Novo olhar sobre o cotidiano comum – Por: Alice Thomaz

E assim segue este começo de manhã. Um dia que promete muito calor e a esperança de que tudo acabe bem

Alice Thomaz*

FOZ DO IGUAÇU (PR) – O dia amanheceu assim: calmo e tranquilo. Um café da manhã simples, sem muitas iguarias, um pouco mais farto que o café do dia a dia em casa. Do primeiro andar, resolvi observar da janela o movimento da rua em torno das sete horas. Nada demais. Um movimento leve no vai e vem, homens de cabelos brancos entrando em uma casa lotérica. Creio que para retirar o benefício previdenciário ou pagar contas de casa.

Geralmente os idosos aprovam o ir e vir das casas lotéricas. Local onde conhecem, senão todos, quase todos que trabalham ou circulam.

Falam sobre o que esperam do dia e atualizam a conversa.

Mas, voltemos ao movimento da avenida Brasil, não aquela artéria movimentada e tumultuado do Rio de Janeiro, onde vez por outra acontecem arrastões, mas a daqui, de Foz do Iguaçu, onde estou hospedada desde ontem.

Paro para observar o movimento dos garis. Eles estão limpando a calçada, retirando as folhas das várias árvores do pequeno trecho próximo à avenida República Argentina. Penso eu que seja uma das principais do Centro de Foz.

A princípio, avisto um único profissional. Ele não usa uma vassoura, mas faz o seu trabalho operando um soprador de folhas. Operando com rapidez, ele logo faz um montouro de folhas.

Daqui a pouco aparece outro profissional, desta vez ele traz uma arma mais tradicional: um vassourão. Limpa aqui e ali.

É o novo e o tradicional.

Voltando um pouco o olhar, eis que avisto o membro da equipe responsável por recolher o lixo e com seu carrinho de duas rodas ele faz isso como se cantarolasse uma curta canção. Claro que não ouço, mas imagino pelos seus movimentos.

Um quarto personagem entra em ação.

Talvez já estivesse ali há algum tempo, mas só agora meu campo de visão a alcança. Sim, agora temos uma dona, como se diria em italiano, uma mulher. Ela se encarrega de esvaziar as lixeiras e por um novo saco de lixo no lugar.

Uma tarefa simples, mas que a obriga a um contato mais direto com os detritos. Nas suas mãos, espero que tenha uma luva como EPI. De longe não consigo distinguir.

E assim segue este começo de manhã. Um dia que promete muito calor e a esperança de que tudo acabe bem.

Que os trabalhadores possam retornar para os seus lares certos do dever cumprido para a cidade e os idosos esperançosos por uma nova manhã, com a doçura ou dureza da rotina cotidiana, mas com a oportunidade de um novo e agradável dia de existência.

*A articulista é jornalista 
Fotos: Alice Thomaz


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