
PORTO VELHO – A pesquisa Quaest para o governo de Rondônia, divulgada pela TV RO na quinta-feira, trouxe uma pequena ducha de água fria para quase todos os comitês eleitorais. Não porque Marcos Rogério tenha aparecido em primeiro. Isso não chega a ser novidade. O senador do PL avançou de 24% para 37% e abriu uma vantagem de 16 pontos sobre Adailton Fúria, que permaneceu nos mesmos 21% da rodada anterior.
CENÁRIO
A novidade está em outro lugar: a pesquisa reforça o cenário de segundo turno que esta coluna apontou na semana passada. A comemoração antecipada de uma vitória no primeiro turno, alimentada durante vários dias por setores da campanha de Rogério, agora terá de conviver com uma realidade menos festiva. Com 19% de indecisos, ainda há muita água para passar por baixo da ponte eleitoral. Embora sua posição hoje seja confortável. Mas eleição de segundo turno é outro papo.
DISTÂNCIA
Fúria continua em segundo e, embora não tenha avançado, também não despencou. Depois do rompimento com o governo, seu desempenho exigia uma leitura mais cuidadosa. O prefeito de Cacoal não ganhou terreno nesta rodada, mas conserva distância suficiente dos demais para permanecer no centro da disputa. Agora terá de transformar os últimos dias de campanha numa tentativa de recuperar gás e reduzir a distância para Rogério. O que não pode é deixar o adversário continuar se distanciando nesta reta final.
ROTEIRO
Eleição de segundo turno, como se sabe, é outra história. E costuma ser escrita por eleitores que ainda não decidiram se querem escolher um nome ou simplesmente impedir outro. O candidato mais competitivo no primeiro turno nem sempre consegue carregar automaticamente sua vantagem para a segunda etapa. No entanto, estar em vantagem é sinal de vigor. Segundo turno tem outras circunstâncias que ditam o roteiro após a última urna ser apurada no primeiro.
FÔLEGO
O pior retrato da Quaest, desta vez, ficou para Hildon Chaves. Os 9% destoam da campanha que o ex-prefeito vem colocando nas ruas. É possível que o desempenho nos debates tenha produzido algum desgaste, embora seja precipitado transformar pesquisa em resultado. Quem conhece os bastidores de uma eleição sabe que Porto Velho costuma guardar alguma munição para a reta final, e Hildon ainda concentra seu melhor desempenho justamente na capital. Erra quem achar que o fôlego dele acabou. Embora seja a situação eleitoral do momento mais complexa.
FOTO
Pode não ser suficiente para levá-lo ao segundo turno. Pode. Mas quem olhar para os 9% da Quaest como se fossem uma fotografia definitiva corre o risco de descobrir, no dia da eleição, que fotografia eleitoral às vezes envelhece mais depressa que político em palanque.
REJEIÇÃO
Expedito Netto também oscilou para baixo, passando de 10% para 6%. O PT, entretanto, possui capilaridade e estrutura política que podem produzir alguma reação na reta final. A distância para uma vaga no segundo turno é considerável, e não há muito espaço para milagres, mas campanha só termina quando o eleitor deposita o voto na urna. Ademais, a rejeição ao lulismo em Rondônia é majoritária.
EXPRESSÃO
Para Pedro Abib, a pesquisa foi particularmente cruel. O candidato do MDB apostou numa campanha com discurso professoral, muitas vezes explorando a força do gogó e procurando se apresentar como alguém acima da disputa. O eleitor, até aqui, parece não ter comprado o personagem. Com apenas 1%, a estratégia de empolgar pela exposição verbal revelou mais eco no microfone do que nas ruas. A força com que faz para se expressar provoca a quem assiste agonia porque as veias ficam ao ponto de saltarem pela tela. Falta-lhe, antes de tudo, empatia. E a propaganda ao lado de velhinhos caciques do MDB destoa do discurso de novo. Aliás, se explorarem puxa ainda mais o candidato para baixo.
BRIGUENTO
Samuel Costa também aparece com 1%. A pesquisa praticamente fechou a porta para qualquer sonho de uma votação muito superior à obtida anteriormente. Seu desempenho nos debates, excessivamente belicoso, pode ter produzido um efeito inverso ao desejado. Pessoalmente, Samuel pode ser afável. Na televisão, porém, transformou-se em personagem de confronto permanente. E o eleitor costuma perdoar muita coisa, menos aquele candidato que parece estar brigando com a própria televisão.
