Política & Murupi – Lula: um elefante na horta de repolho – Por: Léo Ladeia

A direita privilegia muitos acordos e oferta de um leque de candidatos, muitos sem chances aparente de sucesso

Leo Ladeia

PORTO VELHO – ????????? Não o culpo. Sofrendo de incontinência verbal e intolerância a livros o que esperar? Lula é prolixo e fala com total propriedade sobre qualquer tema nem sempre porque saiba, mas de orelha, por ouvir dizer. Seu mundo é da política partidária e sindical rasteiras onde ele se vê um semideus. Quintiliano disse: “Aquele que parece sábio entre os tolos parece tolo entre os sábios”. Suas falas lembram um elefante na roça de repolho. Estava ele na Avibras com a claque e talvez face aos eflúvios etílicos, meteu o loko: “Nós gostamos de paz, mas um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil”. Tentava dar sentido à verborragia eleitoral sugerindo uma improvável guerra assentada na “soberania nacional by Lulex” surgida de um boné azul para se contrapor ao boné vermelho de Trump.

O Paraguai que 1864 invadiu três países refere-se ao fato como a “Guerra Grande”, uma ferida ainda aberta. Lula não sabe ou deliberadamente omitiu partes relevantes da guerra que tem sua origem na ação do império Brasil-Portugal-Algarves para derrubar o governo Aguirre do Uruguai. O rolo é grande. O Paraguai perdeu a guerra, território e muitos filhos, o que torna a fala do Lula desrespeitosa e cruel. Não basta a sua birra com Trump, que exige diplomacia de alto nível e vem a aresta com um vizinho, parceiro comercial, a quem o Brasil deve desculpas. A fala foi estúpida e ouão agrega nada. Lula é uma treva!

Milei: enrosco jurídico, político e diplomático

Imaginem se um líder de outro país da esquerda radical vem à convenção do PT e em discurso pró Lula diz que o Bozo deve apodrecer na cadeia por ser nazista, golpista, fascista, defensor da Ivermectina, negacionista, molestador de cetáceo e pior, permanecer vivo recusando sua morte física e política. O que iria ocorrer?

Por coerência e amor à liberdade de expressão não condenaria o tal anti-Milei, mas inquiro: teria havido atentado à democracia e soberania nacional? O STF faria nota de desagravo? O Itamaraty e o Ministério da Verdade fariam notas de agravo? E o consórcio global daria cobertura fazendo analises profundas com especialistas em várias áreas do conhecimento humano e dariam espaço para escritores da ABL como Gil, Merval, Miriam e luminares de partidos da esquerda radical PSol, Rede, etc para amplificarem? Sobre o Ministério da Verdade é um dos quatro criados por Orwell em 1984 que – ironia – manipula, falsifica e reescreve a história. Aviso aos desatentos: qualquer semelhança não é mera coincidência. Até quando Catilina?

Esquerda lulística: um projeto tatu com cobra

Mais relevante que propostas, narrativas puxam a esquerda radical brazuka e Lula que prescinde de cartilhas e Sidrônios dá o tom e solta a verborragia a ser seguida enquanto mantém seu trunfo preso, incomunicável. Bozo é o mote das narrativas, fonte das mazelas, pai da herança maldita e álibi de tudo. Até Alckmin eloquente e desenvolto em seu silêncio arriscou-se sobre o roubo do INSS “não começou neste governo, mas irá terminar” diz, enquanto Wagner entrou na mira do Mendonça no STF.

O Picolé de Chuchu gostou e arriscou dois temas liberdade e democracia: “A democracia é guardiã da liberdade” disse, traído por um fato: AMoraes liberou das tornozeleiras alguns presos do 8/1, mantendo outras restrições, por conta do golpe do baton, narrativa pseudo jurídica que não fica de pé. Creio na liberdade, mas vou no fio da navalha, paranoico, como os que não rezam no catecismo ateu. Lula vai reinar, mas a democracia pode evitar a tirania, renovar ideias e garantir que nada e ninguém se eternize. Alckmin nada falou sobre esta parte. E aí “perdeu mané”!

