Júlio Olivar e o desafio temporal para escrever ‘O Tabelião e o Ministro’

Segundo narra no livro, foi o tabelião que recebeu os primeiros engenheiros que vieram para pesquisar a viabilidade da construção estrada de ferro, em 1900

PORTO VELHO – O escritor imortal da Academia Rondoniense de Artes e Letras, Júlio Olivar, afirma, em entrevista ao editor deste www.expressaorondonia.com.br, jornalista Carlos Araújo, que escrever o Tabelião e o Ministro foi uma satisfação, mas também um desafio, dado o exíguo tempo para concluir o trabalho com 80 páginas e a dificuldade em localizar informações a respeito do tema.

Mas do que exatamente trata essa obra? Olivar revela que o livro trata da saga da família Coelho na região de Porto Velho, que embora muito arraigada na história basilar da formação da cidade é pouco conhecida, pouco falada. O tabelião a que o livro remete é Francisco Plínio Coelho, que foi tabelião em Humaitá, antes da existir Porto Velho.

Segundo narra no livro, foi ele que recebeu os primeiros engenheiros que vieram para pesquisar a viabilidade da construção estrada de ferro, em 1900.

A obra começou efetivamente em 1907, “mas antes disso já havia aqui uma movimentação de engenheiros e de pesquisadores a serviço do governo Afonso Pena. E ele – o tabelião – foi testemunho ocular desta fase. Ele foi muito mais do um tabelião, de acordo com os registros da história territorial dessa região”.

Segundo escreve Olivar no livro, ele escrevia em artigos publicados no jornal de Humaitá, posteriormente reproduzidos também pelo jornal Alto Madeira. “Então, é uma figura bastante interessante e um testemunho que teve, inclusive, um filho dele que era homônimo, o Francisco Filho, que foi prefeito de Porto Velho entre 1932 e 1933. E foi o único prefeito que morreu no cargo.

Ele está sepultado no Cemitério dos Inocentes, no centro da Capital, “ou seja, essa figura faz parte da história da formação de Porto Velho, testemunharam a obra definitiva da estrada de ferro Madeira Mamoré. Então, tem uma importância contextual interessante.

Raul é sobrinho do ex-prefeito de Porto Velho. A mãe dele que faleceu neste ano, no Ceará, era irmã de Francisco Filho, ex-prefeito de Porto Velho, portanto neta de Francisco Coelho, pai de importantes figuras da política amazonense.

Plínio Coelho foi governador do estado do Amazonas, por duas ocasiões e foi cassado pelo regime militar. Logo, está vinculado por poder da sua genealogia, ele era neto do Francisco Coelho, sobrinho do Plínio Coelho, “então ele está enfronhado nessa questão genealógica e ligado diretamente aos coelhos que fizeram essa história na Amazônia.

Este é um evento muito interessante porque acontece em local icônico da história de Rondônia, o Museu da Estrada de Ferro, e com a presença de um ministro do STJ. “É um momento magno, para mim, assim como autor, modesto, autor do interior, lá de Vilhena, e estar aqui nesse espaço, assim, que, como você disse, é icônico, está na raiz da formação, justifica a existência de Porto Velho, que até então era um território que era parte do município de Humaitá, no sul do Amazonas, e que se tornou um município por causa da Estrada de Ferro”, conclui Júlio Olivar.

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