Dólar abre em queda, com eleições ainda no radar e à espera do Fed




Bolsa cai e dólar sobe após vitória de Lula; economista explica reação do mercado
O dólar abriu a sessão desta terça-feira (27) em queda, com um recuo de 0,06% perto das 9h, cotado a R$ 5,3992. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
Na véspera, a moeda americana teve a maior alta diária desde 1999, com avanço de 8,21%, a R$ 5,4027. Já o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, no pior resultado desde março de 2020, durante a pandemia de Covid-19.
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O resultado das eleições presidenciais no Brasil continua a mexer com os negócios nesta terça-feira, conforme investidores e empresários cobram novos sinais de reajuste fiscal por parte do governo. No exterior, o foco fica com a nova decisão de juros dos Estados Unidos, prevista para amanhã. A eleição em Israel e os preços do petróleo também ficam no radar.
▶️ A vitória de Lula (PT) muda o cenário esperado pelo mercado para juros, câmbio, bolsas e as contas do governo. Em meio a preocupações com a dívida pública, investidores e empresários cobram um reajuste fiscal do governo. O temor é que haja uma piora das condições financeiras, com crédito mais caro e uma possível nova alta da Selic caso o dólar pressione a inflação.
▶️ No exterior, investidores continuam a acompanhar os preços do petróleo, em meio aos esforços diplomáticos para aliviar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ainda assim, preocupações sobre possíveis novas interrupções no fornecimento da commodity continuam a pairar no mercado.
Em meio ao noticiário, o barril do Brent, referência internacional, subiu, cotado a US$ 117.12. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, teve perdas de 0,34%, a US$ 102,92 o barril.
▶️ Ainda no cenário internacional, reuniões de juros de vários bancos centrais ficam na mira. A principal expectativa dos investidores é pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para quarta-feira, e que pode trazer mais uma alta de juros no país. Para o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), a projeção do mercado é de manutenção das taxas.
Entenda por que as eleições mexem tanto com o dólar e a bolsa.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -8,21%;
Acumulado do mês: -4,41%;
Acumulado do ano: -1,57%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -0,17%
Acumulado do mês: +10,06%;
Acumulado do ano: +27,28%.
Vitória de Lula muda projeções do mercado
A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais nesta segunda-feira (26).
Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas.
Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.
Com as fortes oscilações, a B3 acionou o circuit breaker e interrompeu as negociações do Ibovespa já nos primeiros minutos do pregão.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Ainda assim, especialistas destacam que o governo pode tentar ganhar de volta a confiança do mercado.
“Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.
Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir um recuo de 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora.
Especificamente nesta segunda-feira, no entanto, a B3 anunciou um novo limite de 20% para que o mecanismo seja acionado pela segunda vez.
Mercados argentinos despencam após reeleição de Lula
Os ativos argentinos registravam uma forte queda nesta segunda-feira, acompanhando o recuo nos mercados de seu principal parceiro econômico, o Brasil, após a confirmação da reeleição de Lula. O MSCI Merval, índice de ações do país, caía 4,50% perto das 12h.
“O contágio desse clima de pessimismo aos ativos argentinos parece irreversível e pode ser igualmente significativo […] num mundo que enfrentará sucessivas eleições importantes nos próximos meses — entre elas, em Israel, nos Estados Unidos e na França —, uma lição para os investidores volta a ser que toda previsão pode falhar”, disse o economista Gustavo Ber.
A Argentina realizará eleições presidenciais em 2027, nas quais o presidente Javier Milei buscará a reeleição.
Risco de disputa na Justiça
Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça.
Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters.
As maiores quedas do Ibovespa
Entre as ações com maiores perdas, Magazine Luiza liderou a lista, com queda de 58,23%, seguida por Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%). Papéis de empresas ligadas ao consumo, ao varejo e ao mercado imobiliário também registravam baixas expressivas.
A onda de perdas na bolsa atingiu também algumas das maiores empresas do mercado brasileiro, cujas ações têm peso relevante no Ibovespa.
As 10 maiores quedas do Ibovespa em 26 de outubro
Arte/g1
Conhecidos como “blue chips”, esses papéis incluem os de grandes bancos, da Petrobras e da Vale, mas tiveram desempenhos diferentes no pregão desta segunda-feira.
Entre os bancos, o Banco do Brasil registrou a maior queda, de 27,31%. As ações preferenciais do Bradesco recuaram 21,70%, enquanto as ordinárias caíram 20,65%. O BTG Pactual perdeu 24,83%, e o Itaú Unibanco teve baixa de 13,66%.
A Petrobras também fechou em queda, com recuo de 8,18% nas ações preferenciais e de 6,81% nas ordinárias.
👉 O desempenho dessas empresas tem impacto importante sobre o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, porque cada ação tem um peso diferente em sua composição. Quanto maior essa participação, maior a influência da variação do papel sobre o resultado do indicador.
Ibovespa desaba após reeleição de Lula e ações recuam até 58%; veja as maiores quedas
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar vive disparada nos últimos dias
Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo
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