Doenças reumáticas também podem afetar coração, pulmões, rins e olhos

Médica que realiza atendimento em reumatologia explica como doenças autoimunes podem comprometer diferentes órgãos e quais sinais exigem avaliação médica

PORTO VELHO – As doenças reumáticas são frequentemente associadas a dores e inflamações nas articulações, mas algumas podem atingir diferentes órgãos do corpo. Coração, pulmões, rins, olhos, pele, vasos sanguíneos e até o sistema nervoso podem ser comprometidos, principalmente nos casos de doenças autoimunes.

Segundo a doutora Natália Correia, médica e professora da Afya São Lucas, que realiza atendimento em reumatologia, isso ocorre porque, nas doenças autoimunes, o sistema imunológico reage de forma inadequada contra estruturas do próprio organismo, provocando inflamação em diferentes tecidos.

Entre as doenças que podem apresentar manifestações sistêmicas estão lúpus eritematoso sistêmico, esclerose sistêmica, artrite reumatoide, vasculites, miopatias inflamatórias, síndrome de Sjögren e doença mista do tecido conjuntivo.

Órgãos afetados

O tipo de comprometimento varia conforme a doença e as características de cada paciente. No coração, por exemplo, pode ocorrer inflamação do pericárdio. Nos pulmões, algumas doenças estão associadas à pleurite ou à doença pulmonar intersticial. Os rins também podem ser atingidos, como acontece na nefrite lúpica.

No lúpus, além dos rins, podem ocorrer alterações no coração, nos pulmões, no sistema nervoso e no sangue. Na esclerose sistêmica, pulmões, coração e rins exigem atenção especial.

Já na artrite reumatoide, embora as articulações estejam entre as principais áreas afetadas, também pode haver comprometimento pulmonar e aumento do risco cardiovascular.

Sinais de alerta

Alguns sintomas podem indicar que a doença reumática está atingindo outros órgãos. Entre os sinais que merecem avaliação médica estão falta de ar que não existia anteriormente, dor no peito, palpitações, inchaço nas pernas, alterações importantes da pressão arterial e mudanças na urina.

Urina muito espumosa ou com sangue, alterações visuais, dor ou vermelhidão nos olhos, fraqueza muscular intensa e sintomas neurológicos também devem ser investigados.

A Dra. Natália Correia alerta, porém, que o comprometimento nem sempre provoca sintomas no início. Alterações renais, por exemplo, podem evoluir de maneira silenciosa, o que reforça a importância dos exames periódicos durante o acompanhamento.

Diagnóstico precoce 

A identificação e o controle da doença o mais cedo possível podem reduzir crises e diminuir o risco de danos permanentes aos órgãos.

“Hoje, o objetivo do tratamento não é simplesmente aliviar a dor”, explica a Dra. Natália Correia.

Em doenças como o lúpus, o tratamento busca alcançar remissão ou baixa atividade da doença, prevenir novos danos e reduzir os efeitos adversos dos medicamentos.

Com diagnóstico, tratamento e acompanhamento adequados, muitos pacientes conseguem manter atividades como trabalho, estudo e prática de exercícios físicos.

Acompanhamento

Nem todas as pessoas com doença reumática precisam ser acompanhadas por vários especialistas. Em geral, o reumatologista coordena o tratamento e avalia quando há necessidade de outros profissionais.

Nos casos de comprometimento renal, pode ser necessário acompanhamento com nefrologista. Alterações pulmonares podem exigir avaliação de pneumologista, enquanto problemas cardiovasculares ou oculares podem envolver cardiologista e oftalmologista.

Além de seguir corretamente o tratamento e não suspender medicamentos por conta própria, alguns hábitos ajudam no controle da doença e na prevenção de complicações.

Não fumar, praticar atividade física de forma individualizada, manter alimentação equilibrada e peso adequado estão entre as principais recomendações. Também é importante manter a vacinação atualizada e controlar pressão arterial, colesterol e glicemia.

Em doenças como o lúpus, a proteção contra a exposição solar também é importante. Sono adequado, cuidado com a saúde mental e realização regular de consultas e exames completam as medidas de acompanhamento.

Quando se preocupar 

A doutora Natália Correia também alerta para o hábito de atribuir dores frequentes apenas à idade ou à rotina.

Nem toda dor indica uma doença reumática ou autoimune, mas sintomas que persistem durante semanas, interferem no sono ou nas atividades diárias ou aparecem acompanhados de inchaço nas articulações, rigidez prolongada pela manhã, fraqueza, febre recorrente ou alterações na pele e nos olhos devem ser avaliados.

“A idade, por si só, não deve ser usada como explicação para tudo”, afirma a Dra. Natália Correia.

Segundo a doutora Natália Correia, reconhecer os sinais e procurar avaliação médica no momento adequado pode evitar danos e ajudar a preservar a qualidade de vida.

Fonte: Assessoria Afya
www.expressaorondonia.com.br

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