Quando fome e exclusão batem à porta, solidariedade se torna o último refúgio da esperança

Porque a fome não espera. A necessidade não espera. E a dignidade humana não pode continuar esperando.

PORTO VELHO – Quantas famílias enfrentam silenciosamente a insegurança alimentar, a falta de oportunidades e as dificuldades para garantir condições dignas de sobrevivência? Quantas pessoas precisam recorrer à solidariedade comunitária para encontrar o acolhimento que deveria estar assegurado por uma rede permanente de proteção social?

Essas perguntas ganham especial significado na entrevista de Zacarias Felicio, presidente da Associação Mãos Amigas de Assistência Social (Amaas), nesta sexta-feira, 23, ao programa Amazônia, Gente e Justiça.

Com o lema “Unir, acolher, alimentar, transformar”, a associação apresenta uma proposta que ultrapassa a assistência imediata e convida a sociedade a refletir sobre a importância da solidariedade, da participação comunitária e do enfrentamento das desigualdades.

A realidade das famílias socialmente vulneráveis não pode ser reduzida a números ou estatísticas. Por trás de cada necessidade existe uma história humana, uma trajetória de dificuldades e, sobretudo, o direito de viver com dignidade.

A atuação de entidades como a Amaas também suscita uma questão fundamental: até quando a solidariedade da sociedade civil precisará suprir necessidades que exigem políticas públicas estruturadas, permanentes e efetivas?

A Constituição Federal reconhece a assistência social como direito de quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social. Portanto, alimentar, acolher e proteger pessoas em situação de vulnerabilidade não pode depender exclusivamente da generosidade de voluntários e organizações comunitárias.

A solidariedade é indispensável, mas não substitui a responsabilidade estatal.

A entrevista integra o projeto de extensão universitária Amazônia, Gente e Justiça, que busca aproximar a universidade das comunidades, valorizar suas lideranças e ampliar o debate sobre direitos humanos, justiça socioambiental e políticas públicas.

Uma sociedade verdadeiramente desenvolvida não pode medir seu progresso apenas pelo crescimento econômico, pelas obras realizadas ou pelos investimentos anunciados. O desenvolvimento precisa ser reconhecido na vida concreta das pessoas, especialmente daquelas que mais necessitam de proteção.

Porque a fome não espera. A necessidade não espera. E a dignidade humana não pode continuar esperando.

A solidariedade estende as mãos. Cabe às políticas públicas assegurar que nenhuma família precise enfrentar sozinha o peso da exclusão social.

Texto de reflexão social produzido a partir da entrevista com Zacarias Felicio, presidente da Amaas, no programa Amazônia, Gente e Justiça, exibido em 23 de outubro de 2026.

Entrevista completa: https://www.youtube.com/live/XSyu1HbXKb0

Por: Delson Fernando Barcelos Xavier e Marcus Vinícius Rivoiro
www.expressaorondonia.com.br

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