A investigação da DCE/DIC (Delegacia de Combate a Estelionatos de Joinville), da Polícia Civil de Santa Catarina, revelou um esquema de fraude que desviou recursos destinados a hospitais filantrópicos no estado e prendeu três empresários em Joinville na sexta-feira, 4.

O dinheiro deveria reforçar a manutenção e assistência em saúde de instituições beneficentes, mas foi parar no bolso de um grupo empresarial e seus representantes.
A investigação aponta que pelo menos 7 mil consumidores foram induzidos a erro durante anos, pagando descontos irregulares incluídos nas faturas de energia.
Segundo a polícia, empresas intermediárias desviavam das contas de luz valores destinados a hospitais, ao burlar de forma intencional o sistema que registrava as doações.
A Polícia Civil estima que apenas em três hospitais, localizados em Joinville, Brusque e Blumenau, os quais não tinham conhecimento do golpe, o prejuízo chegue a aproximadamente R$ 4 milhões. O número de instituições lesadas e o montante total ainda serão apurados.
Na operação Falso Samaritano, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão, além de bloqueio de imóveis, veículos e contas bancárias. Uma lancha e quatro carros de luxo também foram apreendidos.
Os investigados poderão responder por fraude eletrônica, estelionato majorado contra entidade de beneficência, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil reforça que as doações voluntárias são essenciais para manter serviços de saúde e assistência em Santa Catarina, mas alerta que é preciso garantir transparência e auditoria nos processos.
Entidades que foram lesadas

Entre os hospitais prejudicados estão o Hospital Misericórdia (Blumenau), o Hospital de Azambuja (Brusque) e o Hospital Bethesda (Joinville). Em Florianópolis, a Celesc também foi identificada como vítima, já que os valores eram captados por meio de faturas de energia sem o conhecimento da empresa.
O diretor do Hospital Bethesda, Lúcio Slovinski, explicou que a denúncia partiu da própria instituição. “Para nós, é realmente um marco. A denúncia partiu de nossa instituição, porque chegamos até aqui graças à ajuda da comunidade”, afirmou.

Ele contou que, antes da pandemia, o hospital começou a pedir doações através da fatura de energia elétrica e tinha grande expectativa de crescimento. Durante a pandemia, os valores recebidos não aumentaram como esperado. Ao investigar, a equipe percebeu inconsistências.
“Identificamos que pessoas doavam em nosso nome, mas na fatura de energia elétrica não constava nosso nome”. Nesse processo, as empresas desviavam os recursos e enviavam para si.









