PORTO VELHO – A história se completa nos fragmentos e um desses importantes registros da história dos primórdios de Rondônia – antes mesmo dela existir – é ‘Barranco Alto’, dois volumes artesanalmente concebido pelo renomado professor-historiador Dante Fonseca e pelo talentoso guaporeano Emanuel Fulton Madeira Casara de onde emergem reminiscências interessante do pioneirismo da Família Casara no Vale do Guaporé. Ainda terras de Mato Grosso, foi ali que Américo Casara adquiriu um seringal e se instalou para construir passo-a-passo uma longa trajetória de desenvolver economicamente seu seringal, mas respeitando as comunidades indígenas e populações tradicionais do Alto Guaporé.

O expressaorondonia pediu a Lito Casara, como é mesmo conhecido o doutor Emanuel Fulton Casara, uma síntese de trechos do livro que relata o restabelecimento das relações familiares dos Casaras em Guajará-Mirim e na Itália.
Confira, a seguir, o resumo do Lito Casara da obra escrita por ele e pelo professor Dante Fonseca:
“Um ano antes da primeira visita de um Papa ao Brasil, a aeronave McDonnel Douglas DC–10-30 da Alitalia aterrizou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, em 29 de março de 1979, sob o comando do piloto Massimo Mínio-Paluello, após voar muitos anos na Europa, operando agora no Setor de Longa Distância, na rota Roma/Rio/Roma. Massimo é filho de Ines Ziboni Minio-Paluello, ou Ines Casara Ziboni – nome de solteira e do Brigadeiro General Marco Minio-Paluello – piloto de caça aposentado e herói de guerra da Força Aérea Italiana e, também, sobrinho de Américo Casara I e primo de Giácomo Casara II. Ines – mãe do comandante, é irmã do engenheiro agrônomo Américo Casara Junior, ou Américo Casara II – que veio para o Brasil em 1923 e faleceu no rio Madeira, a bordo do Vapor Madeira-Mamoré (25/06/1929), numa viagem entre Manaus e Porto Velho, quando atuava como representante comercial do Seringal Barranco Alto, de propriedade do seu tio-avô Américo Casara I.
Ines Casara Ziboni, Veneza década de 1930. Ines Ziboni Minio-Paluello - nome de casamento
Por solicitação da sua mãe Ines Minio-Paluello, o comandante Massimo Minio-Paluello, em 29/03/1979, do Rio de Janeiro escreve para Giácomo Casara, em Guajará-Mirim, informando, entre outros assuntos, estar assumindo – agora com certa frequência, o comando de uma aeronave da Alitalia, na rota Roma/Rio/Roma, esperando reestabelecer contato com a família Casara no Brasil, conforme síntese, a seguir, das cartas 5, 6, 7, 8, 9 e 11 do Tomo II – Livro Barranco Alto.
A partir de Mira – Veneza, em 05/05/1979 Ines Ziboni Minio-Paluello envia carta para Giácomo Casara, tendo como portador seu filho Massimo Minio-Paluello, manifestando alegria por reestabelecer correspondências com familiares no Brasil. Expressa grande amor por seus primos desconhecidos, lembrando do tempo de criança, quando chegavam as cartas do seu tio Américo Casara I – pai de Giácomo, cuja leitura ela ouvia como se fossem fábulas.
Em 20 de maio de 1978, a partir de Guajará-Mirim, Giácomo Casara escreve para seu primo Massimo Minio-Paluello, em Roma, informando que seu pai Américo Casara foi um lendário desbravador da Amazônia Equatoriana, Colombiana, Peruana, Boliviana e Brasileira. Cita que o reatamento da comunicação com os familiares italianos despertou reminiscências que Américo Casara muito verbalizou aos seus filhos, na esperança de manter viva uma estreita relação entre a família Casara, no Brasil e na Itália. Giácomo escreve lembrando de Américo quando vivo, por fotografias, ensinando seus filhos à reconhecer as tias Ines, Camilla, Rosa e Helena, vovó Teresa Poli, o primo-tio Giácomo Casara I, tios Giovanni e Pedro, primos Mario Ziboni e Mario Casara, tios Nevio e Gaston, entre outros.
Américo Casara II, Brasil 1925
