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domingo 28 novembro 2021

Ambientalistas lutam para salvar o sofrido Rio Anta, na Zona da Mata de Rondônia

Campanha em grupo de WathsApp e cards na internet divulgam ações preservacionistas em Rolim de Moura

ROLIM DE MOURA No Dia do Rio, lembrado em 24 de novembro, a Aruana – Ação Ambiental na Amazônia comemora o plantio de centenas de árvores neste município da Zona da Mata de Rondônia, a 481 quilômetros de Porto Velho. E denuncia: depois de 40 anos, o Rio Anta está esgotado pelo alto consumo d’água por três frigoríficos e pela população. “Quando a fonte seca é que se dá valor à água”, é o mantra da Aruana. É urgente salvá-lo.

Formado por professores e universitários, o grupo Aruana era apenas informal, com algumas ações esporádicas, explicou a ambientalista Luza Amaral. Agora se multiplica: “São os semeadores de árvores em Rolim de Moura , os Aruanas”, ela disse. No sábado passado integrantes do grupo plantaram ipês no bairro Buritis.

O grupo plantou árvores no município e denunciou a poluição em rios e igarapés. “E tem muita,” lamentou o presidente da entidade, Fabiano Coelho Gomes, 61 anos, 40 deles vividos na região.

Fabiano Gomes, que se submeteu a uma cirurgia, contou ao Expressão o drama ambiental de Rolim de Moura

ABASTECEU A CIDADE DURANTE 40 ANOS

De captador de agua para a cidade, o Rio Anta passou a captar água servida. E no ar, com a iminente poluição de agrotóxicos provocada pelo uso desse produto em lavouras de soja e nas pastagens da região, a ameaça ambiental é tanto quanto pior. “Nosso projeto prevê atuação perene para evitar o agravamento da situação”, disse Gomes.

Um grupo de WathsApp propõe salvar o Rio Anta, que tem nascente na vizinha Alta Floresta d’Oeste e deságua no Rio Machado, é um principais rios que cortam quatro quilômetros dentro de Rolim de Moura.

Segundo Fabiano, a bacia hidrográfica do Rio Anta está devastada: “Ele corta a cidade e durante 40 anos serviu água à população, mas a ocupação desordenada com a consequente construção de casas à beira desse rio, despejando nele detritos de fossas e esgotos, o tornou impraticável”.

Gomes acredita que a cobrança é dirigida à sociedade de uma forma geral, pois foi ela quem consumiu a água do rio por mais de quatro décadas, e atualmente se depara com o esgotamento causado pela necessidade industrial.

“Três frigoríficos locais também esgotaram o rio, ele está seco”, lamentou. Essas empresas tiveram que apelar ao abastecimento no Rio Bambu e no Rio D’Alencourt, a 30 quilômetros da cidade.

CRIANÇAS SERÃO MOBILIZADAS

O grupo Aruana, nascido em 11 de dezembro de 2020, pretende recuperar o rio no seu entorno urbano. A proteção de rios, na visão dos ambientalistas é também proporcionada pela manutenção eco-hidrológica da região, beneficiando populações do campo e da cidade. A eco-hidrologia busca integrar conhecimentos da hidrologia aos da ecologia, criando uma abordagem mais ampla para a compreensão da dinâmica dos recursos hídricos.

A rede municipal de ensino também será mobilizada para educar as crianças em relação ao despejo adequado do lixo; plantio de mudas; preservação de matas ciliares; e a construção de áreas de convivência social à beira do rio. “A reciclagem e o aproveitamento do lixo será prioritária; queremos a logística reversa, Sedam e Ibama serão cobrados”, anunciou Gomes.

Secretarias municipais serão também acionadas, ele alertou. Gomes observa a existência de ocupações propositais de áreas com o uso de fogo para inutilizá-las, com a consequente desvalorização, ao mesmo tempo em que acarreta problema à administração pública. “O ciclo devastador é esse”.

A cooperativa Recicop, lembrou, atualmente recolhe entre 30% e 40% do lixo coletado na cidade e o envia para São Paulo, proporcionando salários aos seus mais de 20 associados. No ano passado, a Aruana firmou parceria com a Universidade Federal de Rondônia (Unir) , Corpo de Bombeiros e Polícia Ambiental, para combater incêndios no Parque Municipal e em sítios próximos à cidade.

Professor Juscelino carrega muda de ipê no Jardim Buriti, em Rolim de Moura

CUIDADOS ESSENCIAIS

Mensagem da Aruana que circulou nas redes sociais em 24 de novembro de 2021:

“Neste Dia do Rio, reforçamos a importância de cuidar deste importante recurso, uma responsabilidade que é de todos nós e começa com pequenas ações.
Além de não desmatar, devemos descartar corretamente nosso lixo, especialmente plásticos, e recolher aqueles resíduos que geramos nos passeios que fazemos para nadar com os amigos, por exemplo. Somos parte desse ecossistema e zelar por ele é zelar por todas as vidas!”.

“Queremos dizer que não pretendemos parar por aqui, vamos expandir nossa área de atuação”, disse Luza Amaral. A Aruana conseguiu a parceria da Unir e já possui o apoio do Conselho Municipal do Meio Ambiente.

A próxima meta da entidade é formalizar um comitê pró-água reunindo segmentos comprometidos com o meio ambiente.
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Saiba mais, participe do grupo Ajude a salvar o Rio Anta. Copie e coloque na barra do seu computador: https://chat.whatsapp.com/IdX9fId9zrpLNLXcHI6ctk

MONTEZUMA CRUZ
Fotos Assessoria Aruana

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