
PORTO VELHO – De repente, num piscar de olhos, passei dos 60 e virei atendimento prioritário. Talvez seja uma das poucas vantagens de se tornar idoso. Isso sem esquecer o etarismo, algo inevitável nestes tempos em que sessentões acabam preteridos na hora de tentar uma vaga e voltar ao mercado. Mas não estou aqui para lamentações, porque ninguém tem saco ou paciência para velho chato, rabugento e que só reclama. Vida que segue.
Agora, no cinema, pago meia-entrada. Não preciso mais enfrentar aquelas filas enormes nas Lojas Americanas ou nos aeroportos na hora de embarcar. Logo pergunto: onde fica a fila dos idosos? Também estou curtindo mais a família e juntos planejando e fazendo viagens inesquecíveis. Trata-se de viver a vida.
Eu até gostaria de voltar a exercer minha profissão de jornalista. No entanto, segundo a última pessoa que me entrevistou para uma vaga, infelizmente a idade máxima para eles é de 45 anos. Isso depois de mais de meia hora de conversa. A criatura só me disse isso quando falei minha idade e que estava aposentado, e se isso seria um problema. Parece que sim. Ela sequer tinha lido meu currículo. A ficha só caiu ali. Vida que segue.

Mas tudo bem. Nos últimos dois anos até recebi convites que, na maioria, não se concretizaram. Ouvi promessas de pessoas, digamos, amigas, porém, no fim, era só conversa para boi dormir, para eu me sentir agradecido. Faz parte do jogo.
O tempo livre tem servido para cuidar mais da saúde e ir à academia, algo que faço três vezes por semana por obrigação, sem nenhum prazer, mas faço e perdi 12 quilos. Tenho lido muito mais do que antes, ido ao cinema e, em casa, assistido a mais filmes e séries. E, claro, ouvido muita música e escrevendo, escrevendo e escrevendo, mesmo que para apenas dois ou três leitores insistentes, caridosos e pacientes.
*É jornalista de formação, cinéfilo e poeta diletante










