Silvanete Ribeiro – A força da mulher negra de uma ativista invisível na luta pela terra e pela dignidade

O Amazônia, Gente e Justiça tem o compromisso de aproximar a universidade da comunidade

PORTO VELHO – Há histórias que revelam a Amazônia muito além dos números. São histórias de quem planta, produz, enfrenta estradas difíceis, cuida da família e encontra forças para lutar não apenas por si, mas por toda uma comunidade.

Uma dessas histórias é a de Silvanete de Jesus Ribeiro, presidente da Asprol Nova Esperança e liderança que levou ao programa Amazônia, Gente e Justiça a realidade vivida pelas famílias da zona rural de Porto Velho.

Em sua fala, Silvanete traz inquietantes questões do cotidiano de quem vive da terra: regularização fundiária, estradas, saúde, educação e fortalecimento da agricultura familiar. Demandas que, no campo, podem significar a diferença entre permanecer na terra ou ser obrigado a deixá-la.

Mas sua história vai muito além das reivindicações.

Silvanete é mulher negra, agricultora e liderança comunitária. Sua trajetória representa tantas mulheres amazônicas que trabalham na roça, sustentam suas famílias, organizam suas comunidades, muitas vezes sem o devido reconhecimento, e transformam dificuldades em resistência e esperança.

A fotografia que acompanha esta matéria traduz essa realidade. Não há cenário preparado. Há terra, trabalho e gente. É nesse chão que Silvanete constrói sua história e encontra forças para defender aqueles que, como ela, desejam condições dignas para produzir e viver.

Sua voz nos lembra que agricultura familiar não é somente produção. É alimento, renda, pertencimento, permanência no campo e futuro para as próximas gerações.

 

O Amazônia, Gente e Justiça, apresentado pelos professores Delson Xavier e Marcus Rivoiro, nasce desse compromisso: aproximar Universidade e comunidade e abrir espaço para que a Amazônia seja contada pela voz de quem nela vive.

Silvanete deixa uma mensagem que permanece depois da entrevista: sua luta é a luta de muitas mulheres negras amazônicas que, com os pés na terra e coragem para seguir adiante, recusam a invisibilidade e fazem da própria voz um instrumento de transformação.
Porque, por trás de cada pedaço de terra cultivado, existe uma história. E, em muitas delas, existe uma mulher como Silvanete lutando para que ninguém seja deixado para trás.

Por: Delson Xavier e Marcus Rivoiro, pesquisadores do projeto-pesquisa Amazônia, Gente e Justiça

www.expressaorondonia.com.br


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