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segunda-feira 14 junho 2021

“Estou pronto para exercer minha vocação”, diz médico brasileiro formado na Bolívia

Médica quer prova também para formados no Brasil. “Estrangeiros” estão prontos para a inscrição

PORTO VELHO – Se dependesse dos brasileiros que se formaram em medicina no exterior, esse problema gerado pela lei que permite a contração dos graduados fora do país nem teria acontecido: eles já estavam disponíveis desde o início, porque entendem que tiveram a formação necessária. “Eu me acho em condições de atuar”, garante o médico “estrangeiro” Rodrigo Gomes de Araújo que, sem poder exercer a profissão, paga as contas da vida como motorista de aplicativo em Porto Velho.

Para a médica Janaína A, graduada numa faculdade cubana e que se submeteu ao exame revalida para conseguir seu CRM, defende uma prova também de medição de conhecimentos para os formados no Brasil. “Aqui também temos casos de formados que saem despreparados das faculdades”.

A médica W. Munhoz – hoje trabalhando no Sul do país – fez a prova para validar seu diploma numa faculdade boliviana em 2003, mas passou um ano inteiro fazendo uma complementação para, enfim, conseguir seu CRM. Ela lembra que o sistema de aferição era diferente e muito mais enervante do que agora, porque dependia da boa vontade das faculdades para marcar a prova. “Isso encarecia e dificultava muito mais conseguir o reconhecimento do que agora”.

DOIS CASOS

O médico Lucas William fez o curso de Medicina na Universidade Nacional Ecológica (UNE), em Santa Cruz de la Sierra – Bolivia, concluído em 2019. Desde então, se prepara para o revalida, fazendo alguns cursos paralelos. Sem poder trabalhar para o que estudou tantos anos, Lucas William ganha a vida como funcionário público e preenche o resto do tempo estudando.

“Como muitos colegas que se encontram na mesma condição que eu, tenho certeza que estou preparado para atuar. “Tão logo abram inscrições vou me matricular. Tenho conhecimentos suficientes para atender ao que a lei determina”, disse ele.

OUTRO CASO

Rodrigo Gomes de Araújo, como Lucas William, fez o curso de Medicina na Universidad Nacional Ecológica (UNE), em Santa Cruz de la Sierra – Bolivia, concluído em 2019. “No momento de perplexidade que vivemos, devido a pandemia, a Lei sancionada pelo governador do Estado, é de vital importância para população rondoniense, tendo em vista o elevado número de casos de contaminação e mortos pelo Sars-Cov2, e a grande necessidade de mão de obra qualificada para dar atendimento”, ele afirma.

“Sem dúvida a necessidade desta mão de obra qualificada para o enfrentamento da pandemia, fortalecerá a atenção básica e ajudará a diminuir a jornada extenuante dos colegas Médicos Formados no Brasil”, disse ele.

Sobre sua qualificação, o médico, que sobrevive trabalhando como motorista de aplicativo, diz ter aproveitado o tempo para também estudar. “Hoje me vejo mais preparado para o enfrentamento, nos moldes estabelecidos na Lei estadual em vigor, tendo em vista os inúmeros cursos que realizei oferecidos pela Plataforma vinculada ao Ministério da Saúde (UNA-SUS), cursos esses específicos para o enfrentamento da pandemia”.

Rodrigo está apenas esperando a abertura de cadastramento. “Irei me inscrever e espero a oportunidade de exercer minha vocação, tendo em vista a oportunidade oferecida a nós, Médicos Brasileiros Formados no Exterior, pelo Estado de Rondônia”, concluiu.

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