União Progressista tirou tempo de TV de Silvia e deu à Mariana, mas Justiça manda devolver

É a diferença entre uma candidata disputar a eleição com as mesmas ferramentas da adversária ou entrar em campo carregando uma mochila enquanto a outra corre de tênis

Robson Oliveira

PORTO VELHO – A federação União Progressista acaba de receber uma aula que deveria ter aprendido antes de começar a campanha: regra não é enfeite. Muito menos quando foi escrita pela própria federação. A decisão liminar do TRE de Rondônia, assinada pelo juiz Audarzean Santana da Silva, ontem, colocou freio numa operação que vinha beneficiando a candidatura de Mariana Carvalho na distribuição do horário eleitoral para o Senado. Pelos documentos apresentados à Justiça, Mariana vinha recebendo aproximadamente 63,6% do tempo, enquanto Silvia Cristina ficava com 36,4%. 

REGRA

Silvia reclamou. Notificou a coligação. Pediu que fosse cumprida a resolução da própria Federação União Progressista, que determinava divisão igualitária entre as duas candidaturas. A resposta, segundo consta da decisão, foi manter o sistema que já vinha sendo utilizado. Traduzindo do juridiquês para o português político: a regra dizia uma coisa, mas a prática queria continuar dizendo outra. Silvia então foi à Justiça.

IGUALDADE

E conseguiu uma liminar determinando exatamente aquilo que havia pedido: 50% do tempo para cada candidata, tanto nos programas em rede quanto nas inserções. E há mais: multa de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 150 mil. É uma derrota política importante para quem comandava a distribuição do espaço eleitoral. Não porque a Justiça tenha declarado Silvia vencedora da eleição – isso seria uma fantasia. Mas porque reconheceu, em cognição inicial, que existe plausibilidade na alegação de que a regra interna da federação estava sendo descumprida. A defesa da candidata do PP foi exercida pelo advogado Cássio Vidal um dos melhores na área da nova geração de eleitoralistas em Rondônia.

EXPLICAÇÃO

É a diferença entre uma candidata disputar a eleição com as mesmas ferramentas da adversária ou entrar em campo carregando uma mochila enquanto a outra corre de tênis. E aqui está o ponto que a direção da federação deveria explicar. Se a resolução determinava divisão igualitária, por que Mariana tinha 63,6% e Silvia 36,4%? Quem decidiu? Com base em qual regra? E, sobretudo, por que manter a distribuição depois de uma candidata formalmente comunicar que havia uma resolução determinando outro critério?

DIREITO

São perguntas simples. Justamente por isso são difíceis de esconder atrás de discursos sobre unidade. A federação, ao que parece, descobriu uma curiosa maneira de praticar a união: juntando os partidos e separando os direitos. O problema não é Mariana Carvalho ser candidata forte. Não há nada de errado nisso. Ela tem o direito de disputar, de buscar apoio e de utilizar os instrumentos eleitorais que a legislação lhe assegura.

MEIO A MEIO

O problema começa quando a força política de uma candidatura parece transformar uma regra coletiva em peça de decoração. E Silvia Cristina merece ser defendida justamente por uma razão muito objetiva: ela não está pedindo vantagem. Está pedindo igualdade. Não pediu 60%. Não pediu 70%. Não pediu que a federação retirasse tempo de Mariana para entregar a ela. Pediu metade.

DECISÃO

Ela poderia ter engolido a diferença, feito um cálculo eleitoral e seguido adiante. Preferiu enfrentar a própria federação. E, ao fazer isso, levou para o campo jurídico uma discussão que seus adversários talvez preferissem resolver nos corredores. A Justiça não escolhe candidato. A urna também não aceitará procuração de federação. Quem decide o Senado é o eleitor.

PARIDADE

Por isso, a federação deveria parar de tratar Silvia Cristina como um problema e começar a enxergar o episódio como um problema de sua própria condução. Porque, no fim, a questão não é Silvia contra Mariana. É a federação contra a própria regra que estabeleceu. E essa é uma briga particularmente constrangedora.

Debates 

Na entrevista que este cabeça-chata fez com Hildon Chaves para o podcast Resenha Política, que vai ao ar nesta quinta-feira, o candidato a governador pela federação União Brasil-PP não fugiu do assunto mais incômodo de sua campanha: o desempenho nos debates. Confuso, desconexo e perdido em divagações, Hildon reconheceu que foi “horrível”.

