
Bolsa de Valores aciona ‘circuit breaker’
O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (26), com um avanço de 8,21%, cotado a R$ 5,4027. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,6048. Foi a maior alta percentual da moeda em um único dia desde 18 de janeiro de 1999, quando a moeda disparou 11,35%.
Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve as negociações interrompidas por 30 minutos após registrar queda de mais de 10% nos primeiros minutos do pregão. Quando os negócios foram retomados, o índice chegou a recuar mais de 17%. Ao fim do dia, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos. Foi a maior baixa percentual diária desde 16 de março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, quando o indicador caiu 13,92%.
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🔎 Circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados. Saiba mais.
O resultado do 2º turno das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão. Com a reeleição de Lula (PT), a expectativa é que os investidores reavaliem suas projeções para os juros, o câmbio e as contas públicas. O Boletim Focus e novos dados econômicos também ficam no radar. Entenda por que as eleições mexem tanto com o dólar e a bolsa.
Veja como ficou a apuração final do 2º turno
MAPA DA VIRADA: onde Lula avançou e como votação de Flávio Bolsonaro mudou entre o 1º e o 2º turno
▶️ A vitória de Lula (PT) muda o cenário esperado pelo mercado. Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história.
Os juros futuros, que mostram as expectativas do mercado para as taxas de juros nos próximos meses e anos, registravam forte alta nos contratos mais longos.
▶️ Na agenda econômica, o Boletim Focus fica no centro das atenções. O documento, que reúne as projeções do mercado para a economia brasileira, ainda não incorporou uma reação do mercado à vitória de Lula no domingo (25), uma vez que as expectativas foram coletadas até sexta-feira. Dados de confiança do investidor e investimento estrangeiro direto também ficam no radar.
▶️ No exterior, investidores continuam a acompanhar os preços do petróleo, em meio aos esforços diplomáticos para aliviar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ainda assim, preocupações sobre possíveis novas interrupções no fornecimento da commodity continuam a pairar no mercado.
Em meio ao noticiário, o barril do Brent, referência internacional, subiu, cotado a US$ 117.12. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, teve perdas de 0,34%, a US$ 102,92 o barril.
▶️ Ainda no cenário internacional, reuniões de juros de vários bancos centrais ficam na mira. A principal expectativa dos investidores é pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para quarta-feira, e que pode trazer mais uma alta de juros no país. Para o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), a projeção do mercado é de manutenção das taxas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -8,21%;
Acumulado do mês: -4,41%;
Acumulado do ano: -1,57%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -0,17%
Acumulado do mês: +10,06%;
Acumulado do ano: +27,28%.
Vitória de Lula muda projeções do mercado
A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais nesta segunda-feira (26).
Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas.
Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.
Com as fortes oscilações, a B3 acionou o circuit breaker e interrompeu as negociações do Ibovespa já nos primeiros minutos do pregão.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Ainda assim, especialistas destacam que o governo pode tentar ganhar de volta a confiança do mercado.
“Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.
Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir um recuo de 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora.
Especificamente nesta segunda-feira, no entanto, a B3 anunciou um novo limite de 20% para que o mecanismo seja acionado pela segunda vez.
Mercados argentinos despencam após reeleição de Lula
Os ativos argentinos registravam uma forte queda nesta segunda-feira, acompanhando o recuo nos mercados de seu principal parceiro econômico, o Brasil, após a confirmação da reeleição de Lula. O MSCI Merval, índice de ações do país, caía 4,50% perto das 12h.
“O contágio desse clima de pessimismo aos ativos argentinos parece irreversível e pode ser igualmente significativo […] num mundo que enfrentará sucessivas eleições importantes nos próximos meses — entre elas, em Israel, nos Estados Unidos e na França —, uma lição para os investidores volta a ser que toda previsão pode falhar”, disse o economista Gustavo Ber.
A Argentina realizará eleições presidenciais em 2027, nas quais o presidente Javier Milei buscará a reeleição.
Risco de disputa na Justiça
Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça.
Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters.
As maiores quedas do Ibovespa
Entre as ações com maiores perdas, Magazine Luiza liderou a lista, com queda de 58,23%, seguida por Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%). Papéis de empresas ligadas ao consumo, ao varejo e ao mercado imobiliário também registravam baixas expressivas.
A onda de perdas na bolsa atingiu também algumas das maiores empresas do mercado brasileiro, cujas ações têm peso relevante no Ibovespa.
As 10 maiores quedas do Ibovespa em 26 de outubro
Arte/g1
Conhecidos como “blue chips”, esses papéis incluem os de grandes bancos, da Petrobras e da Vale, mas tiveram desempenhos diferentes no pregão desta segunda-feira.
Entre os bancos, o Banco do Brasil registrou a maior queda, de 27,31%. As ações preferenciais do Bradesco recuaram 21,70%, enquanto as ordinárias caíram 20,65%. O BTG Pactual perdeu 24,83%, e o Itaú Unibanco teve baixa de 13,66%.
A Petrobras também fechou em queda, com recuo de 8,18% nas ações preferenciais e de 6,81% nas ordinárias.
👉 O desempenho dessas empresas tem impacto importante sobre o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, porque cada ação tem um peso diferente em sua composição. Quanto maior essa participação, maior a influência da variação do papel sobre o resultado do indicador.
Ibovespa desaba após reeleição de Lula e ações recuam até 58%; veja as maiores quedas
Quando foi a última vez que o circuit breaker foi acionado?
A última vez que a B3 precisou ativar o mecanismo de interrupção de negócios do Ibovespa, conhecido como “circuit breaker”, foi durante a pandemia de Covid-19, em 2020.
Naquele momento, o índice chegou a cair mais de 14% em um dia, em meio à preocupação com os desdobramentos do coronavírus e a deterioração dos mercados financeiros globais.
Essa, no entanto, não foi a única vez que a B3 acionou esse mecanismo. Entre os episódios marcantes em que o circuit breaker foi acionado, estão:
1997 – Crise asiática: queda de 10,19% no Ibovespa.
1999 – Desvalorização do real: Ibovespa caiu 10,29% no dia.
2008 – Crise do subprime nos EUA: houve seis interrupções em menos de um mês.
2020 – Pandemia de covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março, algo inédito na história da bolsa brasileira.
Alguns outros momentos de forte queda do Ibovespa foram:
24/04/2020: -5,45% após saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça;
28/10/2020: -4,25%, com aumento dos casos de Covid-19 e proximidade das eleições nos EUA;
22/02/2021: -4,87% após intervenção do governo de Jair Bolsonaro na Petrobras;
05/12/2025: -4,31% após pré-candidatura de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026.
Quedas da bolsa em dia de Circuit Breaker
Arte g1
Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história
Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026.
Arte/g1
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar.
Jornal Nacional/ Reprodução
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