Técnico em radiologia de Chupinguaia que perdeu avó e tias para a covid denuncia caos e omissão das autoridades na Saúde de Guajará-Mirim

CHUPINGUAIA (RO) – Um funcionário da Saúde do município de Chupinguaia, na região sul de Rondônia, usa as redes sociais para denunciar o caos na saúde de Guajará-Mirim, após a mortes de três parentes seus que moram na cidade que faz fronteira com a Bolívia, no noroeste do estado. O caos na Saúde em Guajará-Mirim já é fato conhecido da sociedade e das autoridades, que pouco fazem para solução do problema.

Mas as graves  denúncias do técnico em radiologia Alexandre Henrique Nery em um grupo no aplicativo WhatsApp são relevantes e é também uma resposta às críticas feitas ao atendimento de pacientes com a covid-19 na cidade de Chupinguaia, onde ele está trabalhando desde o início da pandemia.

Num áudio (que o leitor pode escutar logo abaixo), o profissional de 35 anos pediu que os chupinguaienses comparem a situação na “Capital do Boi” com a da cidade fronteiriça de Guajará-Mirim, onde, segundo ele, o sistema de atendimento é muito mais precário.

 

Alexandre revelou, em entrevista ao site Folha do Sul on line, que perdeu duas tias e a avó de 89 anos que o criou até os 18. As tias, embora tenham morrido no Ceará, haviam sido infectadas em Guajará-Mirim, onde ele garante que as autoridades de saúde estariam agindo com negligência no enfrentamento da doença.

As mortes das três mulheres da família de Nery aconteceram num curto espaço de tempo: o primeiro óbito no dia 23 de janeiro, o segundo no dia 28 e o terceiro, em 1º de fevereiro. As duas que faleceram no Ceará eram, como a outra vítima, moradoras de Guajará-Mirim, e estavam no Nordeste a passeio.

O servidor disse que, em Guajará-Mirim, além de faltar medicamentos, o único hospital público não tem uma ala isolada para pacientes com covid, e que os doentes ficam misturados, facilitando a contaminação de quem ainda não contraiu o vírus mortal.

O entrevistado também enviou imagens de um tio que, segundo ele, estaria “jogado lá”, mostrando a decadência física do homem que, após “pegar covid”, estaria recebendo um tratamento inadequado em Guajará-Mirim.

Fonte: Folha do Sul on Line



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