Conselho Brasileiro de Oftalmologia exorta Governo a oferecer atendimento nos postos de saúde, ao invés de fazer mutirão de cirurgia

BRASÍLIA (17-03) – A ocorrência de surto de infecção ocular em Rondônia, após um mutirão de cirurgias recentemente motivou posicionamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) que se manifesta em nota, com uma conclusão que este expressaorondonia já observa e questiona há algum tempo. Por quê, ao invés de gastar recursos para realizar estes mutirões, os gestores da Saúde não ampliam a presença dos especialistas no aparelho da visão nos postos de saúde? Essa facilitação do acesso dos pacientes a diagnóstico e tratamento precoces de doenças oculares, aumenta as chances de cura.

A constatação de pelo menos 40 casos de endoftalmite (infecção ocular pós cirúrgicos) registrados após mutirão de cirurgias oftalmológicas ocorrido em fevereiro, em Porto Velho, levou o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) a cobrar de secretários estaduais e municipais de Saúde a observação pelos gestores de critérios técnicos e sanitários rígidos para realização de atendimento em escala. Segundo o presidente do CBO, Cristiano Caixeta Umbelino, ao não atender essas exigências os promotores dessas iniciativas estão colocando em risco a saúde da população.

“A situação registrada em Rondônia é fato grave a ser devidamente apurado pelas autoridades competentes, sendo que o Governo e responsáveis pela ação devem oferecer suporte às vítimas, com garantia de tratamento para evitar prejuízos irreparáveis à visão”, pontuou o CBO em nota pública, que também foi encaminhada aos Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais e Municipais de Saúde (Conass e Conasems).

Demanda

Para o CBO, os mutirões, que têm sido adotados como forma de dar vazão à demanda reprimida por atendimento especializado, nem sempre seguem as recomendações que trazem maior segurança aos pacientes. Essas falhas operacionais podem gerar complicações, com efeitos deletérios importantes, como aconteceu no mutirão de três dias organizado pela Secretaria de Saúde do Estado de Rondônia (Sesau). Por dia, teriam sido atendidos em torno de 120 pacientes, conforme apuração do Conselho Regional de Medicina (Cremero).

A endoftalmite registrada em Rondônia é uma infecção no interior do olho, considerada emergência médica. Problemas ocorridos durante procedimentos, como cirurgia ocular, lesão ocular ou infecção na corrente sanguínea podem causar esse quadro, caracterizado por intensa dor e vermelhidão nos olhos. Os pacientes devem ser avaliados por médicos oftalmologistas, sendo que em determinadas situações pode ocorrer comprometimento da visão.

Oportunidade

Na nota divulgada, o CBO afirma que a denúncia, que está em apuração, deve ser entendida “como oportunidade para se reforçar parâmetros de segurança com o objetivo de reduzir chances de que situações semelhantes, ou em menor proporção, voltem a ocorrer. Neste sentido, a entidade médica defende que os organizadores dos mutirões adotem providências, como, realizar atendimentos em “ambientes adequados, na presença de médicos e de equipes capacitados para sua realização e sempre com o suporte de equipamentos, insumos e medicamentos necessários”.

Os oftalmologistas pedem ainda que seja feito planejamento prévio para evitar a sobrecarga de infraestruturas e de recursos humanos, bem como bom atendimento, em todas as etapas (antes, durante e após o procedimento). De modo complementar, como ação preventiva, o CBO pede aos gestores que ampliem a presença dos especialistas no aparelho da visão nos postos de saúde, “facilitando o acesso dos pacientes a diagnóstico e tratamento precoces de doenças oculares, aumentando-lhes as chances de cura e/ou controle de agravos, às vezes, sem necessidade cirurgias e/ou outros procedimentos invasivos.

“Insistir na organização de ações deste tipo, em grande escala, sem seguir recomendações preconizadas revela atitude temerária, que expõe a população, em especial os grupos mais vulneráveis, a desdobramentos que podem levar ao adoecimento e à perda irreversível da visão (parcial ou integral)”, finaliza o presidente do CBO.

Fonte: Assessoria



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