ARTUR MORET (*)

O mundo paralelo dos bolsonarista não existiu. Os eventos de 8 de janeiro de 2023 que culminaram em invasão e destruição de bens foram mais que a ocupação dos três poderes da República: no Palácio do Planalto, teve um simbolismo importante. Podemos enumerar eventos que constroem uma cena:

– Uma parte da sociedade brasileira se rebelou e cometeu crimes graves.

– Os crimes cometidos foram de destruição de patrimônio publ.co, invasão de prédio com status de segurança nacional.

–  Uma parte do governo estadual do Dstrito Federal não cumpriu a Lei que lhe cabe fazer a segurança da Praça dos três poderes.

– Uma parte do Exército que estava no Palácio do Planalto não impediu a entrada; o pior é que imagens mostram que pretendiam deixar sair os invasores.

– O setor de inteligência não detectou a movimentação por 6km de uma massa de 3/4 mil pessoas, ou se o fez não repassou para os órgãos de segurança, mas se repassou nenhum dos órgãos nada fez.

– A situação é tão grave que para andar 6km a pé demora em torno de 1h30min, ou seja, um tempo mais do que suficiente para mobilização tropas em BSB.

– Agrega-se os eventos do dia 8/12/23 três outros:uma parcela da população se sublevou contra o resultado da eleição e ocupou quartéis. Explico, se a área é de responsabilidade do quartel, a área é do quartel, sem que o Exército tenha feito algo para acabar com os crimes cometidos contra a democracia.

– Aqueles ocorridos no dia 12/12/22 que também não foram reprimidos pela PM do DF.

– A bomba encontrada num caminhão de combustível que seria explodida no Aeroporto Juscelino Kubitscheck, em Brasília, até o momento não teve esclarecimento a respeito de mandantes.

– Como fechamento da cena foi encontrado na casa do ex-secretário de segurança do DF e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, uma minuta de um documento de Estado de Defesa para intervir no TSE para mudar o resultado da eleição. Quero destacar que este documento mostra e desvenda toda história que fora construída por Bolsonaro, baseado na contraposição ao nosso mundo: mentiras na internet, mentiras sobre o processo eleitoral; “qualquer desobediência contra a democracia não é crime”.

– Mentiras de Bolsonaro representaram o simbolissmo de que algo havia acontecendo para derrubar a democracia, ou seja, tinha mesmo, era verdade, tudo estava sendo construído e executado. Ou seja, esse documento representa que nada do que foi feito, foi crime.

– O que muita gente descreveu – bolsonaristas viviam num mundo paralelo – foi erro crasso, porque os bolsonaristas estavam dentro dos padrões normais de Bolsonaro.

(*) Professor pós-graduado em Física e pró-reitor na UNIR

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