Promotoria apura recebimento indevido diárias pelo vice-presidente da Câmara de Vereadores de Jaru

Este www.expressaorondonia.com.br está à disposição do vereador Schimiti para publicar sua versão dos fatos, já que presamos pelo devido processo legal, com a presunção de inocência e o sagrado direito de defesa

JARU – A Promotoria de Justiça desta cidade está dando um exemplo de fiscalização dos gastos públicos na Câmara de Vereadores do município que deveria servir de exemplo para melhor controle da verba pública nas casas legislativas, onde algumas práticas levantam suspeitas e desconfiança. Será que os vereadores de de Porto Velho – só para citar um exemplo – que são candidatos a deputado estadual e percorrem outros municípios no mesmo carro disponibilizado pala Câmara pagam o seu próprio combustível ou usam a cota para fazer o trabalho rotineiro em sua jurisdição?

Em Jaru, a Promotoria de Justiça acaba de ajuizar uma ação cautelar preparatória de ação civil pública por improbidade administrativa, com pedido de tutela de urgência, contra o vereador Sílvio Aquerley da Silva (Schimiti Patroleiro), vice-presidente da Câmara de Jaru,

Segundo o MP, há indícios de que o vereador recebeu R$ 3.280 em diárias para participar de um curso em Porto Velho entre os dias 7 e 10 de julho de 2026, mas não teria participado regularmente do evento.

Na ação, o promotor sustenta que, diante dos fatos apurados, existe risco de destruição ou manipulação de provas, motivo pelo qual pede medidas cautelares antes mesmo da ação principal.

Como começou a investigação

A investigação teve início após uma denúncia informando que o vereador teria recebido diárias sem comparecer ao curso. A denúncia também afirmava que outro vereador poderia estar assinando listas de presença em seu lugar.

Inicialmente o MP tratou a denúncia com cautela e resolveu verificar tudo pessoalmente.

Diligência em Porto Velho

No dia 9 de julho, um oficial do Ministério Público foi até o Hotel Golden Plaza, onde ocorria o curso  e constatou que:

* o curso realmente estava acontecendo;
* a professora entregou as listas de presença;
* Schimiti não estava presente;
* Marcos Machado também ainda não havia assinado a lista
naquele momento.

O oficial permaneceu fiscalizando o evento até aproximadamente 12h49 e durante todo esse período, o vereador Schimiti não apareceu. O que aconteceu com a lista de presença é um dos principais pontos da ação.

Segundo o MP, no primeiro momento:

* não havia assinatura de Schimiti;
* não havia assinatura de Marcos Machado.

Quando o curso terminou e a professora voltou a mostrar a lista. As duas assinaturas apareceram.

O MP entende que isso pode indicar adulteração posterior da lista. O documento deixa claro que ainda não existe perícia grafotécnica.

Entretanto, afirma que a sequência dos fatos gera forte suspeita.

O que disseram os vereadores

O promotor ouviu diversos vereadores presentes e o vereador Francisco Hildemburg disse que participou de todos os dias. Que estava hospedado com outros vereadores e não viu Schimiti no hotel, assim como não o viu no curso.

Já o vereador Orlando Costa também afirmou que participou normalmente
do curso. Enquanto Josemar Figueira confirmou presença durante todos os dias e Celiandro Ribeiro disse que estava hospedado em outro local, mas também declarou que não viu Schimiti durante o curso.

Marcos Machado foi o único que apresentou versão diferente. Segundo Marcos, que estaria hospedado com Schimiti, ele teria ido ao curso e teria saído apenas para comprar remédio de pressão.

O Ministério Público diz que essa versão é incompatível com o restante das provas.

Diligência da Polícia Civil

A pedido do MP, policiais civis realizavam diligências em Jaru e Porto Velho.

Segundo o relatório da investigação, Schimiti foi localizado em Jaru. A investigação relata que:
* policiais fizeram campana;
* conversaram com o sogro;
* receberam informação de que ele havia levado a esposa para
procedimento médico em Ariquemes;
* depois o localizaram na residência da sogra;
* posteriormente ele foi visto entrando em sua própria casa.

Segundo o MP, isso demonstra incompatibilidade entre estar em Porto Velho e em Jaru praticamente no mesmo período, sem ter recebido de Deus o poder da onipresença.

Veículo

O MP ainda verificou o estacionamento do hotel. A caminhonete que supostamente seria utilizada por Schimiti não foi encontrada.

Foi localizada apenas a Hilux utilizada por outros vereadores.

Informações recebidas posteriormente

Depois da diligência, o Ministério Público afirma ter recebido áudios, mensagens, e informações de fonte protegida. Segundo o documento, essas informações indicavam que Schimiti:

* apresentaria atestado médico;
* justificaria ausência dizendo que acompanhava a esposa;
* poderia devolver as diárias;
* poderia comparecer apenas no último dia do curso.

O MP entende que isso demonstra tentativa de construir justificativas após o início da investigação.

Falhas encontradas na Câmara

Em diligência na Câmara de jaru, O MP afirma que a Câmara informou que não controla presença diária dos vereadores; não controla viagens; não controla frequência e não sabia confirmar se Schimiti realmente estava em Porto Velho.

Segundo o próprio Legislativo, a confirmação da viagem dependeria apenas da prestação de contas feita posteriormente pelo vereador.

MP pediu o afastamento

O promotor afirma que Schimiti é vice-presidente da Câmara e nessa função ele poderia:

* influenciar servidores;
* interferir em documentos;
* participar da análise da própria prestação de contas;
* ter acesso a testemunhas.

Por isso pediu seu afastamento cautelar.

O que o Ministério Público requereu

* afastamento do mandato por 30 dias;
* afastamento da vice-presidência;
* proibição de entrar na Câmara;
* proibição de contato com vereadores e servidores envolvidos;
* multa de R$ 5 mil por dia em caso de descumprimento;
* bloqueio de bens.

O próprio documento deixa claro que:

* ainda não houve perícia nas assinaturas;
* ainda será proposta a ação principal de improbidade;
* outras provas ainda serão produzidas;
* a Justiça ainda decidirá sobre os pedidos.

A ação do Ministério Público apresenta indícios e requer cautelares, mas não representa uma condenação. O vereador continua tendo direito ao contraditório, a ampla defesa e à presunção de inocência até decisão definitiva da Justiça.

Este www.expressaorondonia.com.br está à disposição do vereador Schimiti para publicar sua versão dos fatos, já que presamos pelo devido processo legal, com a presunção de inocência e o sagrado direito de defesa.

Fonte: Ministério Publico de Rondônia e Jornal de Jaru


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