Lourismar Barroso*

HUMAITÁ (AM) – Com sua fachada voltada para o estilo eclético, a prefeitura de Humaitá foi construída no final do século XIX (1889), como um símbolo de esplendor e se destaca dentre as demais construções históricas daquela cidade. Entre os principais pontos ricos em detalhes dessa construção temos: o uso da imitação da coluna dórica – a presença de material nobre, como a pedra e madeira – a planta retangular, geométrica e simétrica – volume corpóreo maciço e bem definido – sistema construtivo mais simples de usar – uso de processo técnico avançado – uso de abóbada de berço ou aresta em suas janelas e portas, imitando o arco greco-romano – o uso da proporção e da simetria – presença de linhas ortogonais e o frontão triangular que se destaca de longe, no seu centro podemos ver o brasão da República do Brasil.

O edifício conhecido na época como “Paço Municipal”, tem 36 janelas imitando o arco romano, todas feitas de madeira nobre da região e possui quatro entradas principais e 2 laterais. O vidro também foi usado em suas janelas. Suas colunas são imitações da antiga coluna grega dórica que surgiram durante o século VII a.C. atingindo seu apogeu na construção do Parthenon.

Suas janelas são grandes, o que permitia a entrada da luz do sol em espaços maiores, a ventilação circulava no ambiente, pois no tempo de sua construção, ainda não havia luz elétrica na cidade de Humaitá.

Na atualidade, o que temos visto é o abandono e o descaso para com a manutenção e conservação dessas construções históricas do centro histórico de Humaitá. Em especial a prefeitura já deveria ter sido tombada pelo patrimônio, mas o que temos visto é  a vegetação tomando conta e ganhando espaço na parte superior dessa construção conforme imagens. Esse tipo de arvoredo aéreo tem causado destruição em patrimônios antigos espalhados pelo Brasil afora. A solução é aplicar um produto específico que possa matar esses tipos de plantas, sem causar danos ao patrimônio. 

Minha maior preocupação é com as fissuras que estão espalhadas na parte externa dessa construção. Ao todo fotografei umas 12 fissuras ou mais.  A solução seria fazer uma amarração por trás, sem alterar a estrutura.

O que causa espanto é que a qualquer momento essa construção poderá vir ao chão, pela falta de manutenção por parte dos agentes públicos. Caso isso venha acontecer, será tarde demais.

O antigo prédio funciona a atual  câmara dos vereadores e talvez outras secretarias, não sei bem ao certo. Antes ali funcionou o cartório do senhor Hildeberto Ferreira de Macedo.

Se conservar é cuidar, devemos portanto zelar por nossa história, nela temos a memória do nosso passado.

*É professor, historiador e escritor, com vários livros sobre a história regional

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