
PORTO VELHO – Em 1984, Rondônia entrava em seu terceiro ano como Estado, a BR-364 estava sendo asfaltada, mas um grande adversário de qualquer empresário tinha um nome, energia elétrica. A geração era toda à diesel, motores em maioria com sérias dificuldades de reposição de peças, às vezes faltava até o diesel, e a revolta da população era muito grande, como foi quando a população de Ji-Paraná fechou a ponte sobre o Rio Machado, mas o grande problema foi quando em protesto contra o não fornecimento de energia “tocou horror” na principal cidade do centro de Rondônia, a 500 KM de Porto Velho: Cacoal, centro econômico e político da região.
Em 1982 começou a construção da hidrelétrica de Samuel a primeira das três construídas em Rondônia e que só seria inaugurada em 1988, mas sem que a força ali produzida chegasse logo na região central do Estado – só em 1994, quando era governador Osvaldo Piana foi implantado um “linhão” de transmissão desde Samuel até Ji-Paraná, mas Cacoal ficou de fora.

Em 2021 o semanário Tribuna de Cacoal passou a ser só digital – Na foto Perin observa o último exemplar impresso
E foram os sucessivos cortes no fornecimento de energia elétrica que geraram a revolta da população de Cacoal, com queima do prédio da geradora de energia, a Ceron, e outros abusos mais, e um deles foi quando o jornalista Adair Perin, diretor do semanário “Tribuna de Cacoal” foi preso sob acusação de incitação à violência.
Perin ficou mais de um dia preso na delegacia, segundo ele soube a mando de um diretor da Ceron chamado Lacerda, sob alegação de que matérias jornalísticas publicadas no hebdomadário da região central do Estado, que o jornalista Carlos Sperança chamava de “zona da mata”, incitou o protesto.

“Do meu depoimento concluíram que o jornal apenas noticiou fatos ocorridos”, lembra sempre Perin, que teve informações de que a ordem de prisão partira mesmo do gabinete do governador Jorge Teixeira, mas isso Perin não conseguiu provar ou provar que não foi.
Lúcio Albuquerque – 69 99910 8325










