É possível sim cancelar concessão e pedágios extorsivos na BR-364 e isso já foi feito em Mato Grosso

“Isso afeta a economia popular, a classe média e o setor produtivo. O encarecimento do transporte acaba sendo repassado para toda a sociedade”, afirma o presidente do Corecon

PORTO VELHO – É possível sim cancelar o projeto de concessão da BR-364 de Porto Velho a Vilhena, livrar o rondoniense de um pedágio extorsivo e debater um modelo que seja justo e  que garanta as melhorias na infraestrutura da rodovia antes de iniciar o pedagiamento. Mas para isso é preciso união de verdade das bancadas de Rondônia, Acre e Amazonas que terão suas economias impactadas pelo modelo que foi implantado.

Acompanhe a fala do presidente do Corecon no vídeo abaixo:

Aos que dizem que isso não é possível, o presidente do Conselho Regional de Economia de Rondônia e Acre, Aroldo Vasconcelos, afirma que o exemplo está ao nosso lado, em Mato Grosso, onde o Governo Federal fez uma concessão de uma rodovia com esse mesmo modelo implantado em Rondônia, mas, pressionados pela população depois de dois anos pagando pedágio sem nenhuma melhoria na estrada, Governo do Estado e bancada federal se uniram e conseguiram cancelar o contrato da concessão.

Uma comprovação da inação da bancada de Rondônia neste processo de concessão é que o ‘trecho da sacanagem’ ficou só em Rondônia e não entra um metro na parte da Br-364 que está em Mato Grosso.

O economista Francisco Aroldo Vasconcelos de Oliveira, presidente do Conselho Regional de Economia de Rondônia e Acre (Corecon-RO/AC), garante que a concessão da BR-364 pode ser revista e defende a reversão do modelo de pedágio implantado no Estado. A declaração foi feita durante entrevista ao jornalista Carlos Araújo, na tarde de quarta-feira (28), no programa ‘Manchetes do Dia’, na Rádio e TV Informa na Hora (disponível no YouTube).

Segundo Aroldo, a cobrança do pedágio tende a produzir um efeito em cascata sobre a economia rondoniense, ao elevar custos logísticos e impactar diretamente os preços de produtos e serviços. “Isso afeta a economia popular, a classe média e o setor produtivo. O encarecimento do transporte acaba sendo repassado para toda a sociedade”, afirma.

O presidente do Corecon critica a falta de debate público prévio à concessão e sustentou que instrumentos legais e contratos administrativos podem ser revistos quando há impacto social relevante e questionamentos sobre o processo decisório. “Nada é imutável. Leis e contratos podem e devem ser reavaliados quando não atendem ao interesse coletivo”, disse, ao citar exemplos de revisões ocorridas em outros estados.

Durante a entrevista, Aroldo destacou a importância estratégica da BR-364 para Rondônia, classificando a rodovia como o principal eixo de integração econômica do Estado. Ele lembrou que a estrada conecta os maiores polos urbanos e produtivos e sustenta o fluxo de mercadorias que abastece tanto o mercado interno quanto cadeias de exportação. Nesse contexto, avaliou que decisões relacionadas à rodovia precisam considerar o impacto de longo prazo sobre o desenvolvimento regional.

O economista também contextualiza o crescimento da economia rondoniense nas últimas décadas, impulsionado pela agropecuária e pela chamada economia de fronteira com Mato Grosso. Ele citou a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e o aumento do rebanho bovino como indicadores de uma vocação produtiva consolidada, que depende de infraestrutura eficiente e custos competitivos.

Além do pedágio, Aroldo aponta outros fatores que pressionam o custo de vida em Rondônia, como tarifas elevadas de energia e a carga tributária sobre serviços essenciais. Para ele, o debate eleitoral que se aproxima deveria priorizar propostas concretas voltadas à produtividade, à redução de entraves econômicos e à melhoria do ambiente de negócios.

Ao final da entrevista, o presidente do Corecon defende maior protagonismo da sociedade civil no debate público. Segundo ele, imprensa, entidades técnicas e setor produtivo precisam participar ativamente das discussões para que o futuro do Estado não fique restrito a decisões políticas sem amplo diálogo.

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