PORTO VELHO – O retorno do governador Marcos Rocha ao Partido Social Liberal, depois de uma debandada de mais de dois anos, é um ponto de inflexão para a campanha política do ano que vem, quando ele pretende disputar a possibilidade de continuar por mais quatro anos como governador.
Marcos Rocha confirma aquilo que já se comentava há tempos nas conversas políticas locais: ao retornar ao ninho do Partido social Liberal (PSL) – o mesmo pelo qual foi eleito em 2018 e, depois desfiliou-se – pelo visto, pretende se acercar de pessoas de sua estrita confiança para seu novo e cargo, presidir o “pesselê” rondoniense.

Daí que, atendendo sua solicitação, o presidente nacional do partido o deputado federal Luciano Bivar “convidou” o chefe da Casa Civil, Júnior Gonçalves, a assumir a secretaria geral regional, com a missão de organizar a sigla para a disputa do ano que vem – uma indicação que deve merecer atenção dos órgãos de controle.
A nova missão pode levar Júnior Gonçalves a deixar de lado suas obrigações funcionais para viagens seguidas de interesse partidário.
Além de Júnior Gonçalves, comenta-se que o governador pretende lançar como candidata a própria esposa.
O PSL tem muita popularidade em Rondônia, impulsionado nas últimas eleições estaduais, conforme propala o próprio Governo. Mas é uma força duvidosa, porque apenas elegeu um deputado estadual, Eyder Brasil, e um federal, o coronel Chrisóstomo. A eleição, em segundo turno, do próprio governador, deu-se em razão da “onda Bolsonaro”. E só.
Marcos Rocha deixou o PSL há quase dois anos, alegando “solidariedade” ao presidente Jair Bolsonaro – desde então sem partido, e vem tentando de todas as formas se afirmar em sua pretensão de se manter no nono andar do CPA rondoniense.
Mesmo na capital Marcos Rocha já tem pelo menos dois pretensos adversário candidatos a governador: o prefeito Hildon Chaves e o deputado federal Léo Moraes. Poucos acreditem ser possível que as ações agora desenvolvidas pelo governador, o tal do ‘tchau poeira’ nas cidades interioranas, possam lhe render bons frutos, em termos de votos em 2022.
Expurgos
Desde a campanha de 2018 que, apesar do discurso e união para salvar o Brasil se notava um certo ar de união forçada entre o então desconhecido coronel da reserva da PM Marcos Rocha e o coronel (do Exército) João Chrisóstomo, único da chapa eleito deputado federal.

Contudo, os dois fizeram como naquela parábola do porco-espinho que, mesmo ferindo-se uns aos outros, precisavam permanecer unidos para não morrerem congelados.
Passada a tempestade, no entanto – ou melhor as eleições – as diferenças se acentuaram e, além de Chrisóstomo, também se afastou do governador o único deputado estadual eleito pelo PSL, Eyder Brasil, e o empresário Jaime Bagatolli, homem forte do agronegócio no cone Sul de Rondônia e que por pouco não se elege senador, se afastaram do CPA.
Ali naquele conjunto de prédios de vitrais azuis, segundo os mais próximos ao poder, começou a ganhar cara uma equipe indicada pela primeira Dama, a então desconhecida Luana Rocha, que trocou o comanda da Casa Civil e de outras secretarias.
Enquanto Chrisóstomo, Bagatolli e Brasil se articulavam para as próximos eleições tendo o PSL como um porto seguro e imaginando terem deixado o governador emparedado, eis que, quietinho como um bom mineiro, o governador deu-lhes uma rasteira e agora quem tem de procurar outra acomodação para garantir suas candidaturas são eles.
Já o vice-governador José Jodan é um caso à parte.









