
PORTO VELHO – Estamos entre 2001 e 2003. Ela já pensava no vestibular, na carreira que escolheria. As ideias ainda não eram muito claras. Naquele período a customização de roupas estava em alta. Peças saiam do guarda-roupa de um jeito e voltavam de outro. Às vezes, se perdiam no caminho, quando o plano não dava muito certo. A ideia de fazer moda começou a tomar forma. E foi sendo trabalhada.
Chegou o ano do vestibular, viagens programadas para o Sul e tudo foi bem até um certo ponto. Mas o sonho virou fumaça, porque não tinha que ser e voltou-se a estaca quase zero. Talvez o leitor não creia ou ainda não tenha tido uma experiência de ouvir Deus falando com você, mas ela viveu isso com muita clareza. E o recado era o seguinte: “Vou lhe dar uma profissão e vou lhe ensinar a amá-la”. Em nenhum momento houve dúvida.

Todavia, que ofício seria esse? Já se tinha um ponto de partida, mas qual seria a profissão? Aliás, já havia um sinal. Em uma atividade escolar, quando ainda tinha entre nove e dez anos, ela fez o esboço de uma cidade. O desenho recebeu o título de Cidade Xadrez. Mas desenho ficou esquecido entre outros papéis.
Era tudo uma questão de tempo, de pouco tempo, diga-se de passagem. A oportunidade veio com um grande sorriso nos lábios e o nome dela: Arquitetura e Urbanismo. Ao invés de desenhar e vestir pessoas, a direção era para desenhar ou revitalizar casas, ruas, avenidas, bairros ou até mesmo cidades.

Os cinco anos voaram. Estágios, trabalhos acadêmicos e de repente a apresentação do trabalho final, a colação de grau e, enfim, a formatura. Ufa! Parece que foi ontem.
E lá se vão quinze anos de formação, e mais dois meses chega-se aos quinze de exercício profissional sem interrupção.
Os desafios foram diários, mas todos muito enriquecedores. Em todos os dias, desde o dia de efetivação da matrícula na universidade, nunca houve dúvida com relação a promessa do grande amor pela profissão e ele se concretizou. Quem a conhece sabe disso muito bem.

Agora, pensando nesse tempo que passou, sento-me diante desse pequeno computador para rever fotografias e relembrar dias amenos, outros um pouco turbulentos, mas que foram vencidos com grande maestria.
Da turma pequena, alguns continuam juntos. Outros partiram para outras cidades em busca de dar vida aos sonhos. Aqui registro a perda do arquiteto e urbanista Marcelo Alencar, que cedo nos deixou, mas o laço de amizade que traçou, tenho certeza que jamais será esquecido pelos demais.

Chegamos em 2026. E hoje, a homenagem que aqui faço não é apenas para a Raísa Tavares, mas para todos os bravos alunos da segunda turma do curso de Arquitetura e Urbanismo da Uniron, que com honra fazem jus ao título profissional que ostentam na nossa sociedade desde 2011.
Parabéns a todos vocês! Cristiane Ferreira, Direne Hazzan, Israel Brasil, Johnatha Relvas, Marcelo Alencar (in memoriam), Raísa Tavares, Tatiane Ugucioni, Tiago Gadelha e Vagner Sassaki.
*Alice Thomaz é jornalista









