PORTO VELHO – O “bamburro” no garimpo de ouro na área da ponte do Rio Madeira elevou para R$ 400 a corrida de táxi entre Porto Velho e Humaitá (AM) – cerca de 200 quilômetros da capital – onde vários garimpeiros têm familiares e amigos. De ônibus, com horários disponíveis às 9h e às 16h, o preço da passagem nesse trecho é R$ 50,00. Aos sábados e domingos, o movimento é maior. “Ninguém pechincha, o garimpeiro paga até adiantado”, comenta o motorista Júlio Ferreira Diniz. No sábado passado, dia 2, ele vez duas corridas para o vizinho estado, uma de manhã, outra por volta de 18h.
Motoristas estão animados com o atual momento do garimpo, depois de diversos vaivéns em órgãos de fiscalização ambiental. A procura por táxis e Uber é frequente depois que a exploração do ouro no Madeira foi liberada por decreto do governador Marcos Rocha, em 29 de janeiro deste ano. A liberação foi publicada no Diário Oficial do Estado.

O licenciamento para garimpos nos rios estaduais é possível quando a Secretaria Estadual do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) emites licenças prévias de instalação e de operação. Proprietários de cada draga ou balsa autorizada a operar nas áreas objeto da licença devem ter certidão ambiental de regularidade emitida pela Sedam. Dragas e balsas também devem estar cadastradas na agência da Capitania Fluvial do Madeira, da Marinha do Brasil.
Os garimpeiros do Madeira trabalham atualmente como “porcentistas”, ou seja, recebem à vista o dinheiro pago por uma parte do ouro retirado semanalmente. O dono da balsa fica com a maior parte. O dono assume os custos dos insumos (diesel, mercúrio e alimentação), e desta maneira fica com 70% do lucro, enquanto os trabalhadores dividem os 30% que sobram.

Apuração feita pelo site Repórter Brasil dá conta que, se as condições são boas, a balsa pode puxar entre 80g e 100g de ouro por semana, o que resulta em R$ 31.800 (ou quase R$ 130 mil por mês), com o preço do ouro em R$ 318 o grama. Os gastos com insumos, entretanto, são altos: as balsas carregam todo o diesel que será usado – cada barril de 200 litros custa R$ 700 e dura pouco menos de um dia. Os custos do diesel somados giram em torno de R$ 3,5 mil por semana.
O GARIMPO EM 1979
Dos arquivos do repórter, matérias publicadas no jornal O Globo, em 1979, a respeito de roubo de cassiterita e da pressão exercida por empresas de mineração em Rondônia, contra a empresa Andrade Gutierrez, a fim de que ela não abrisse mão do seu alvará de pesquisa das margens do Rio Madeira.
Com isso, buscavam impedir a corrida do ouro em Mutumparaná, a cem quilômetros da Capital.


MONTEZUMA CRUZ
Fotos Avener Prado – Repórter Brasil e Mais Rondônia