FALHAS
No fim, a Quaest deixa todos com alguma tarefa. Rogério precisa administrar a vantagem sem comemorar a eleição antes da hora. Fúria precisa crescer. Hildon precisa provar que os 9% são apenas um retrato de momento. Expedito precisa reagir. Abib precisa encontrar uma conexão que até agora não apareceu. E Samuel precisa descobrir que debate eleitoral não é campeonato de quem fala mais alto.
DADO
Os últimos dias serão de arrancada. Só que, até aqui, o eleitor rondoniense não parece particularmente disposto a se apaixonar por nenhum dos candidatos. E esse talvez seja o dado mais importante da pesquisa: há muito voto ainda solto e pouca empolgação consolidada. A campanha entrou na reta final. Agora começa a parte em que os candidatos descobrem que pesquisa não elege ninguém, mas pode tirar muita gente do salto alto.
PARADOXO
A disputa pelas duas vagas de senador por Rondônia entrou definitivamente na zona de turbulência. Quatro candidatos aparecem competitivos, e a pesquisa mais recente da Quaest, regularmente registrada na Justiça Eleitoral, mostra um empate na primeira colocação entre Sílvia Cristina e Fernando Máximo. O resultado produz um paradoxo eleitoral que merece ser examinado para além dos números.
TRABALHO
Sílvia Cristina construiu sua atuação parlamentar tendo a saúde como uma de suas principais marcas. Não é médica, mas transformou o mandato em instrumento de destinação de recursos para hospitais, municípios e projetos de atendimento. O Hospital de Amor tornou-se a vitrine mais evidente dessa atuação. Dados oficiais da Câmara registram emendas destinadas à saúde, enquanto o próprio Hospital de Amor relaciona recursos encaminhados pela parlamentar para custeio.
MARCA
É justamente aí que aparece o contraste com Fernando Máximo. Médico de formação e ex-secretário estadual de Saúde, ele chegou à Câmara dos Deputados depois de ocupar por mais de três anos o comando da Sesau. No currículo parlamentar, há recursos destinados aos municípios, mas ainda é legítimo perguntar qual foi a marca estrutural deixada pelo mandato e quais resultados concretos podem ser atribuídos a essas destinações. E no Congresso Nacional serviu bem a causa médica contra toda iniciativa de valorização da enfermagem. Ele tem sido contra qualquer projeto ligado aos interesses da enfermagem e é por isto que entidades médicas pedem votos para ele.
ENGODO
A pergunta ganha peso quando se chega ao episódio do novo Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia, o Heuro. Em 2022, Máximo, então secretário de Saúde, participou do lançamento da pedra fundamental da unidade que substituiria o João Paulo II. Na ocasião, falou emocionadamente sobre o hospital como um sonho dos rondonienses. Anos depois, a obra não havia saído do papel como prometido.
ASSOMBRAÇÃO
A imagem da pedra fundamental, portanto, voltou a assombrar a campanha. Não porque uma pedra tenha culpa dos fracassos administrativos, mas porque ela virou metáfora de uma promessa que não encontrou correspondência na realidade.
PROMESSAS
Agora, Máximo reapresenta a construção de um novo João Paulo II como proposta eleitoral. É uma promessa que merece ser confrontada com uma pergunta simples: se o então secretário tinha conhecimento técnico, poder administrativo e prioridade política para construir o hospital, por que a obra não avançou quando ele estava no comando da saúde?
EFICIÊNCIA
A resposta não pode ser substituída por uma nova cerimônia, uma nova maquete ou outra pedra fundamental. Política pública não se inaugura com discurso. Inaugura-se com obra pronta, atendimento funcionando e cidadão dentro do hospital. O que se espera de um secretário é eficiência. Máximo foi ineficiente.
AMNÉSIA
Há ainda outro capítulo dessa história. Máximo chegou à política pelas mãos do governador Marcos Rocha e integrou a estrutura de governo que comandou a saúde estadual. Hoje, quando o passado administrativo cobra explicações, transferir integralmente para o governador a responsabilidade pelos problemas da Sesau produz uma curiosa amnésia política. Quem participou da gestão precisa responder também pela parte que lhe coube.
EXPLICAÇÃO
É esse o paradoxo revelado pela pesquisa: de um lado, uma deputada que transformou a saúde em principal identidade parlamentar; de outro, um médico que comandou a saúde estadual e agora precisa explicar por que o hospital que prometeu como secretário continua sendo promessa como candidato ao Senado.
