PORTO VELHO (03-01) – O gaúcho Amadeu Machado, advogado, conselheiro aposentado do Tribunal de Contas de Rondônia, tem uma muita história para contar sobre seus 50 anos de Rondônia. “Em janeiro de 1982, quando o estado foi instalado, eu estava com 34 anos, residindo em Porto Velho há 8 anos e alguns meses. Àquela altura exercia o cargo de procurador-geral do Município de Porto Velho, função em que me exercia desde o ano de 1979. Antes disso, eu estive no Incra (Instituto nacional de colonização e reforma agrária), como advogado do Projeto Fundiário de Rondônia.

“Naquele tempo os alinhamentos políticos eram perfeitamente definidos, ou se era a favor do governo (ARENA/PDS), ou se era contra o governo (MDB/PMDB). Eu não me identificava com nenhuma das correntes políticas. No processo de criação do Estado todas as ações eram sumariamente politizadas. O grande condutor da transformação era o governador Jorge Teixeira e a oposição era comandada pelo deputado Jerônimo Santana. Conhecia e me relacionava com ambos”
Amadeu continua: “achava pueril e sem sentido a oposição à criação do Estado, mas ao mesmo tempo me preocupava quando percebia os interesses políticos subalternos que afloravam em ambos os lados. Optei pelo distanciamento e entrei em férias alguns dias antes, no mês dezembro de 1981, retornando a Porto Velho em fevereiro de 1982, porque entrar em jogos políticos buscando notoriedade e ocupação de espaço nunca fez meu perfil pessoal e profissional, embora circunstancialmente tenha atuado em setores que cobravam algum tipo de engajamento e consequentes conflitos decorrentes”.
“Passados 40 anos dou uma olhada no retrovisor e me sinto satisfeito com o que fiz. Porto Velho tinha 40 mil habitantes e o Território Federal de Rondônia possuía 100 mil. Com seringais desativados, a única atividade econômica era o garimpo da cassiterita, que foi proscrito e entregue a grandes empresas mineradoras. Fiz parte do processo migratório. O crescimento populacional que foi estrondoso nas décadas de 70/80/90, foi se acomodando. A ocupação das terras, que eram públicas, foi muito bem encaminhada, com ênfase à entrega desse patrimônio para pequenos e médios agricultores, hoje apresenta uma situação que sequer era sonhada”.
Amadeu se volta à situação atual: “a pecuária de corte ostenta um plantel de 14 milhões de cabeças; a produção leiteira é excelente, com quase 2 milhões de litros por dia; a produção do café é uma realidade e milhares de famílias mantém um bom nível de produção para subsistência, com a agricultura familiar. Nos últimos anos a soja entrou no circuito e na última safra foram colhidas 2,6 milhões de toneladas dessa oleaginosa. Por conta disso Rondônia fechou o ano de 2021 com receita de mais de R$ 10 bilhões, o que é espantoso para quem há quarenta anos sobrevivia com a chamada economia do contracheque”.
“Como tive participação nesse processo todo, hoje, aos 74 anos, tenho a sensação do dever cumprido. Continuo a trabalhar como o faço há 60 anos e tenho a convicção de que nossa geração fez o melhor, cujos frutos aí estão. Dada à idade avançada, não faço projeções pessoais, embora não esteja exaurido, mas estimo que com a forja obtida nas severas dificuldades que atravessamos, seja a atual geração uma sucessora capacitada a dar continuidade ao trabalho e que Rondônia persiga um lugar de destaque no cenário nacional”, concluiu.
Lúcio Albuquerque, para o www.expressaorondonia.com.br









