PORTO VELHO – A iminente cobrança de pedágio na BR-364 expõe, mais uma vez, a lógica invertida que marca a gestão da infraestrutura rodoviária no Brasil. Antes mesmo de qualquer melhoria concreta, o usuário já é chamado a pagar — como se o simples anúncio da concessão fosse suficiente para garantir segurança, conforto e dignidade a quem depende diariamente da rodovia.
Com o início do pagamento de pedágio, anunciado para este mês de janeiro, tudo que passa pela rodovia terá seu preço aumentado.
Pedágio para cobrar o quê, se a nova 364 continua sendo a rodovia da morte?
Na prática, a BR-364 continua sendo uma estrada perigosa, marcada por pistas simples em longos trechos, ausência de duplicação, falta de terceiras faixas em pontos estratégicos e sinalização precária. Ultrapassagens arriscadas, acidentes graves e mortes recorrentes fazem parte da rotina de motoristas, caminhoneiros e famílias que não têm alternativa senão trafegar por essa via essencial para o desenvolvimento econômico e social da região.
O Ministério Público Federal, que carrega em si a marca da defesa da sociedade deveria se deter só um pouquinho sobre este assunto. Começar a pagar por uma promessa de melhoria é algo surreal. E se essa empresa quebra nos próximos dois, três anos, que será o responsável pelo cumprimento das promessas ou pela devolução do que foi pago?
Será que é justo ao povo de Rondônia começar a pagar pedágio para trafegar em um rodovia tão perigosa quanto a nova 364, enquanto nos outros estados primeiro se implanta melhorias e benefícios para depois começar a cobrança?
A promessa de melhorias futuras não pode servir de justificativa para a cobrança imediata.
Com o início da cobrança de pedágio, agora será pagar para morrer na rodovia da morte
Pedágio deveria ser sinônimo de estrada segura, moderna e bem sinalizada — não de esperança ou discurso técnico apresentado em audiências públicas. O que se vê, no entanto, é a transferência do custo para o cidadão antes da entrega do serviço.
Não há duplicação em trechos críticos, não há implantação consistente de terceira faixa em áreas de serra ou grande fluxo de veículos pesados, tampouco uma sinalização que reduza riscos e salve vidas. Cobrar pedágio nessas condições é institucionalizar a insegurança e transformar o direito de ir e vir em um pedágio para a morte.
Enquanto o pedágio não vem, ainda se transita pela BR-364 com cautela e apreensão. Depois, será pagar para continuar correndo riscos — agora oficialmente tarifados. A pergunta que fica é simples e urgente: quem será responsabilizado pelas vidas perdidas antes que as melhorias prometidas saiam do papel?
Empresa já orienta sobre cobrança e festeja pedágio eletrônico na nova 364
A Nova 364, pioneira em Rondônia na gestão de uma rodovia concedida, mobiliza uma força-tarefa para amplificar informações sobre o pedágio eletrônico na BR-364, no trecho de Porto Velho a Vilhena. A iniciativa antecede a operação de cobrança, prevista para o início do ano, com o objetivo de afastar dúvidas do usuário e tornar público as opções de pagamento antes de a cobrança ser iniciada.
A intensificação das campanhas, iniciadas há três meses em todo o estado, agora conta com equipes da concessionária em pontos públicos estratégicos como parques e supermercados, fazendo a panfletagem de informativos e orientando sobre a instalação do aplicativo Nova 364, gratuito e já em funcionamento. Pela ferramenta, que já tem mais de 15 mil cadastrados, o usuário tem no smartphone um canal direto de contato com o serviço operacional que permite solicitar informações sobre condições de tráfego ou acionar recursos como guincho, atendimento pré-hospitalar ou comunicar alguma intercorrência na rodovia. O aplicativo, além disso, permite o cadastro no sistema do pedágio eletrônico e, no futuro, o pagamento das tarifas. Também emitirá alertas sobre passagens registradas.
Outra ferramenta para cadastro do veículo, consulta de valores nos pórticos por categoria de veículo – e até as passagens – é o site pedagioeletronico.nova364.com.
Os usuários estão sendo instruídos sobre outra facilidade para o pagamento do pedágio. Os postos do Serviço de Atendimento ao Usuário – SAUs terão totens à disposição com esta finalidade. Estes equipamentos permitem ainda acionar o serviço de teleatendimento para orientações quando houver dúvidas sobre como pagar.
A simulação da cobrança já começou há mais de um mês, para a população ir se acostumando
A TAG é mais uma modalidade simples e prática. A partir do sistema de cobrança automática, o usuário não precisa se preocupar em pagar as tarifas no período de 30 dias pelo sistema da Nova 364.
“Transparência é o nosso maior compromisso neste momento. Sabemos da mudança de uma cultura de uso de uma rodovia histórica para Rondônia que agora segue para mais um ciclo em seu programa de concessão, iniciado em junho. Por isso, diversificamos ao máximo as possibilidades de pagamento e de consulta a informações”, conclui Wagner Martins, diretor-presidente da Nova 364.
www.expressaorondônia.com.br, com informações da assessoria



Pedágio para cobrar o quê, se a nova 364 continua sendo a rodovia da morte?
Com o início da cobrança de pedágio, agora será pagar para morrer na rodovia da morte
A simulação da cobrança já começou há mais de um mês, para a população ir se acostumando





