus habitantes e o alto consumo energético nas regiões sul e sudeste do País. São eles os beneficiados pelos milhões de quilowatts gerados a cada dia nas usinas hidrelétricas em operação no Rio Madeira.
Me entristeço quando veja campanas da Força Nacional aqui dentro, fazendo vistas grossas a notórios grileiros de terras devolutas e assaltantes de antigas AOs (autorizações de ocupação expedidas pelo Incra no século passado).

Em síntese: no lombo dos posseiros, sem terras e camponeses, cacete e baioneta bem encostada, enquanto nas margens plácidas dos grileiros, gentilezas e gentilezas. Não dá.
Essas derrubadas de torres quase não expõem digitais. E assim, tal qual o camelo encontra a tenda aberta e a penetra, lá no mundo árabe, aqui os fatos se repetem bem distantes de Brasília com possibilidade de causar apagões. Alguém está escancarando portas para a derrubada das torres.
Fotos: ANEEL






