Demora no socorro indigna população após acidente com motociclistas em Cacoal

CACOAL — Um grave acidente de trânsito ocorrido na noite de domingo, 13, em Cacoal reacendeu críticas da população à centralização dos serviços de emergência do estado. O caso aconteceu na interseção das ruas Antônio de Paula Nunes e Marquês de Pombal e envolveu duas motocicletas. A condutora de uma das motos, uma mulher que não teve a identidade divulgada, sofreu uma fratura no punho direito e permaneceu por mais de uma hora e meia caída no local, gritando de dor, à espera de atendimento médico.

A situação comoveu e revoltou moradores e comerciantes da região, que tentaram, sem sucesso, agilizar o socorro por meio de ligações para o número 190. Apesar da gravidade da situação e das diversas tentativas de contato, a ambulância demorou a chegar. A Polícia Científica foi a primeira a atender a ocorrência, iniciando os procedimentos periciais enquanto a vítima ainda agonizava de dor.

De acordo com testemunhas, a lentidão no atendimento se deve, em parte, à recente mudança implementada pelo Governo do Estado de Rondônia, que centralizou os atendimentos de emergência na cidade de Ji-Paraná. Essa decisão, que unificou as centrais de chamada para o número 190 em uma única sede, vem sendo alvo de duras críticas em diversas cidades do interior, sobretudo em situações como esta, em que o tempo de resposta pode ser determinante para salvar vidas ou evitar sequelas permanentes.

Moradores relataram congestionamento nas linhas telefônicas e, em alguns casos, dificuldade até mesmo para se fazer entender com os atendentes, devido à distância e ao desconhecimento das realidades locais por parte dos operadores de Ji-Paraná.

“É desumano. Ver uma mulher ferida, gritando de dor, e não conseguir socorro porque o telefone de emergência está congestionado ou demora para entender o que está acontecendo. Isso não pode continuar assim”, desabafou um morador que testemunhou o acidente.

A medida de centralização foi adotada sob a justificativa de economia e maior controle, mas tem mostrado efeitos colaterais preocupantes. Entidades da sociedade civil, vereadores e lideranças comunitárias de Cacoal já manifestaram preocupação com a precarização do atendimento emergencial e devem cobrar explicações do Governo do Estado e da Secretaria de Segurança Pública.

Enquanto isso, a vítima do acidente foi finalmente socorrida após uma longa espera e levada ao hospital para procedimentos médicos. Ainda não há informações atualizadas sobre seu estado de saúde.

O caso reacende a discussão sobre a eficácia das políticas públicas adotadas no setor de segurança e saúde e a necessidade urgente de descentralizar os atendimentos para garantir que a população tenha acesso rápido e eficiente a serviços essenciais, especialmente em momentos críticos como o vivido na noite deste domingo em Cacoal.



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