PORTO VELHO – A campanha eleitoral para as eleições deste ano vem se desenvolvendo de forma bem diferente de tudo aquilo que nos acostumamos a ver nos últimos 40 anos, desde a primeira eleição em Rondônia-estado, em 1982. Faltando cerca 40 dias para o desfecho do primeiro turno, assiste-se até o momento aquilo que se costuma denominar como ‘as abóboras ainda estão se ajeitando no compasso da carroça. É candidatura que entra, candidatura que saí, traição por cima de traição e, naturalmente, as reações daqueles que acreditam que foram passados para trás.

Em parte, isso acontece porque os partidos ou seus donos insistem em apresentar ao eleitorado nomes que estão encalacrados com a Justiça e, antes de pedir o voto ao eleitor, tem de ajustar sua situação com a balança que simboliza a neutralidade da Justiça. Em Rondônia, os dois principais protagonistas desta situação são o ex-governador e ex-senador Ivo Cassol (PP) e o senador Acir Gurgacz (PDT), que dependem de votações no Supremo Federal (STF) , para encarar o eleitor de pé no chão e não pendurado em uma liminar.

 

No MDB, a semana foi marcada por uma carta divulgada pela militante Penha Simão, que fora escalada para ser a primeira suplente da então candidata ao Senador, Cláudia Moura, irmão do senador Confúcio Moura, que perdeu a disputa interna para que o partido não fosse levado a apoiar a candidatura a reeleição do governador Marcos Rocha.

Se não for mero jogo de cena, o deputado federal Lúcio Mosquini, que chegou à presidência do MDB regional pelas mãos de Confúcio, após a disputa pelo comando da legenda com o casal Raupp, poderia dizer-se que a criatura engoliu o criador.

Confúcio não só perdeu a peleja na executiva regional, como teve de apear sua irmã Cláudia Moura da pretensão de ser candidata ao Senado, já que no acordo com o União Brasil, do governador Marcos Rocha, Mosquini indicou ainda o empresário João Gonçalves (Frigon e IG Supermercados) como segundo suplente da candidata ao Senado Mariana Carvalho (Republicanos).

Logo, o MDB não poderia lançar candidatura ao Senado e é aí que emerge a ira da ex-secretária de ação Social no Governo Confúcio, Penha Simões, escalada como primeira suplente de Cláudia Moura, que teve de rebaixar sua pretensão parta uma candidatura de deputada estadual.

 

Na quinta-feira, Penha mostrou a cara e sua dignidade, ao publicar uma carta, onde, sem meias palavras classifica a direção do partido de trairagem, de ser covarde e desafia a expulsá-la da sigla.

Confira, na íntegra, a carta de Penha Simão:

“Amigos MDBistas, estou me manifestando com meu repúdio sobre a decisão da nossa executiva estadual em não protocolar a ata suplementar no TRE, para homologação dos nomes das suplentes da nossa candidata Claudia Moura (MDB) deixando-a fora da disputa política na candidatura ao cargo de senadora.

Eu Maria da Penha Simão filiada a esse partido muito antes de muitos que hoje fazem parte dessa executiva estadual e que se acham donos do partido, são ingratos, e desprezíveis quando traem as poucas mulheres MDBistas dando facadas pelas costas por acordos feitos nas caladas da noite com grupos partidários que não fazem parte da nossa sigla partidária que sempre levantou a bandeira do diálogo e da DEMOCRACIA.

Eu repúdio as tomadas de decisões sem respeitar nossas opiniões, retirando do páreo mulheres de luta que somos como Claudia Moura, eu Penha Simão e Suzana, somos mulheres valorosas para esse partido MDB.

Eu estou envergonhada pelos sem-vergonhas que tiveram a coragem de agir na covardia e na calada da noite deixando de cumprir um processo democrático dentro de nosso partido.

Estou com vergonha por ainda imperar o machismo e o racismo aberto em dentro do nosso partido MDB.

Estou com vergonha por ter sido educada nos princípios éticos da honestidade, do respeito e da gratidão, princípios esses que nunca pensei que seria questionado e me deixasse com vergonha pelos que não tem.

Nesses muitos, muitos anos filiada no MDB, pensei já ter visto de tudo! mas pela primeira vez vi e presenciei tamanha covardia.

Me envergonho por não ter coragem de sair agora, nesse momento do meu partido que tanto amo, porque sei que muitos estão nele somente por interesses partidários e que na primeira oportunidade pula para o partido que der mais.

Na minha idade não tenho mais medo e nem vergonha de expressar a minha indignação por pessoas que só pensam em si e que querem tratar as mulheres do partido como se fossem objeto de descarte pensando somente nos benefícios que receberão.

Na minha idade não sou mais hipócrita e não fico com nó na garganta deixando que pensem que não compreendemos as manobras e malandragem que rondam os hipócritas no período das eleições.

Na minha idade não preciso mais agradar ninguém, porque sempre fui mulher negra de luta de garra que não tem medo de dizer a verdade, porque nunca, nunca fiz conchavos passando a perna no meu próximo.

A minha religião e da verdade, o Deus que sirvo enxerga, sonda e cobra… e como cobra… Isso não tenho dúvida, porque muitos se escondem atrás dos altares para praticar as injustiças à noite. Mas Deus enxerga a noite viu pessoal…

Deus enxerga o tempo todo e a maldade estará sendo escrita no livro da vida, porque a vida não e só isso! .

Mulheres e homens MDBistas que não aceitam tamanha covardia que fizeram com Claudia Moura e consequentemente com suas suplentes se indiquem também com esses atos…

Não permitam que nosso MDB chegue a esse ponto, não permitam mais que sejamos desrespeitadas como mulheres.

Vamos olhar esse acontecido como exemplo para que não aconteça mais em nosso partido.

Sejamos solidários uns com os outros e voltemos olhar ao MDB do respeito e da Democracia como sempre foi…

Tenhamos a coragem de denunciar essas atrocidades dentro do partido, tenhamos a coragem de dizer não e chega!

Esse é meu total repúdio a todos os que contribuíram para que nossa candidatura não fosse homologada”.

Penha Simão.

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