
PORTO VELHO – Com música específica do compositor e cantor Zé Catraca, produção e direção do editor Kerdy Luiz, um vídeo-clip contando e mostrando a viagem no trem da Madeira-Mamoré, foi apresentado no programa Léo Ladeia, na Rede TV, canal 17, às 20h30 desta sexta-feira, para homenagear os ferroviários cuja data maior aconteceu ontem, sexta-feira, 30 de abril.
A música é “Balanço do Trem” e a letra fala de “como era gostoso passear no trem”, lembrando da paradas na várias estações, onde vendedores entravam nos vagões oferecendo guloseimas típicas, “comendo tapioca croquete e café quentinho”, “almoçando angu”.
A composição feita por Zé Catraca lembra as paradas em Jaci e Mutum-Paraná, o pernoite em Abunã, onde o trem saído de Porto Velho sempre estacionava, para esperar o dia seguinte chegar para recomeçar a viagem. Rememora as estações da Vila Murtinho, que com a abertura da rodovia BR-425 praticamente deixou de existir dando lugar à cidade de Nova Mamoré.
Veja a íntegra do clip da música de Sílvio Santos, produzido pelo editor Kerdi Luiz:
Aí era a vez do trem fazer a parada da Vila do Iata – onde um trem sempre às sextas-feiras passava no final da semana para os colonos levar seus produtos a Guajará-Mirim e, no meio da semana uma composição trazia a produção também para Porto Velho. Depois da Vila do Iata, era a vez de acabar a viagem, estacionando em Guajará-Mirim para, em outro dia, fazer o retorno a Porto Velho.
RAZÃO DA DATA
O dia 30 de abril é consagrado ao ferroviário, o trabalhador das estradas de ferro, porque foi num 30 de abril, mas, em 1854, a inauguração da primeira linha ferroviária do Brasil, numa viagem que contou com a ilustre presença do imperador dom Pedro 2º e da imperatriz Tereza Cristina.
Inaugurava-se a Estrada de Ferro Petrópolis, que tinha cerca de 14km de trilhos, ligando a cidade do Rio de Janeiro a à localidade de Raiz da Serra, na direção da cidade que batizou a ferrovia. Ela foi um empreendimento do empresário Irineu Evangelista de Sousa, que por isso recebeu do governo imperial o título de barão de Mauá.
EM RONDÔNIA
O papel do ferroviário no que hoje é Rondônia começa efetivamente em 1912 quando a Madeira-Mamoré foi inaugurada, funcionado até 1972, quando foi extinta. Há muitas histórias que velhos ferroviários, esses bem mais jovens, talvez até netos, dos primeiros que inauguraram a ferrovia, mas é inegável sua contribuição para que Porto Velho se estabelecesse como uma cidade que, mais tarde, seria capital do Território e do Estado.
Um fato, no entanto, passou bem longe da narrativa histórica, mas era lembrado sempre por dois historiadores, Esron Menezes e Abnael Machado. No caso, quando o consórcio que detinha a concessão da ferrovia decidiu, em 1931, suspender as viagens durante uma semana, mas na noite do sexto dia resolveu fazer o trem circular e mandou preparar tudo para sair 5h30 da manhã.
A história chegou ao capitão Aluízio Ferreira que teria chamado alguns de seus auxiliares mais diretos para que fossem, fingindo tumultuar na estação do trem, com os dois, bêbados, desafiando o maquinista.
A coisa tomou vulto e apareceu a polícia, levando todos os envolvidos, incluído o maquinista, para a delegacia e esperar o delegado. Só que o delegado passou o dia desaparecido, só retornando depois das 17 horas e aí o trem não saiu e os concessionários foram embora.
Como um delegado poderia sumir numa cidade tão pequena em que todos sabiam quem era quem e quem estava em que lugar? O terceiro a confirmar isso foi outra fonte, o cantor Walter Bártolo, que garantia ter ouvido o fato do próprio maquinista.
As narrativas, como as lendas em torno da construção da EFMM, e sua vida ativa, são muitas. Mas a homenagem de um dia dedicado exclusivamente a essa categoria profissional é mais que justa, e o vídeo-clip produzido pelo Kerdy, com adaptação de imagens à poesia de Zé Catraca é como se fosse um apelo: não esqueçam dos que primeiro chegaram aqui, o que, lamentavelmente, fazem autoridades da área da cultura.
*É repórter









