Por: Montezuma Cruz
PORTO VELHO – A história da integração entre o Centro-Oeste e a Amazônia Ocidental Brasileira agora está oficialmente contada pelo coronel Carlos Alberto Camargo Lima, que lançará nesta quarta-feira, às 18h, no Solar dos Pioneiros, o livro “Os 60 anos do 5° BEC, impresso em Brasília.
O aniversário de seis décadas do 5° Batalhão de Engenharia de Construção será comemorado às 19h do próximo dia 31, em solenidade presidida por seu comandante, coronel Jonas Santos Silva Júnior.

Ele reunirá oficiais e autoridades para relembrar a façanha da tropa de engenharia na abertura e conservação de estradas.
A obra, considerada pela Biblioteca do Exército Brasileiro, a mais completa a respeito dos aspectos rodoviários da região, detalha o esforço incomum de soldados que rasgaram a floresta e pilotaram máquinas gigantes, a maioria delas procedente do Rio de Janeiro, depois, de Cuiabá.
Conforme reportagens jornalísticas nos anos 1975 a 1978, soldados do BEC se dedicaram à manutenção do tráfego na BR-364, o que implicava diretamente desatolar caminhões pesados e ônibus durante o período de chuvas constantes – o chamado ‘inverno amazônico”.

O escritor Aleks Palitot lembra que na metade do século XX as pessoas clamavam por melhorias, sobrevivendo ao isolamento rodoviário.
“Abrir estradas na Amazônia ainda era precário e deficitário, e o 5° BEC veio para ser ator de uma nova empreitada na região”, comentou Palitot em texto referente à História Regional.
Citou a BR-364 (Cuiabá-Porto Velho-Rio Branco-Cruzeiro do Sul (como o principal tronco a desafiar batalhões rodoviários.
“Rondônia muito se beneficiou com o projeto da BR-364, e toda Amazônia também. A rodovia foi o estopim que deflagrou a corrida para as terras de Rondônia, favorecendo grandemente o fornecimento dos gêneros de primeira necessidade, aumentando o fluxo migratório em busca das lavras de cassiterita (minério de estanho), e mais tarde, das terras utilizadas para agricultura projetos de colonização do INCRA”.
Segundo lembra Palitot, a BR-364 (nascida BR-029) consolidou-se em 1966, quando ligou Cuiabá a Porto Velho, graças ao trabalho do 5° BEC, e aqui, ela interligou-se à BR-319, que liga a Capital rondoniense a Manaus (AM).
O comandante do 5° BEC, coronel Jonas Júnior, espera que o livro escrito pelo coronel Carlos Alberto transmita à população, Universidades e a órgãos públicos a epopeia dessa Unidade Militar no seu longo período de atuação em obras de infraestrutura e apoio a comunidades amazônicas ocidentais.
O livro traz a marca do trabalho pioneiro do coronel Carlos Aloysio Weber, que foi o responsável pelos trabalhos durante os primeiros cinco anos, quando Porto Velho recebeu visitas de autoridades federais importantes, incluindo a dos presidentes Humberto de Alencar Castelo Branco, Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel.
O 5° BEC foi criado por decreto governamental de Castelo Branco, em 30 de julho de 1965.
Além da extinta Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a história do 5° BEC se confunde com o desenvolvimento da Capital e do Estado de Rondônia.

Com larga experiência e projetos rodoviários econômicos, até hoje o 5° BEC se destaca por sua sua atuação em ações sociais e de apoio à comunidade.
Se ontem, seus soldados deram tudo de si em acampamentos rodoviários no extinto território federal e no estado, hoje é bem-vista e expressiva suas campanhas de doação de sangue promovidas pela Fhemeron, das quais militares do batalhão participam ativamente.
É a reafirmação do papel dessa Unidade Militar como força de engenharia e apoio ao desenvolvimento local.
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