Pela crise ou pela dependência química no crack, cresce o número de moradores e pedintes de rua em Porto Velho

PORTO VELHO (16-01) – Nas esquinas, em grande parte dos cruzamentos mais importantes do tráfego urbano de Porto Velho, ou qualquer outro local da capital rondoniense a cena é a mesma, variando apenas de cenário de quem pede: uma pessoa solicitando ajuda, às vezes levando carregada no quadril uma criança, o que caracteriza uma prática mais milenar dos grandes aglomerados humanos.

Em Porto Velho, onde até bem pouco tempo o pedinte era pouco visto, essa prática vem aumentando muito, ao ponto de muitas pessoas, que costumam fazer a doação, começarem a se questionar se estão atendendo ao que diz sua fé ou se estão gerando um tipo de exploração com o aproveitamento do muito dito “coração mole” dos habitantes.

E em Porto Velho ou qualquer outra cidade brasileira de médio porte para cima se torna cada dia mais comum um novo tipo de pedinte: os dependentes químicos do crack, uma droga altamente incapacitante e que em poucos meses transforma um cidadão comum em um ‘lixo humano’, escravo da ‘pedra’.

É comum ouvir-se comentários do tipo “estão nos explorando” ou (até mesmo) que a prática de esmolar está se transformando em “uma espécie de vício” que leva os praticantes a preferirem isso do que procurar um trabalho.

E quando dizem isso lembram um fato importante, com uma pergunta: “por que os haitianos não pedem esmola?” Vindos sabe-se lá em que situação fugindo da violência de grupos paramilitares ou das seguidas vezes em que seu país foi praticamente destruído, inclusive a capital Porto Príncipe, não se vê os haitianos nas ruas de Porto Velho pedindo esmolas.

“Eles são bons de trabalho”, disse um ex-chefe de importante setor da construção da hidrelétrica Santo Antônio, enquanto outra pessoa, da área de logística, disse ter trabalhado com alguns haitianos e que sempre teriam dito que queriam era ser bem reconhecidos.

Um jornalista conta que logo que os haitianos desembarcaram em Porto Velho uma senhora foi contratada para serviços domésticos em sua residência. “Apesar dela não falar português e nós não entendermos seu dialeto, o “criolo”, era facilitado pelo conhecimento de ambos os lados do francês, que é a língua oficial do Haiti. “Ela foi embora quando quis, porque a pessoa com a qual ela vivia a chamou para São Paulo”.

Se de um lado muitos pedem por necessidade, há quem acuse alguns pedintes de até abusarem, e um dos exemplos citados é de uma mulher que “faz ponto” no cruzamento das avenidas Caúla com Rio Madeira. Segundo duas pessoas vizinhas da “pedinte” ela sai de casa andando normalmente, mas a partir de quando chega próximo ao “ponto” começa a usar muletas. Mas há também quem diga que a “pedinte” tenha defeito numa das pernas e faz uso da muleta apenas quando as dores começam a incomodar.

Pelo sim, pelo não, há quem reclame quando entidades, como a prefeitura e a paróquia Sagrada Família atuam juntas durante mais de 18 meses fornecendo almoço diário, inclusive aos domingos e feriados, a cerca de 180 pessoas em situação de rua ou não.

 O ESMOLAR E OS LIVROS SANTOS

O pedido de esmola, e o ato de atender, são tão antigos que chegam a serem tratados por três livros santos das cinco maiores e mais antigas do Mundo, em seus respectivos. No judaísmo,  a questão é vista na Torá (também chamada Bíblia dos judeus); Na Bíblia, dar esmolas é tratada em várias ocasiões e no Alcorão (ou Corão) o livro dos muçulmanos também o ato é tratado.

Para a religião judaica dar esmola ‘tsedaca’ deriva de Justiça” e o faz de quem oferece, estar cumprindo um ato de fazer justiça.

Já para os cristãos, como nas outras duas religiões, é recomendando para que a mão esquerda não saiba o que faz a direita (Mt 6,3). A Bíblia trata em diversas situações, como “Cada um dê como dispôs em seu coração, sem pena nem constrangimento, pois Deus ama a quem dá com alegria” (2Cor 9,7).

“A compreensão cristã de esmola vai muito além do simples ato material de dar algo a um necessitado. Tudo depende da atitude que a reveste. O outro é um irmão, em quem reconheço o rosto interpelante de Jesus (Mt 25,40.45), e a quem me doo, com gratuidade e generosidade, no gesto de partilhar, não apenas o dinheiro, mas o que possuo e o irmão necessita para reconstruir sua dignidade”.

Dar esmolas é o terceiro dos 5 pilares do muçulmano. Embora não definido no Corão, os Muçulmanos acreditam que eles devem compartilhar sua riqueza com aqueles menos favorecidos em sua comunidade de crentes (**).

(*) https://domtotal.com/noticia/1132469/2017/03/esmola-coracao-aberto-para-se-doar/

(**) https://pt.khanacademy.org/humanities/approaches-to-art-history/understanding-religion-art/islam/a/the-five-pillars-of-islam

www.expressaorondonia.com.br



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