PORTO VELHO – Apontando falta de interesse do Estado em negociar a pauta proposta pela categoria, o Sindicato Médico de Rondônia (Simero) decidiu pela paralisação das atividades nas unidades de Saúde do Estado, mantendo apenas os atendimentos de urgência e emergência, assim como 30% do atendimento em cirurgias eletivas, consultas ambulatoriais e procedimentos que não se caracterizem como urgentes ou emergenciais. Mas não se sabe até que ponto a população será afetada por essa greve, vez que quando tudo está funcionando há filas e reclamações, imagine com falta de efetivo.
Reunião entre representantes da classe médica no gabinete do secretário de Saúde, na manhã desta terça-feira - Foto tirando do celular de um dos participantes
Em comunicado à população, divulgado no site do Simero, a entidade sindical afirmou que, após Assembleia Geral Extraordinária realizada na última quinta-feira, 28, com médicos de diversas unidades do estado. Depois de um longo período de tratativas junto ao Governo do Estado, o Sindicato disse que o processo de negociação foi rompido unilateralmente pelo próprio Governo.
“Diante desse cenário, e não restando outra alternativa, a categoria médica decidiu por unanimidade em Assembleia que entrará em greve a partir deste dia 2 de setembro”, diz o comunicado. O Simero afirma que lamenta profundamente as consequências que a paralisação pode causar à população, mas ressaltou que a decisão é fruto da falta de diálogo e da ausência de compromisso do governo com a saúde pública.
Pelo tom e pelas falas na assembleia da categoria, a greve dos médicos chega carregada de simbolismo político. No cenário da assembleia geral da quinta-feira, por exemplo, os organizadores colocaram uma pedra, representando o novo hospital de urgência e emergência de Rondônia, embaixo de uma faixa informando que ali é o novo hospital de Rondônia.
O novo hospital João Paulo II é uma das promessas do governador Marcos Rocha para a Saúde, chegou-se a fazer uma leilão na Bolsa de Valores e fazer um lançamento com pompas e circunstâncias, mas a empresa vencedora acaba desistindo da obra, depois de muitas desculpas.
Foto autoexplicativa da assembleia geral realizada pelo Simero na quinta-feira, na entrada do Hospital de Base - Foto: Assessoria Simero
Na manhã desta terça-feira, representantes do Simero estiveram reunidos com o secretário de Saúde do Estado, Jefferson Rocha, mas parece que a negociação não avançou, ou pelo menos o que foi apresentado pelo Governo não agradou aos profissionais da saúde, pois a greve continua.
Logo após a reunião, a assessoria da Sesau divulgou nota oficial informando que instituiu um Comitê de Acompanhamento e Negociação de Greve, com a finalidade de reduzir impactos aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com a nota, o Comitê é formado por gestores das unidades hospitalares estaduais, pela gestão da Sesau e por representantes de órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas.
“Foi elaborada a instrução normativa nº 12/2025 – Sesau/Ditec, que define medidas para assegurar a continuidade dos atendimentos de urgência e emergência, além dos serviços essenciais, como hemodiálise, tratamentos oncológicos, acompanhamento de doenças crônicas, pré-natal de alto risco e outros em condições semelhantes”, diz a nota da Sesau.
Assembleia geral dos médicos realizada na última quinta-feira, 28 - Foto: Assessoria Simero
A Sesau reconheceu a legalidade do movimento grevista, mas jura que o diálogo continua aberto. Enquanto isso, quem depende do SUS é quem vai sentir o drama — e esse, todo mundo já conhece de cor: fila, espera, dor e sofrimento.
Nota Oficial
“A Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia (Sesau) informa que instituiu um Comitê de Acompanhamento e Negociação de Greve, com a finalidade de reduzir impactos aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
O Comitê é formado por gestores das unidades hospitalares estaduais, pela gestão da Sesau e por representantes de órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas.
Foi elaborada a Instrução Normativa nº 12/2025 – Sesau/Ditec, que define medidas para assegurar a continuidade dos atendimentos de urgência e emergência, além dos serviços essenciais, como hemodiálise, tratamentos oncológicos, acompanhamento de doenças crônicas, pré-natal de alto risco e outros em condições semelhantes.
A Sesau reconhece a legalidade do movimento grevista, nos termos da Lei nº 7.783/1989, e mantém diálogo permanente com as categorias profissionais, visando conciliar os direitos dos trabalhadores com a proteção dos usuários do SUS”.
www.expressaorondonia.com.br



Reunião entre representantes da classe médica no gabinete do secretário de Saúde, na manhã desta terça-feira - Foto tirando do celular de um dos participantes
Foto autoexplicativa da assembleia geral realizada pelo Simero na quinta-feira, na entrada do Hospital de Base - Foto: Assessoria Simero
Assembleia geral dos médicos realizada na última quinta-feira, 28 - Foto: Assessoria Simero





