Sonhos e projetos 80 mais – Alice Thomaz*

No auge dos seus 80 anos, eles têm nos dado lições especiais a respeito de continuarem a ser úteis e produtivos

Alice Thomaz*

PORTO VELHO – Imagina uma mudança de hábitos depois de oito décadas de vida? Parece difícil, mas é possível. Exemplo disso é o casal Aldeides Borges e Raimundo Maceió Borges ou simplesmente Maceió. Tudo isso para uma melhoria na saúde. Assim como eles, outros idoso, no auge dos seus 80 anos, têm nos dado lições especiais a respeito de continuarem a ser úteis e produtivos mesmo na longevidade.

Companheirismo

Mas o que há de tão extraordinário com este casal de idosos? Estão participando de um programa de aulas de fit dance, modalidade que combina a aula de dança com coreografias inspiradas em ritmos populares, com exercícios aeróbicos e fitness. Aldeides e Maceió estão casados há 62 anos. Ela tem 83 anos e ele 86. Recentemente ele esteve hospitalizado e ela o acompanhou todo o tempo.  Foram cerca de 30 dias encerrada no quarto de um hospital, nos relata ela. Quando voltou para casa sentiu que precisava fazer algo para melhorar a mobilidade do corpo. O médico encaminhou para a fisioterapia e de lá foi recomendada a aliar a dança ao tratamento. Os resultados estão aparecendo aos poucos e a meta dela é continuar. O marido apoia e a acompanha. Aldeides diz que o bom relacionamento do casal, ao longo dos 62 anos tem sido o companheirismo. “Sempre que possível, procuramos estar sempre juntos”.

A prática da atividade física é um desafio diário para a maioria dos idosos com vida sedentária. Mas desenvolver outras práticas também. A vida ensina que para tudo há um tempo certo. Nascer, crescer, trabalhar, constituir família, formar filhos até que chega a hora da aposentação. Quando se é jovem este é o projeto para o fim. Ter um capital e curtir o que não foi possível aproveitar antes ou simplesmente descansar. Alguns têm feito assim, mas há os incansáveis, aqueles que continuam sempre atrás de um novo projeto.

Contando histórias

Maria Antônia da Costa atuou profissionalmente como professora. Depois enveredou pelo caminho das artes plásticas, escreveu e ilustrou livros infantojuvenis, e agora, aos 87 anos é uma youtuber, ou seja, uma criadora de conteúdos para a plataforma do Youtube. Relatos de Família conta histórias envolvendo a vida de dona Dinorá, mãe de Maria Antônia.

Nascida e criada no interior do Acre, dona Dinorá teve uma vida dura e difícil. Aos 13 anos se casou com um beberrão que prometeu a ela parar de beber, mas que nada. Com o passar do tempo só fez aumentar as doses e os transtornos na família, que são lembrados pela filha caçula do casal em vídeos semanais na plataforma do you tube.

Língua de fogo

Osmar Silva é uma joia rara do jornalismo rondoniense. Nascido no Maranhão e militando na imprensa desde os 17 anos, ama o jornalismo e a literatura. Tem uma rotina de trabalho de 10 horas diárias administrando e produzindo conteúdos para o site Noticias Tudo Aqui. Não bastasse isso, produz e apresenta o podcast “Sem Papas na Língua” e a coluna “Língua de Fogo”, em formato de vídeo e texto, com assuntos que incomoda muita gente.

Concluir romances inacabados, publicar artigos literários, contos e poemas é um desejo do jornalista, que não dispõe de tempo para cuidar dessa parte, porque o site o mantém sempre ocupado. Mas ele espera finalizar todos os projetos inacabados, é só uma questão de tempo.

Desejo de migrar

Maria Raimunda nasceu no Acre, mas se considera porto-velhense. Aos 77 anos, contrariando familiares e amigos trocou Porto Velho pela capital paulista e por lá está desde então. Hoje, aos 82 anos pensa em voltar para Porto Velho.

“Quero voltar para casa. São Paulo é uma terra boa e fui muito feliz aqui nos últimos anos, mas agora quero retornar”. Essa possível volta será um novo recomeço, mas ela diz que está disposta. “Difícil mesmo está sendo convencer o filho mais velho de que assim como sou capaz de morar em São Paulo sozinha, posso também morar em Porto Velho”.

A sensibilidade do toque

E para encerrar nossa página de hoje temos a artista plástica Rita Queiroz, que em poucos dias completará 89 anos. Proibida de manipular qualquer tipo de tinta, Rita está se sentindo um pouco frustrada, porque está escrevendo um livro, cujo título é O Toque e precisa preparar algumas telas que irão ilustrá-lo.

“A escrita está quase finalizada, mas a ilustração é fundamental”, diz Queiroz, que não sabe como concluir o trabalho, que segundo ela, encerra um ciclo importante de sua trajetória profissional e dá acesso a novos sonhos e projetos.

Se você tem menos de 80, sente-se inútil, desanimado e fraco: inspire-se e corra atrás dos seus sonhos. Planeje, amadureça e ponha em prática aquilo que pode lhe fazer feliz.

*É jornalista


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