MP pede 380 anos de cadeia para 34 mandantes e executores da onda de incêndio a ônibus em Rondônia

Com o oferecimento da denúncia, cabe, agora, ao Poder Judiciário decidir sobre o recebimento da acusação e o prosseguimento da ação penal, para manter gente perigosa longe do convívio com a sociedade

PORTO VELHO – Os mandantes e executores da onda de atentados e incêndios a ônibus, com toque de recolher para o transporte coletivo, imposto pelos criminosos do ‘comando vermelho’, entre os dias 11 e 17 de janeiro deste ano, foram denunciados à Justiça nesta segunda-feira, 15. A ação contra o bando, um calhamaço de 170 páginas, desnuda a função de cada um dos acusados, individualiza suas condutas e pede a manutenção dos que já estão recolhido e as dos que eventualmente estejam em liberdade. 

O Ministério Público imputa aos denunciados a prática dos crimes de organização criminosa armada com participação de adolescentes, incêndio, explosão e dano qualificado.

Ônibus estavam na garagem quando foram incendiados — Foto: Remidiu Monai/Arquivo pessoal

No total, as penas para os crimes imputados aos líderes da facção que comandaram as ações podem superar 380 anos de reclusão.

Conforme apurado em inquérito policial, entre os dias 11 e 17 de janeiro de 2025, a facção desencadeou uma série de atentados violentos como represália à morte de um integrante em confronto com a Polícia Militar e como forma de evitar a ocupação do Condomínio Orgulho do Madeira, na Capital Porto Velho, pelas forças de segurança pública.

A denúncia do parquet oferecida à justiça na segunda-feira, responsabilizando mandantes e executores dos atos de violência que abalaram a paz social de algumas cidades de Rondônia durante uma semana, em janeiro deste ano, é resultado do árduo trabalho dos grupos de atuação especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do núcleo de enfrentamento aos Crimes Cometidos por Facções Criminosas (Nufac), no desdobramento da operação ‘Escudo de Rondônia’.

A investigação conduzida pela delegacia especializada na Repressão a Extorsões, Roubos e Furtos (DERF), com apoio da Força-Tarefa Integrada de Combate ao Crime Organizado (FTICCO-RO), descobriu que os denunciados integram a organização criminosa ‘comando vermelho’ (CV), estruturada em Rondônia com divisão hierárquica de funções e ramificação em diversos municípios do estado.

Imagem gerada por IA

Entre as ações atribuídas ao grupo estão homicídios de agentes públicos, ataques incendiários e explosivos contra prédios e veículos públicos e privados, depredações, ameaças à população civil, imposição de “toques de recolher” e interrupção de serviços essenciais, a exemplo do transporte coletivo e das atividades escolares.

As ordens para os ataques partiram da cúpula da facção, incluindo membros recolhidos em unidades prisionais. Um dos líderes da facção, apontado como o principal mandante e articulador das práticas criminosas, foi incluído no Sistema Penitenciário Federal (SPF) no decorrer das investigações.

A denúncia, com mais de 170 (cento e setenta) páginas, detalha a estrutura da organização criminosa, que contava com núcleos de comando, planejamento e execução, responsáveis pela articulação e pela prática dos delitos em várias cidades rondonienses.

Ataques com incêndios a ônibus, em Porto Velho, na terça-feira, 14 de janeiro deste ano • Reprodução

Parte dos investigados está presa preventivamente e o MPRO requereu a manutenção das custódias em razão da gravidade dos fatos e do risco de novas investidas criminosas.

Com o oferecimento da denúncia, caberá ao Poder Judiciário decidir sobre o recebimento da acusação e o prosseguimento da ação penal, bem como sobre a manutenção das prisões dos acusados, conforme postulação o Ministério Público.

A instrução processual será acompanhada pelo Gaeco.

www.expressãorondonia.com.br, com informações da gerência de Comunicação Institucional - GCI-MPRO


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