
BRASÍLIA – A indústria brasileira está mais pessimista com os rumos da economia, pressionada pelo aumento das dúvidas e inseguranças da economia global. É o que mostra o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que caiu 2,3 pontos em julho, chegando a 44,4 pontos.
Atualmente, o indicador está 8,9 pontos abaixo da sua média histórica, que é de 53,3 pontos.
O ICEI funciona como um termômetro para medir o humor de quem comanda as fábricas no país. Quando o índice cai, pode significar que o empresário está pisando no freio, o que costuma travar novos investimentos e contratações.
Divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), este é o menor nível de confiança do setor desde junho de 2020, quando o indicador havia despencado para 41,2 pontos devido aos impactos iniciais da pandemia de covid-19.

CNI
O número final do índice é composto por duas avaliações: momento atual – mede como os empresários avaliam a situação da economia brasileira e da própria empresa em relação aos últimos seis meses.
Expectativas: mede o que os empresários esperam para a economia e para a empresa nos próximos seis meses.
As respostas são transformadas em uma pontuação que vai de 0 a 100:
Acima de 50 pontos: confiança.
Abaixo de 50 pontos: falta de confiança.
A avaliação sobre a própria empresa tem peso maior do que a da economia em cada componente e as expectativas têm peso maior do que a avaliação do momento atual.
O que está por trás do pessimismo da indústria?
Na avaliação da CNI, a piora na confiança foi impulsionada pela percepção mais negativa sobre a economia brasileira, pelo aumento das incertezas no cenário internacional e pelo enfraquecimento das expectativas para as próprias empresas.
“O cenário se deve, possivelmente, ao aumento das incertezas do cenário externo, tanto o acirramento da guerra no Oriente Médio como também a eventual retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros”, explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Em julho de 2026, o Índice de Condições Atuais caiu para 41,6 pontos, 0,7 ponto abaixo do mês anterior.
O resultado foi puxado principalmente pela piora na percepção sobre a economia brasileira, cujo indicador recuou de 36 para 34,7 pontos. Já o índice que mede a avaliação sobre as próprias empresas caiu de 45,4 para 45,1 pontos.

Preocupação com o futuro
O levantamento da CNI mostra uma forte queda no otimismo da indústria em relação aos próximos seis meses.
O indicador que mede as expectativas para o futuro despencou 3,1 pontos e fechou em 45,8 pontos, registrando a maior queda para um único mês desde novembro de 2022.
O resultado foi puxado principalmente pela piora nas expectativas para a economia brasileira, cujo indicador recuou de 41 para 37,2 pontos.
Já o índice de expectativas para as próprias empresas caiu de 52,8 para 50,1 pontos, praticamente eliminando o otimismo registrado nos meses anteriores e deixando o indicador no limite da neutralidade.
Por: Por Ismael Jales, g1 — São Paulo Fonte: G1









