TO SIR, WITH LOVE (II) – Chefinho para sempre

PORTO VELHO (22-01) – Em função de problemas técnicos este expressaorondonia não conseguiu publicar sequencialmente a série de artigos escritos pelo repórter Lúcio Albuquerque e outros jornalistas sobre o centenário do jornalista Euro Tourinho. Por isso, publica-se hoje a segunda parte da série ‘Ao mestre com carinho’, ou ‘To sir, with love’, como definiu o senhor Albuquerque, companheiro de Euro no impresso alto Madeira por quase duas décadas.

Nesta segunda parte, compilamos textos e opiniões de três outros jornalistas que conviveram com seu Euro. A colunista social Jussara Gottlieb, o jornalista Montezuma Cruz e o fotojornalista Rosinaldo Machado.

  “Ser amiga do Chefinho era conhecer a palavra lealdade”

Por Jussara Gottlieb, jornalista

Euro, com sua companheira de todas as horas, a máquina fotográfica pendurada no ombro, o ex-prefeito José Guedes e as jornalistas Jussara Gotlieb e Marlene Rolim

Conheci Seu Euro assim que cheguei em 1971, numa equipe do Projeto Rondon. Aos “Tourinho”, figuras ilustres, proprietários do Alto Madeira, era uma visita usual de todas equipes do Rondon que chegavam do Rio Grande do Sul. Nessa época eu não pretendia voltar mas acabei vindo definitivamente em 1973 a convite do governador Theodorico Ghayva. Logo aconteceu a substituição do governador Ghayva pelo Coronel Marques Henriques e eu continuei na Assessoria de Imprensa e Relações Públicas tendo contato quase diário com seu Euro em função das matérias relacionadas ao governo do Território.

Numa dessas visitas rápidas do dr. Luiz e do Seu Euro, recebi o convite para escrever no Alto Madeira. Nessa época eu já falava sobre reativação da EFMM, apaixonada por tudo que considerava fazer parte da nossa história e que não poderia ser perdido. Compromisso: fazer uma coluna semanal sobre Turismo. Assim iniciei no AM ao lado de Josias Macedo, Ari Macedo, Ciro Pinheiro e personalidades marcantes do jornalismo.

O “Seu Euro” passou a ser Chefinho. Sempre apressado e com hora para entregar a coluna, eu recebia sue telefonema: “Se eu não estiver aqui coloque sua coluna debaixo da porta”. Nos encontrávamos em todos os eventos e me chamava atenção a facilidade que ele tinha de transformar o fato em texto perfeito com uma rapidez na sua máquina de escrever verde-petróleo… Era rapidinho, totoctoc e lá saía o papel marrom com o texto e detalhes de impressão.

Fui fazer o curso de especialização em Turismo, pela Embratur e continuei escrevendo. Logo nascia um novo jornal, Estadão do Norte, e, em face da minha amizade com Sérgio Valente, acabei convidada para escrever, agora na área social. A amizade com Chefinho não foi abalada, ele compreendia perfeitamente e ria quando nos encontrávamos em eventos e acabávamos sendo fotografados juntos e ele dizia “- me coloque na ponta…fica fácil cortar”, isso em função da rixa declarada entre os impressos.

Ser amiga do Chefinho era conhecer a palavra lealdade, amizade, honestidade e franqueza, além da mútua admiração. Ele fazia questão de afirmar a todos nosso carinho comum e me contava de muitas “andanças” na busca de um “furo”. Ele adorava ir além do fato e contava de uma vez que subiu na traseira de um caminhão, escondido, para pegar um furo de matéria que foi uma verdadeira aventura. Quando o empresário Roberto Cazenave partia ou chegava de suas viagens pelo mundo, reunia poucas pessoas amigas para recebê-lo na balsa e entre elas, Chefinho e eu.

                                O boêmio 

Por Montezuma Cruz, jornalista e escritor

Encontrei-me com ele algumas vezes em clubes sociais, restaurantes, nas boates Taba do Cacique, Maria Eunice, e no Bar Seresteiro. Uma noite ouvimos Walter Bártolo (*) ao violão.

Montezuma: o Euro conhecia os segredos da vida noturna e narra encontros com outro boêmio, o músico Walter Bártolo no BR Seresteiro

Aonde quer que fosse, seu Euro tinha hora para chegar e hora para sair, porque fora rígido cumpridor de seu expediente de trabalho no jornal.

Ao conhecê-lo, em 1976, peguei o auge de um período em que os encantos e segredos da vida noturna eram quase todos desvendados à luz do glamour desses encontros, e passavam a ser apenas encantos, sem segredo algum.

Porto-velhenses acompanhavam nas páginas impressas a circulação de seus notáveis, sabendo aonde iam, o que faziam, e as mulheres que construíam esses encantos em ambientes modestos ou requintados, nos quais era comum o alto empresário da cassiterita sentar-se à mesa com o jornalista, o agente de vendas de carros, o policial em alto posto, o latifundiário, e o garimpeiro de ouro e diamantes.

 

Da célebre caderneta azul na qual anotava os acontecimentos sociais do passado, até a chegada do telex do Lúcio [então, correspondente de O Estado de S. Paulo] à sua sala pouco iluminada, seu Euro transitou bem entre fases distintas de Porto Velho.

Ele recebia telefonemas misteriosos, mas, como disse, seus companheiros de trabalho logo descobriam do que se tratava. Não tenho, nem quero mencionar nome – para quê? –, entretanto, percebi que um dos seus “parças” de venturosas noitadas foi o lendário jornalista Vinícius Danin, que também me enfiou em algumas aventuras.

O que sei é que ele viveu muito bem as fases mais românticas desta cidade, notadamente entre os anos 1950 e 1980.

(*) Walter Bártolo, funcionário público, boêmio, músico, compositor, foi o primeiro prefeito de Ji-Paraná e deputado na primeira legislatura da Assembleia Legislativa

  O Euro foi pessoa ímpar, sempre curtiu a noite e o trabalho

Por Rosinaldo Machado, fotojornalista

Falar do Euro Tourinho seria quase impossível em tão pouco espaço. Euro foi uma pessoa ímpar, como poucos. Gostava de prosear com os amigos, bebericar de leve, gostava da Noite, porém sem perder o seu horário no Jornal Alto Madeira.

Machado: o Euro tinha um faro apurado para a fotografia, o que nos aproximou mais

Sempre admirou e curtiu o lado feminino, inclusive escrevendo uma coluna social com o pseudônimo de Eurly – sua única filha, que em 1967 passou a ser feita pelo jornalista Ciro Pinheiro.

Tinha uma estatura média, porém um gigante em ideias e reportagens.  Na redação sempre disposto a trocar ideias e informações com os repórteres e focas.

Além disso; tinha um faro apurado para a Fotografia, o que nos aproximou mais, além do respeito que ele impunha, não por qualquer tipo de autoritarismo, mas pelo que ele representava em nossa comunidade.

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