O “Negão da Anta” e o diamante de 20 milhões de dólares, encontrada ‘por acaso’ em garimpo da região

Geralmente, os garimpeiros trabalhavam 15 dias seguidos, depois iam para Juína, gastar o pouco que sobrava em festas

JUÍNA (MT) – Nos anos 1980, esta cidade no Norte, o Nortão de Mato Grosso, que faz limite com Rondônia na região de Vilhena, foi palco de uma verdadeira corrida por diamantes. Garimpeiros de todo canto vinham tentar a sorte nas minas da região. Agora, a fantástica história de um diamante avaliado em 20 milhões de dólares, de uma foto nunca antes vista, de um homem que poucos conheciam, e de um dinheiro que até hoje gera especulações, mas cujo verdadeiro destino quase ninguém sabe.

Uma história que virou lenda

Apesar da maioria dos diamantes de Juína serem classificados como industriais – usados principalmente por grandes indústrias, como a aeronáutica – a produtividade do local era altíssima.

Dentre os muitos garimpos, dois se destacavam: o do povoado conhecido como “180” (povoado entre Juína e Vilhena), e o do “Arroz”. O trabalho era pesado, braçal, e nem sempre bem recompensado.

Geralmente, os garimpeiros trabalhavam 15 dias seguidos, depois iam para Juína, gastar o pouco que sobrava em festas. A cidade era cheia de hotéis que hospedavam compradores de diamantes.

Mas uma figura em especial marcou essa época: o “Negão da Anta” – esse era o apelido do garimpeiro calejado, experiente e errante.

Quase sempre de ressaca, fazia ponto na rodoviária. Vivia de “reco”, procurando restos de material já lavrado, na esperança de achar alguma sobra de diamante.

Apaixonado por uma mulher que sequer lhe dava atenção – por conta do seu estado físico e financeiro –, o Negão da Anta parecia condenado à margem da sorte.

Certo dia, ele pediu a um comprador que lhe adiantasse víveres e material para tentar a sorte no garimpo do Arroz.

Era comum os compradores financiarem garimpeiros, ficando com 50% do que fosse encontrado. Mas, se nada achassem, o prejuízo era dos dois.

Quase todos recusaram ajudar o Negão, cansados de prejuízos anteriores.

Mas um, apenas um, decidiu arriscar.

No segundo dia de “reco”, o improvável aconteceu: o Negão da Anta encontrou uma pedra. E não era uma pedra qualquer. Era uma das maiores e mais valiosas já encontradas em Juína! Ele quase desmaiou ao ver a “bitela”.

Abandonou tudo e correu de volta à cidade para procurar o comprador que havia acreditado nele.

O homem, honesto e íntegro, mandou a pedra ser avaliada por especialistas em Bruxelas, na bolsa internacional de diamantes (por fax, como era feito na época).

A avaliação veio: 20 milhões de dólares. Mas havia um problema…

O Negão da Anta não tinha nenhum documento! Sabia apenas o nome da cidade onde nasceu, na Bahia.

Mas, como dinheiro abre portas, em três dias ele já estava documentado, com conta bancária aberta, CPF na mão e tudo regularizado.

Com a parte que lhe coube, ele comprou justamente o hotel onde antes era expulso por falta de pagamento. Comprou também um Santana novinho – carro de luxo na época.

E claro: casou com a mulher dos sonhos, que de repente descobriu que o amor da vida dela sempre foi o Negão da Anta!

O sócio (o comprador) aplicou o restante do dinheiro em gado, com um bom administrador.

A partir daquele dia, o Negão da Anta virou o “Sr. Negão da Anta”.

E essa história só prova uma velha máxima dos garimpeiros: “A sorte não escolhe pessoas… Ela apenas chega. E, naquele dia, ela escolheu o Negão.

Enquanto muitos se negaram a ajudar, um acreditou. E foi esse quem dividiu com ele o brilho da fortuna.

Fonte: Da redação da Página Juína e Região, via Folha do Sul


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