SAUDÁVEL

Perguntei ao Hildon, sem rodeios, se havia algum problema neurológico ou de cognição. Bem-humorado, negou. Disse estar em perfeito estado de saúde e atribuiu os episódios aos reflexos da covid que contraiu quando prefeito, período em que esteve frequentemente em locais com pessoas contaminadas. Negou estar com os juízos moles nem sob efeito de elementos químicos. Segundo o Tiozão, sua libido está bombando.

EXPERTISE

Admitiu também que sua performance alimentou especulações sobre sua saúde e fofocas sobre sua vida particular. Agora promete uma postura diferente nos próximos debates. Hildon sabe que precisa virar o jogo. E pretende fazer isso usando seu principal patrimônio eleitoral: a experiência como prefeito de Porto Velho.

ENTREGAS

Durante a entrevista, voltou a enumerar realizações de sua gestão e defendeu que Rondônia precisa de um governador com capacidade de gestão para enfrentar problemas econômicos e entregar resultados em saúde, segurança, educação e estradas.

CONFERINDO

A questão é simples: experiência administrativa ajuda – e muito, mas não fala sozinha. Nos próximos debates, Hildon terá de mostrar que continua dono das próprias ideias. Menos divagações, mais objetividade e propostas. A eleição ainda está aberta. Mas a próxima versão de Hildon precisa aparecer diante das câmeras – e não apenas ser prometida depois delas. Na TV e rádio o programa melhorou embora ainda longe do ideal para se distinguir dos concorrentes.

RESISTIU

Hoje, depois dos problemas internos que culminou como uma intervenção no diretório estadual, o candidato a governador pelo PSB, Samuel Costa, é o entrevistado do podcast. Ele voltou a acusar o candidato petista pelos problemas com a direção do seu partido e negou que seja linha auxiliar de Marcos Rogério durante os debates em que dirige suas críticas ao candidato do PSD, Adailton Fúria.

VILÃO

A nova Quest colocou gasolina numa eleição que já vinha pegando fogo: Lula e Flávio Bolsonaro aparecem numericamente empatados no segundo turno. Lula perdeu um ponto, justamente quando a crise do STF começa a respingar no colo do governo. Alexandre de Moraes virou personagem central da guerra política e, para a direita, uma espécie de vilão oficial da República. As revelações sobre os diálogos envolvendo o ministro e Daniel Vorcaro acrescentaram mais um capítulo à novela institucional que ninguém pediu, mas todo mundo assiste.

RADICAL
Lula não é responsável pelo que fazem ministros do Supremo, evidentemente, mas política tem uma regra cruel: quem fica em silêncio diante da tempestade acaba molhado. A pesquisa, portanto, registra uma semana ruim para o presidente, não uma sentença eleitoral. O problema é que o eleitor brasileiro parece já estar desenvolvendo anticorpos contra escândalos: surge um hoje, outro amanhã, e a indignação vai ficando com prazo de validade cada vez menor. Enquanto isso, as bolhas se fecham, os radicais se alimentam e a temperatura sobe.

RESILIÊNCIA
Em 2022, Lula e Jair Bolsonaro fizeram da eleição uma guerra de trincheiras; agora, o filho parece disposto a manter o campo minado. E, pelo andar da carruagem, só haverá trégua quando as urnas, sem likes, sem narrativas e sem ministros, derem o seu implacável veredito. É uma disputa acirrada que o PT não contava com a resiliência do filho mais velho dos Bolsonaros.  Com os dois empatados, o discurso entabulado por Caiado que somente ele era capaz de vencer Lula cai por terra. E a candidatura de Caiado é enterrada de vez.

FESTIVAL

Léo Moraes conseguiu algo que nenhum de seus antecessores havia conseguido até aqui: transformar festa em política de aproximação com o povo. É criticado pelo excesso de eventos, como se prefeito bom fosse aquele que governasse de gabinete, com a gravata apertada e a população do lado de fora. Mas o evento na Vila Calderita mostrou outra coisa: levou uma multidão às margens do rio e, de quebra, entrou no calendário municipal de eventos de praia.

ESPONTANEIDADE 

Léo ainda resolveu trocar o protocolo pelo mergulho: jogou-se nas águas e caiu definitivamente na graça do público, sendo simplesmente ovacionado. Os críticos ficam putos, naturalmente. É compreensível: nada incomoda mais certos setores da política do que ver o povo aplaudindo espontaneamente quem eles preferiam ver sendo vaiado. Léo Moraes sabe facilitar a interação entre autoridade e população. E descobriu uma fórmula antiga, embora esquecida pelos políticos: às vezes, para ser prefeito do povo, é preciso simplesmente estar no meio dele.



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