Relata, ainda, saber que o tio Giácomo Casara I – médico prestigiado, foi condecorado pelo Vaticano por bons serviços prestados ao povo italiano durante a epidemia da Gripe Espanhola de 1914 e que seu primo Amerigo ou Américo Casara IV vive em Los Angeles – USA. Finaliza informando que no Sul do Brasil, na cidade de Caxias do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, vivem famílias Casara e Cazara que ainda não conhecem sua ascendência por desconhecerem seus avós. Entre esses, conheceu Jorge Casara – piloto da Viação Aérea São Paulo/VASP, que voava para Guajará-Mirim, no início da década de 1970.
A partir do Othon Palace Hotel, no Rio de Janeiro, em 20/05/1979, o comandante Massimo Mínio-Paluello envia carta para Giácomo Casara, em Guajará-Mirim, acusando recebimento de suas cartas enviadas para Roma. Informa que sua mãe Ines Ziboni Minio-Paluello vive com o marido aposentado Marco Minio-Paluello em Mira – cidade entre Pádua e Veneza e que seu pai Marco tem uma fazenda juntamente com Michele – irmão de Massimo. Michele com 41 anos é formado em agrária e laureado em economia e comércio. O irmão Piero, engenheiro civil, com dois filhos, trabalha em Treviso e a irmã Maria Luiza, com dois filhos, é formada em inglês e reside na Escócia. Massimo informa ter 42 anos, com dois filhos, sendo piloto da Alitalia e instrutor de voo a vela.
Comandante Massimo Minio-Paluello, Roma, década de 2000
Em 10/07/1979, Massimo Minio-Paluello escreve para Giácomo Casara, dizendo estar no Rio em companhia de sua esposa Daniele. Juntamente com sua carta, envia um breve bilhete de sua mãe Ines, a partir de Roma, com os cumprimentos a Giácomo e seus familiares.
Entre tantas cartas trocadas, neste período, finalmente, conforme Estadão (https://www.estadao.com.br) e GZH+6 (https://gauchazh.clicrbs.com.br), em 30 de junho de 1980, às 12h08 local, a aeronave McDonnell Douglas DC-10-30, com 50 jornalistas, além da comitiva oficial do Vaticano, aterrizou no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília – DF, trazendo o Papa João Paulo II ao Brasil.
Chegada do Papa João Paulo II ao Brasil, 30/06/1980, Brasília DF
Aproveitando tão singular oportunidade, a partir de Mira – Veneza, em 23/06/1980 Ines Ziboni Minio-Paluello escreve para Giácomo, relatando a grande ocasião da primeira viagem de um Papa ao Brasil, tendo como portador de sua missiva o filho Massimo Minio-Paluello – comandante do Voo Especial do Papa, que embarca com a incumbência de solicitar ao Santo Padre uma benção especial para Giácomo Casara e seus familiares.
Estes são fragmentos de fatos extraordinários que antecederam a viagem de João Paulo II ao Brasil, quando coincidência e/ou conspiração parecem ter se alinhado à oportunidade de um sobrinho de Américo Casara I ter sido escolhido comandante do Voo Especial da primeira visita de um Papa à nação brasileira.

Segundo GZH+6 (https://gauchazh.clicrbs.com.br), a tripulação do Voo Especial do Papa João Paulo II, de 30/06/1980, não foi divulgada, sendo formada por funcionários regulares da Alitalia, que serviram como pilotos e comissários em escalas de rotina, sob a supervisão de Maurizio Dickmann da Alitalia.
A peregrinação de João Paulo II pela Terra de Santa Cruz se estendeu por 12 dias, despedindo-se do Brasil na cidade de Manaus – AM, em 11/07/1980, conforme GZH+6 (https://gauchazh.clicrbs.com.br), retornando à Roma num voo da Varig comandado por Fredy Kurt Wiedemeyer e comandante Pinto, acompanhados por Hélio Smidt – presidente da Varig”.
Por: Lito Casara, com ilustrações de álbum da família
www.expressaorondonia.com.br



Ines Casara Ziboni, Veneza década de 1930. Ines Ziboni Minio-Paluello - nome de casamento
Américo Casara II, Brasil 1925
Comandante Massimo Minio-Paluello, Roma, década de 2000
Chegada do Papa João Paulo II ao Brasil, 30/06/1980, Brasília DF





