COSTA MARQUES – Um grande encontro com indígenas, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas movimentou o município de Costa Marques entre os dias 19 e 21, no IV encontro da rede dos povos e comunidades tradicionais de Rondônia, na Comunidade Quilombola do Forte Príncipe da Beira, às margens do rio Guaporé. O tema deste encontro foi ‘território e educação’: O grito de todos os povos! E é parte da rede de resistência e luta que brotou em 2017.
Em Rondônia, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, das nove comunidades quilombolas do estado, apenas duas foram regularizadas.

Foram três dias de muito diálogo e articulação, de ações permanentes para garantir direitos básicos e a demarcação de seus territórios.
No primeiro dia do encontro, a mística de abertura foi uma caminhada por locais de sofrimento dos povos escravizados na construção da fortificação militar erguida há 248 anos para estabelecer o domínio português na região.

No segundo dia, ocorreram debates e trabalhos em grupo sobre território, educação, saúde, mulheres, juventude e estratégias de fortalecimento da Rede.
O último dia foi reservado à audiência pública convocada pela deputada estadual Cláudia de Jesus (PT), com participação de representantes de órgãos públicos de várias esferas em busca de soluções para os problemas de desamparo e ameaças a esses povos.

Em carta pública, denunciaram que “a ausência da demarcação dos territórios é uma das graves omissões e violências perpetradas contra os corpos que são parte ancestral e presente deste espaço chamado Rondônia, onde a invasão do agronegócio tem apoio político e financeiro do Estado causando a expulsão dos povos da terra”.
Também cobraram respeito aos territórios já demarcados com a garantia de segurança e integridade destes espaços que sofrem violências causadas por invasões e grilagem, roubo de madeira, contaminação dos rios, doenças por agrotóxicos, coação e ameaças contra as lideranças e comunitários.

A deputada que convocou a audiência disse que vai dar encaminhamento à pauta apresentada pela rede de povos e comunidades tradicionais, por considerar pertinente e urgente. “A gente precisa ser porta-voz das comunidades junto ao governo do estado e ao governo federal para que as políticas públicas sejam alcançadas. Nosso intuito foi ouvir e conhecer a realidade para agir junto aos órgãos competentes”, disse Cláudia de Jesus.
Carta da Rede dos Povos e Comunidades Tradicionais lida na Audiência pública

O evento teve apoio da comissão pastoral da terra, CESE, Fundação Rosa Luxemburgo, Misereor, Steyler Mission e participação do Cimi e Repam.
Brigada da Juventude
Antecedeu o encontro, entre os dias 16 e 18, no mesmo local, um evento de mobilização da brigada de juventude dos povos de comunidades tradicionais de Rondônia, que este ano teve como tema: “juventudes organizadas permanecem em seus territórios, repartindo sonhos e construindo um novo amanhã na Amazônia!”

Participaram jovens indígenas, de reservas extrativistas, quilombolas e de assentamentos de reforma agrária. São juventudes reunidas dialogando sobre as suas vidas, a partir do chão dos seus contextos e territórios.
Por: Luciana Oliveira









