PORTO VELHO – Até o dia 19 de setembro, com entrada gratuita, o Sesc Cultural localizado à avenida Campo Sales, 2666 – entre Carlos Gomes e Dom Pedro II, Centro, apresenta em Porto Velho a exposição “O Cacau Cor de Rosa”. Sob curadoria de Margot Paiva, a mostra reúne três artistas renomados da região – Bruno Souza, Flávio Dutka e Homero Santos — selecionados mediante uma plataforma institucional por seu trabalho constante e qualificado.
Os artistas selecionados possuem uma produção contínua e são referências na imagética regional. O objetivo da iniciativa é proporcionar visibilidade a profissionais que estão em constante atividade, pois buscamos elevar o nível das exposições a um patamar internacional.
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Para a curadoria, mais que um tema, ele é uma metáfora da Amazônia que recusa estereótipos, do ato criativo que reinventa a matéria bruta e de uma produção que brota longe dos grandes eixos, mas alcança ressonância universal.
De coloração naturalmente rosada, sem corantes, o fruto raro encontrado com frequência na região de Ariquemes rompe com o imaginário telúrico do cacau tradicional. O título da mostra é uma referência ao raro cacau rubi amazônico, celebrando a excelência artística local.

O resultado são obras onde a argila vira matéria poética, a madeira guarda a seiva da floresta e as curvas sinuosas deságuam nos rios da imaginação. Cada artista apresentou o melhor de sua produção recente, além de uma obra inédita criada especialmente para esta mostra, ressaltando o alto quilate técnico da exposição.
De acordo com Margot Paiva, a concepção desta mostra iniciou-se ano passado, durante o planejamento anual. “No Sesc, disponibilizamos em nosso site um banco de propostas onde os artistas submetem seus projetos, que devem dialogar com as diretrizes da instituição. Identificamos, então, o momento propício para realizar uma exposição coletiva de grande porte, reunindo três personalidades fundamentais da cultura de Porto Velho e de Rondônia”, relatou.

Margot detalha a licença poética. “Batizamos a mostra de ‘Cacau Cor-de-Rosa’, uma referência ao Cacau Rubi, fruto raro de nossa botânica amazônica. A escolha do nome traz uma licença poética pertinente às artes visuais. Estabelecemos como contrapartida que cada artista apresentasse uma obra inédita inspirada nessa temática. O resultado é extremamente exitoso. Embora o título remeta primordialmente à raridade e qualidade do fruto, reconheço que ele carrega, involuntariamente, uma forte representatividade feminina.”, explicou.


A agenda do Sesc Cultural já está desenhada até 2030, a partir das propostas inscritas por artistas no banco da instituição. A próxima exposição homenageará a grande precursora das artes visuais em nossa região, a senhora Rita Queiroz, que inclusive dá nome à nossa galeria. Esta mostra, que já foi prorrogada duas vezes devido a questões de saúde da artista, ocorrerá agora que ela se encontra plenamente restabelecida.
O evento marcará o lançamento do seu livro, ‘O Toque’, acompanhado de uma exposição de seu acervo pessoal, cedido gentilmente por sua família, com caráter estritamente expositivo e não comercial.
Ainda conforme a curadora o último evento realizado foi o 13º Salão de Artes Plásticas e Contemporâneas de Rondônia, em 2014, período em que Margot dirigiu a Casa de Cultura Ivan Marrocos.

“Desde então, o projeto encontra-se adormecido. Durante minha gestão, pude compreender o funcionamento da máquina pública e contribuir com minha expertise em galerias. Quando houve a transição de governo, encerrei minha colaboração com a satisfação de ter cumprido minha missão e deixado um legado positivo. Acredito que devemos realizar o nosso trabalho cotidiano com entrega e paixão, sem apego aos cargos, focados sempre em oferecer o nosso melhor. Assim como fiz lá, atuo aqui hoje com a mesma dedicação”, esclareceu.
Por fim, a curadora relembra seu legado na gestão pública cultural, enfatizando seu compromisso com a produção artística profissional e o trabalho dedicado ao setor.
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