Geraldo: fim imprevisível

Antes de aceitar a inexplicável candidatura a vice-presidência com o arqui-inimigo PT, Alckmin, tucano histórico, destinou a Lula o pior de sua “chuchuzice virulenta”: “Lula quer voltar à cena do crime”. Sapo deglutido com a baita sinecura sabe-se lá o motivo e Alckmin sem que tivesse errado em sua fala e que trilhou parte da vida política com Mário Covas, líder respeitado até por adversários, fez uma alteração na sua coluna vertebral transformando-a em massa gelatinosa.

A vida ensina que nada é tão ruim que não possa piorar e quatro anos após submissão e vergonhas alheias, Alckmin saltita feliz com a possibilidade – agora sim é sua vez – de voltar à cena da criminosa política que ele ajudou a construir com seu silêncio conivente e obsequioso. A foto central detalha o parasitismo, uma relação entre duas espécies distintas. O hospedeiro tem o verme que se alimenta sem mata-lo. O caramujo tem o parasita da esquistossomose, fatal para humanos. A lula, outro molusco, abriga os vermes nematódeos. Mas longe de mim chamar Dr Alckmin de verme. Magina…

A desastrada estratégia da direita

Existem quatro modelos usados por apostadores – Martingale, Fibonacci, Contra Aposta e Surebet – para reduzir perdas e aumentar chances, apesar de impossível banir a incerteza do resultado. Em apostas ilegais como briga de galo há ardis de experientes jogadores periféricos, apostando pequenas somas buscando o risco zero num cálculo maroto, em que ele vai substituindo o próprio dinheiro apostando contra e a favor de outros até que ao fim de algum tempo sua grana foi salva. Nada é escrito, tudo se dá por acenos e sinais respeitados por todos. A eleição também é uma aposta e os candidatos e partidos se utilizam de estratégias para minimizar riscos.

Um caso concreto e histórico se dá com a esquerda no Brasil que opta por menos candidatos e mais parcerias confiáveis, o que também não exclui derrotas. A direita privilegia muitos acordos e oferta de um leque de candidatos, muitos sem chances aparente de sucesso. Hoje Lula é o único nome da esquerda contra Flávio com chances, Caiado, Zema e Renan todos quase sem chances. A ideia é que após o segundo turno haja adesão maciça ao melhor colocado, ainda que não haja garantia para tanto. Todos ou parte poderão ficar neutros ou até se aliarem a Lula. A rinha ensina: aposte mais com a grana do adversário e menos com a sua, o que só ocorre durante a briga, mas vale na política. Até aqui a direita são baratas dentro da rinha com os galos esquecendo a luta e pegando as que correm desesperadas.

Acir, o resiliente

Acompanho por dever de ofício e por inveja santa a vida dos “destemidos pioneiros” dentre os quais Acir Gurgacz. Osmar Silva outro destemido, relata que o viu ainda jovem, com um look que era graxa e poeira, consertando o ônibus em Ariquemes. Uma noite entrei num ônibus da Cascavel que saia de Porto Velho para Ji-Paraná e ao lado do motorista substituto estava o senador ao volante. Acir traz a marca de empreendedor da família que um dia “abriu” a BR 364 um estirão de areia, poeira e lama levando sonhadores e seus sonhos que cabiam nos cacaios para formar o interiorzão de Rondônia.

Acir era prefeito de Ji-Paraná quando eu fui trabalhar na Rádio Clube Cidade pude ver de perto sua trajetória que – deve ser carma – sempre o leva para a estrada. Participei de perto da sua luta pela reconstrução da BR 319- que deve se encerrar agora e sua atuação como Senador focado na agricultura do estado fazendo todo final de semana audiências em Brasília ou presenciais aqui criando condições para o desenvolvimento do estado. A luta na justiça para voltar ao Senado recebeu a placa “SIGA” nesse processo de “pare e siga” que se vê nas estradas em construção. Foi um bom senador para Rondônia e pode repetir a dose e mostrar o estilo obstinado e criativo. Acir Gurgacz é antes de tudo um resiliente!

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