
Desfrutar da melhor idade é um privilégio de uma boa parte da população nos dias atuais. Há cem anos, a idade média do brasileiro era de trinta e cinco anos e hoje, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a idade média está em torno de 76,6 anos para as mulheres e 73,3 para os homens. Mesmo considerando que em 1920 o Brasil era um país jovem, era comum que homens e mulheres morressem cedo demais. O que mudou na nossa longevidade?
Para a médica Gerusa Mendonça, especializada em atendimento geriátrico, o avanço na saúde, as melhorias socioeconômicas (tais como saneamento básico, melhoria das condições de trabalho e maior acesso à informação) têm proporcionado ao idoso viver um pouco mais. Ela destaca que o próprio IBGE, tem estimado que a expectativa de vida do brasileiro vem crescendo nas últimas décadas mais rápido do que em países como a Itália, Inglaterra e o Japão, por exemplo. “Hoje é mais comum encontrarmos idosos com 90, 100 anos de idade.”
Ao contrário do que era nos anos 60 e 70, hoje os idosos estão mais ativos e presentes na comunidade. Não são mais aqueles que ficavam em casa recolhidos, salienta a médica. Segundo ela, é comum encontrarmos idosos que aos 70 anos ainda insistem em trabalhar, alguns até na função de arrimos de família. Outros viajam, vão à academia. E há ainda um grupo que está buscando uma formação acadêmica.

“São idosos independentes e que preservam sua autonomia, não quer dizer que estejam livres de doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, dores crônicas, cânceres, e tantas outras enfermidades. Muitas vezes são alvos destas doenças porque vem de uma geração que quando jovem, não teve a cultura de autocuidado da saúde, da mente e do corpo. O foco era trabalhar e trabalhar. E com a idade chegando, as doenças vão surgindo”.
A preservação da autonomia e da independência têm sido o grande foco da medicina geriátrica. As pessoas têm procurado mais cedo o acompanhamento dos profissionais especializados e assim, têm um ganho maior na qualidade de vida. “A Geriatria avalia o idoso como um todo, analisa as medicações, propõe mudanças e adequações na rotina de vida e isso tudo gera qualidade de vida”.
Para a médica Gerusa Mendonça, ser idoso não é opção, é inevitável. Todavia, ser idoso com qualidade de vida e saúde é uma escolha pessoal e diária de cada um. Ela destaca que mesmo que doenças crônicas já estejam presentes, ainda é possível ter uma vida longa, desde que haja um controle. “E isso também é uma escolha”, conclui.