TROTANDO
Mas há um segundo sinal escondido nessa fotografia eleitoral. Seis meses atrás, Fernando Máximo aparecia associado a percentuais muito mais elevados nas pesquisas divulgadas por seu grupo político. Na reta final da campanha, porém, os números registrados mostram outro cenário: o candidato permanece competitivo, mas sem a folga que chegou a ser anunciada. A impressão é de que sua candidatura pode ter encontrado um teto eleitoral. E pode trotar na garupa de um cavalo paraguaio.
ATIVOS
E eleição, como se sabe, não respeita currículo de pesquisa nem propaganda de campanha. Atrás dele, Mariana Carvalho e Bruno Scheid continuam disputando espaço e, faltando poucos dias, uma arrancada final de qualquer um dos dois pode alterar a fotografia atual. Não é previsão de resultado, mas uma possibilidade que a pequena distância entre os candidatos mantém aberta. Scheid tem ma campanha ideológica mais consistente que o colega de partido e é o queridinho da cozinha de Jair Bolsonaro e Michele Bolsonaro. Ativos fortes em Rondônia.
REVELAÇÃO
Se esse movimento ocorrer, o percentual hoje suficiente para colocar Máximo entre os dois primeiros pode simplesmente perder a gordura que ainda parece oferecer alguma segurança. Na reta final, pesquisa deixa de ser promessa e passa a ser apenas fotografia. E fotografia eleitoral, quando tirada perto da urna, costuma revelar até aquilo que a campanha passou meses tentando esconder.
PODCAST
Na segunda e na terça-feira, o podcast Resenha Política recebe o jornalista Rubens Coutinho, um dos analistas políticos mais polêmicos e inteligentes da atualidade em Rondônia, para uma conversa sobre as probabilidades eleitorais de candidatos a deputado federal e estadual que podem chegar com chances de sucesso às urnas.
BASTIDORES
É preciso deixar claro: são projeções, não adivinhações. E projeções podem se confirmar ou desaparecer diante da urna, esse lugar onde pesquisa, percepção, torcida e realidade costumam ser obrigadas a se encontrar. As análises foram construídas a partir de dados concretos de pesquisas e da percepção de dois profissionais que acompanham, há mais de três décadas, os bastidores das campanhas eleitorais em Rondônia.
REAÇÕES
Rubinho, como é conhecido, comanda o Tudorondônia e mantém uma das páginas de comentários políticos de maior alcance nas mídias digitais do Estado. Seus comentários provocam reações, dividem opiniões e frequentemente causam algum estrago no confortável silêncio do mundo político. Há quem não goste do que ele escreve e fala. Curiosamente, muitos dos que o criticam não dispensam um único comentário quando ele vai ao ar.
OPINIÃO
Mas há uma diferença que precisa ser repetida: o Resenha Política não está fazendo adivinhações. Está fazendo projeções com base em dados, experiência e leitura de cenário. E isso é explicado exaustivamente durante as entrevistas.
PREFEITO
Na quinta e na sexta-feira que antecedem as eleições, o podcast Resenha Política recebe o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, para uma entrevista sobre a administração municipal, a saúde pública e o cenário político de Rondônia. Durante a conversa, o prefeito comenta as ações em andamento na capital e os próximos passos do hospital universitário adquirido pela Prefeitura. Ele também explica quando a unidade deverá ser disponibilizada à Universidade Federal de Rondônia (Unir) e quais são as previsões para o início do funcionamento.
VERSÃO
O hospital é apresentado pela administração municipal como uma medida para ampliar a capacidade de atendimento da rede pública e reduzir a pressão sobre os serviços de saúde. O tema está entre os principais assuntos da gestão e será abordado na entrevista. Léo Moraes também responde a críticas relacionadas aos gastos da Prefeitura e à definição de prioridades administrativas. Ele apresenta sua versão sobre as decisões tomadas e comenta questionamentos feitos por moradores, nas redes sociais e no ambiente político.
ANÁLISES
A entrevista inclui ainda uma análise das eleições estaduais, do cenário político de Rondônia e das perspectivas para os próximos meses. O prefeito fala sobre sua avaliação do momento atual e sobre os possíveis desdobramentos da disputa.
A conversa será conduzida em formato mais aberto, com perguntas sobre ações da gestão, dificuldades administrativas, saúde pública, críticas e política estadual.
Na quinta e na sexta-feira, o Resenha Política recebe o prefeito da capital para discutir os principais temas relacionados à administração municipal e ao futuro político de Rondônia.








