PORTO VELHO – A aparência de homem bom, trabalhador e esposo exemplar ostentada por um homem condenado a 27 anos de cadeia – sentença confirmada pela segunda instância da Justiça de Rondônia – escondia, na verdade, um predador sexual de crianças. E da própria família. Ele atacou primeiro uma sobrinha por afinidade (ela morava com a mãe das vítimas) de 11 anos e depois uma criancinha de somente quatro anos.

Testemunhas ouvidas em juízo afirmaram que ficaram surpresas e assustadas com o caso, posto que o acusado era conhecido aparentemente como um bom homem, trabalhador e bom esposo.

Apesar da gravidade do crime cometido pelo acusado e o fato dele já está sentenciado, a Justiça não divulgou o nome, certamente cumprindo a legislação.

Agora, a 1ª câmara criminal do Tribunal de Justiça de Rondônia manteve a condenação dele pelo crime de estupro de vulnerável contra duas sobrinhas. Ele responde a dois processos e, em ambos, foi condenado a penas de 13 anos e 6 meses de reclusão. Somadas as penas, o réu foi condenado a 27 anos de reclusão em regime fechado. O acusado está provisoriamente preso e permanecerá em virtude da necessidade de se garantir a ordem pública.

Ele era considerado tio das vítimas, já que era casado com a tia das crianças e se aproveitou da proximidade e afetividade familiar.

Primeira denúncia

Segundo consta no processo, no início do mês de abril de 2019, o acusado abusou sexualmente da sobrinha mais nova, com somente quatro anos. Ele teria introduzido o dedo e pênis na vagina da criança.

O crime foi descoberto, a partir do momento em que a mãe começou a desconfiar quando notou que sua filha estava com alteração de comportamento, mais fechada. A criança passou a reclamar de dor nas partes íntimas e na barriga e não queria que a mãe desse banho, nem que passasse a mão nas suas partes íntimas.

Então, a mãe começou a conversar com a filha todos os dias, e, certa vez, a menina decidiu contar o que havia acontecido. A criança explicou que o tio havia “mexido” com ela e contou os detalhes do abuso.

A mãe então levou a menina para o hospital e o médico confirmou que o estupro realmente havia sido consumado. O laudo do exame de práticas libidinosas concluiu que havia vestígios de atos libidinosos e que houve conjunção carnal. A mãe contou que  o relacionamento com o acusado era bom, ele vivia em sua casa, brincava com as meninas e ela nunca desconfiou de nada.

Segunda vítima

Após a notícia de que o tio havia sido preso por abusar sexualmente da sobrinha, outra mãe, cunhada do acusado, buscou se informar para saber se sua filha também tinha sido abusada. Ao conversar com a filha, perguntando se havia acontecido alguma coisa, a menina, de 11 anos, sempre negava. A mãe, então, brincou de “polícia e bandido” com a filha e sobrinha, para tentar saber mais detalhes. Em determinado momento, sua filha começou a chorar e informou que o tio havia feito com ela o mesmo que fez com a sua prima (numa referência aos abusos sexuais). A menina disse que nunca falou sobre os abusos porque tinha medo de que não acreditassem.

Imagem meramente ilustrativa – Internet/Google

Em depoimento especial colhido em juízo, ela afirmou que seu tio também havia abusado dela. Relatou que quando tinha 5 anos, sua tia saiu para a casa de uma amiga ‘e o tio grudou no seu braço, levou para o quarto dele, quando então tirou sua roupa e começou os abusos’. O laudo pericial confirmou que a vítima, de apenas 10 anos à época do exame, possuía hímen rompido.

A defesa do acusado solicitou a absolvição, porém os desembargadores mantiveram a pena de 27 anos de prisão, uma vez que as provas no processo, a palavra das vítimas e das testemunhas constituem base suficiente para a manutenção da condenação do acusado nas penas do crime de estupro de vulnerável.

Participaram da sessão os desembargadores Osny Claro de Oliveira Junior (presidente), Valdeci Castellar Citon e Jorge Luiz dos Santos Leal.

Fonte: Assessoria de Comunicação Institucional TJRO

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