PORTO VELHO – O sonho tecnológico de todo professor e de toda escola pode estar muito perto de acontecer. A compra de um tablet para cada aluno e professor da imensa rede publica brasileira de ensino, que padece com todos os tipos de ausências e deficiências. Só que este sonho tecnológico que está em consulta pública antes de decidir pela aquisição dos equipamentos não vai beneficiar escolas nem alunos ou professores, mas os presos das penitenciárias federais, onde deve ou deveria ser um regime severo de isolamento e rígida disciplina.
A denúncia é do sindicato dos agentes penitenciários federais, veiculada inicialmente no jornal rondoniaovivo.com publicada no final da tarde desta sexta-feira e atualizada na manhã deste sábado, em que a categoria dos policiais penais federais se manifestam contra a medida antes de serem resolvidos outras deficiências no sistema penal federal para, inclusive, garantir mais segurança aos servidores destas penitenciárias.

O sistema prisional federal brasileiro parece viver uma realidade bem distante da que é possível constatar nas casas de detenção espalhadas por todo o país, onde a superlotação, falta de efetivo e precariedade estrutural acabam facilitando fuga se tornando esses ambientes propícios para fugas e rebeliões.
Dessa vez, uma proposta que já seguiu para a criação de um grupo de trabalho tem como medida a compra de tablets para estudo por parte dos presos que cumprem pena dentro das penitenciárias federais.
Essa mesma proposta já havia sido pautada no ano de 2020, durante a pandemia de covid-19, onde 600 tablets foram adquiridos pelo Governo para os presos se comunicarem com os seus familiares.
Em Rondônia, o sindicato que representa os policiais penais federais locais repudia a possibilidade de os presos utilizarem essa ferramenta tecnológica, que, de acordo com a entidade, representa uma quebra da lógica do isolamento rigoroso e da disciplina estabelecida, além de trazer imenso risco de comunicação clandestina, expondo inclusive a vida dos servidores.
“O sindicato ressalta que o Sistema Penitenciário Federal sofre com a ausência de câmeras modernas, carência de equipamentos tecnológicos e deficiências na estrutura de monitoramento e acompanhamento das rotinas dos internos.
Nesse cenário, torna-se evidente que é muito mais viável e urgente investir na segurança institucional e penitenciária do que disponibilizar tablets a presos”, destacou o sindicato em Nota Oficial.
A unidade penitenciária federal de Porto Velho é o endereço de perigosos líderes de cartéis de droga no Brasil. Criminosos como Fernandinho Beira-Mar, Marcola, Marcinho VP, entre outros, cumprem ou já passaram temporadas por aqui.

Os presos federais cumprem regime diferenciado de custódia e frequentemente são beneficiados com oportunidades de cursos de formação superior, tratamento odontológico, biblioteca, entre outros.
A compra dos tablets segue em análise pelo Governo Federal.
Nota da Senappen
Na manhã deste sábado, 2, a assessoria do Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) enviou nota contestando as informações do Sindicato alegando que as finalidades não correspondem ao que foi divulgado.
Veja a nota:
A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) esclarece que as informações divulgadas na matéria intitulada “Regalia na prisão: Policiais penais rondonienses repudiam compra de tablets para detentos”, publicada no dia 31 de julho de 2025, não refletem corretamente os objetivos e a natureza do projeto mencionado.
O projeto em questão não trata da entrega de tablets como benefício pessoal a pessoas privadas de liberdade, mas sim de uma iniciativa de modernização da gestão prisional, voltada à digitalização de procedimentos internos que hoje são realizados em papel.
A proposta visa a implantação de um sistema digital seguro e controlado, para otimizar atividades.
O objetivo central é justamente aprimorar os mecanismos de controle sobre as pessoas privadas de liberdade e, ao mesmo tempo, conferir maior efetividade ao trabalho dos Policiais Penais, Especialistas e Técnicos, migrando progressivamente dos esforços operacionais manuais para ações de caráter mais estratégico e intelectual.
Entre os benefícios esperados com a implementação do sistema, destacam-se:
- Diminuição da circulação de pessoas nas áreas de segurança máxima;
- Vistorias de celas mais eficientes e rápidas;
- Substituição de procedimentos manuais e em papel por soluções digitais;
- Redução do número de servidores em atividades burocráticas;
- Maior oferta assistencial com uso racional de recursos humanos;
- Acompanhamento em tempo real das atividades e solicitações realizadas.
O projeto encontra-se atualmente em fase de estudo de viabilidade, com consultas em andamento junto aos servidores das unidades prisionais, conduzidas por equipe técnica da Senappen. A construção é coletiva e orientada pela realidade concreta das rotinas e desafios da execução penal.
A Senappen reafirma seu compromisso com uma política penal eficiente, transparente e legal, baseada na valorização dos servidores, no fortalecimento da Polícia Penal Federal e na promoção da segurança pública em todo o país.
www.expressaorondnia.com.br, com informações e textos do rondoniaovivo.com









