PORTO VELHO – Vítima de armação política ou não, o comandante-geral da Polícia Militar de Rondônia, coronel Alexandre Almeida, deverá ser exonerado do comando nesta sexta-feira. As denúncias de assédio sexual contra ele, tornadas públicas nesta quinta-feira pela Associação dos Praças e Familiares da PM e Bombeiros Militar de Rondônia – Assfapom, deixam o oficial superior em condições políticas muito vulneráveis.
O contexto do momento em que vem a público as denúncias contra o comandante, por uma conjunção de fatores, o deixam inconfortável, na marca do pênalti. O governador Marcos Rocha vive um bom momento e já desfrutaria um pouco do clima de pré-campanha para a reeleição. Desta maneira, não haveria espaço nem tempo a perder para administrar desgastes desse tipo.

Rocha e sua esposa, a secretária do desenvolvimento social Luana Rocha, são evangélicos. E, segundo contam os bastidores, ela tem forte ascendência sobre o governador. Se tem algo que não suporta é conviver com pessoas que se dizem evangélicas, mas caem na tentação do adultério.
O histórico do comportamento do governo em relação a auxiliares que se envolvem nesse tipo de problema é outro indicativo de que a passagem do coronel Almeida pelo comando da corporação seria mesmo abreviado.
Ainda conforme as informações de bastidores, outro militar de alta patente do ciclo de assessores próximos ao governador envolveu-se em situação semelhante, mas o caso sequer chegou a vir a público como acontece agora com o coronel Almeida.
Segundo fontes do expressaorondonia, no caso do militar que assessorava o governador, a situação foi abafada pela Casa Militar. Até houve tentativa de mantê-lo no cargo, entretanto, Rocha teria sido convencido pelos fortes argumentos da esposa a fazer necessária assepsia nesse ciclo de assessores mais próximos.

No caso das acusações contra o atual comandante da PM de Rondônia, tornadas públicas pela Assfapom, uma associação que congrega policiais e seus familiares, porém, com forte atuação político-partidária – o que levanta suspeita de vazamento intencional do boletim de ocorrência contra o coronel teria o agravante de envolver o comandante da corporação, adultério e assédio sexual. Um coquetel fatal à carreira do coronel Almeida como comandante da corporação.
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Leia matéria publicada no site da Assfapom, na qual Comandante Geral da PM de Rondônia é acusado de assediar sexualmente oficial feminina
A Associação dos Praças e Familiares da PM e BM RO – ASSFAPOM, teve acesso a uma ocorrência registrada na Delegacia da Mulher em Porto Velho, por uma oficial da Polícia Militar de Rondônia, que alega ter sido assediada sexualmente por mais de um ano pelo atual comandante geral, Coronel Alexandre Luís de Freitas Almeida.
De acordo com as informações contidas no Boletim de Ocorrência, a oficial trabalhou por mais de um ano com o comandante e, neste período, passou a notar atitudes diferentes de Almeida, que já tentou beijá-la no rosto quando esteve a sós com a vítima dentro de uma viatura oficial da cooperação, durante viagem para o município de Cacoal.
Segundo a vítima, Almeida insistiu por diversas vezes em lhe dar presentes, mas ela não aceitava. O coronel também prometeu que lhe mandaria para Brasília, por ter influência, para que ela ficasse à disposição da Secretaria Nacional de Segurança Pública – Senasp e assim que a transferência fosse realizada, largaria tudo para ir morar com ela na capital federal. Ao ter a recusa de sua proposta, Almeida não tocou mais no assunto de Brasília e irritado, transferiu a oficial para outra unidade sem qualquer comunicado, apenas para mostrar que quem manda é ele.
Consta no Boletim ainda que o Comandante é casado e sua esposa passou a perseguir a vítima lhe acusando de ser amante do seu marido, conforme consta no boletim. Além de ser perseguida pelo comandante geral, passou a ser ameaçada pela esposa do comandante. A companheira de Almeida passou a ir na casa da vítima, local em que importunou sua mãe com várias perguntas sem cabimento, foi atrás da oficial na academia em que realiza suas atividades físicas, onde praticou inúmeras ameaças e xingamentos.
Se sentido contrariado porque a vítima não cedia as suas chantagens, o comandante da PM está há pelo menos 40 dias tentando transferir a vítima para alguma unidade no interior de Rondônia. O caso foi registrado contra Almeida pelo crime de assédio sexual e contra sua esposa pelo crime de ameaça.
A associação vai buscar todos os meios legais para que esse caso não seja abafado e que o Ministério Público apure com rigor os fatos noticiados na ocorrência.









