CACOAL – A população desta cidade escapa por pouco de um presente de grego em pleno período natalina. O prefeito Adailton Fúria tentou, na última semana, aprovar um reajuste que, segundo alguns técnicos, poderia bater nos 80 por cento no Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU), para entrar em vigor já agora em janeiro. Receosos da reação dos moradores e do desgaste político, os vereadores não toparam o jogo e rejeitaram o projeto ainda nas comissões, sem sequer levá-lo a apreciação em plenário.
"Olha o tamanho do 'pepino' que o prefeito Fúria queira 'empurrar' no contribuinte"
De acordo com fontes bem informadas da Capital do Café, a intenção do prefeito Adailton Fúria – que pretende renunciar ao mandato nos próximos meses para se lançar como candidato a governador -, era deixar o projeto pronto para seu vice, advogado Tony Pablo, apresentar tão logo assuma a titularidade.
Mas Plabo não gostou da ideia de já entrar ‘ferrando’ a população e o ‘pau’ teria quebrado entre os dois, segundo informações que chegaram ao conhecimento deste www.expressaorondonia.com.br.
Confira a íntegra do projeto de reajuste do IPTU:
Presente de Natal, AUMENTO IPTU, projeto 259 (1)Com isso, Fúria teve de convocar extraordinariamente os vereadores, que já estava em recesso regimental, para votar o reajuste do IPTU e outras taxas para valer a partir de janeiro de 2026.

Mas a política é terreno em que nem tudo que se planeja consegue ser colocado em prática.
Em exercício de eufemismo e para diminuir o impacto junto a população, o projeto foi apresentado com o nome de planta de valores para o cálculo de tributos imobiliários e outras providências.
Para sorte da população, que já vive assombrada com tantos impostos estaduais e federais, o projeto não prosperou.
Assim, o cenário político em Cacoal encerra o ano de 2025 sob forte tensão. De um lado, a gestão do prefeito Adailton Fúria defende a necessidade de atualizar a planta genérica de valores (PGV) para corrigir, segundo o prefeito, distorções históricas. De outro, vozes da oposição, acusam a administração de ser perdulária e inflar a carga tributária em um momento de endividamento municipal.
Modernização ou aumento?
O projeto de Lei 259 enviado à Câmara Municipal propunha reclassificação da cidade em cinco zonas fiscais. A justificativa técnica da Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla) é que o valor venal dos imóveis está defasado em relação ao mercado real.

Para mitigar o impacto no bolso do contribuinte, a prefeitura propôs um mecanismo de compensação: a redução das alíquotas. Enquanto os valores dos imóveis sobem para patamares de mercado, o percentual cobrado sobre eles cairia para faixas entre 0,14% e 0,20% em áreas construídas. Além disso, o texto prevê descontos de até 40% para quem quitar o tributo antecipadamente até abril de 2026.
Reação política e arquivamento
Apesar do argumento técnico de “equilíbrio fiscal”, a proposta encontrou forte resistência no Legislativo. Receosos com a impopularidade da medida — que, segundo críticos, poderia elevar o valor final do imposto em até 100% para alguns setores — os vereadores, sob a presidência de presidente da Câmara, Gimenez Fritz, optaram por rejeitar a proposta.
O projeto foi “morto” ainda nas comissões temáticas, evitando o desgaste de uma votação em plenário durante a sessão extraordinária convocada pelo prefeito.

Munição à oposição
O ex-vereador Paulo Henrique – sempre um crítico da gestão de Fúria – critica da saúde financeira de Cacoal. Segundo ele, o crescimento orçamentário do município — que saltou de R$ 230 milhões em 2021 para uma previsão de R$ 550 milhões em 2026 — não justifica novos aumentos de taxas.
E destaca uma contradição nas obras de infraestrutura:
“O asfalto que temos hoje foi viabilizado por mais de R$ 50 milhões destinados pelo governador Coronel Marcos Rocha. Mesmo assim, a prefeitura contraiu uma dívida de R$ 57 milhões para as mesmas finalidades. Estão aumentando água, lixo e agora tentaram o IPTU para cobrir rombos”, afirma o ex-parlamentar.
O que esperar de 2026?
Com o arquivamento do projeto pela atual legislatura, o tema torna-se uma “batata quente” para a próxima gestão. Existe o temor entre a população e lideranças comunitárias de que o vice-prefeito Tony Pablo, que herdará a Prefeitura de Adailton Fúria, possa reintroduzir a matéria no início do próximo ano para garantir a arrecadação prevista no orçamento de R$ 550 milhões.
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